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Na Mira

Desvio de 54 carros de montadora gera prejuízo de R$ 8,7 milhões em Goiás

Investigação do Gaeco cumpre 12 mandados em São Paulo e bloqueia bens de suspeitos para ressarcir prejuízo estimado em R$ 8,7 milhões

01/10/2026 13:53
Reprodução
carros desviados de montadora

Um esquema sofisticado que teria desviado 54 veículos zero quilômetro do pátio de uma montadora instalada em Anápolis (GO) e provocado um prejuízo estimado em R$ 8,7 milhões voltou a ser alvo do Ministério Público de Goiás (MP-GO).

Nesta terça-feira (29/9), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu 12 mandados de busca e apreensão nos municípios de São Paulo e São Bernardo do Campo.

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Segundo as investigações, os dois municípios paulistas eram o destino final dos automóveis após serem retirados da linha de montagem e do pátio goiano por meio do uso de notas fiscais fraudulentas.

Bloqueio de bens

Os automóveis eram adquiridos por comerciantes por valores significativamente abaixo da avaliação de mercado e rapidamente desmontados para a alimentação do comércio ilícito de peças e sucatas. A nova fase da operação também culminou no bloqueio judicial de bens e valores pertencentes aos investigados.

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A ação é resultado direto do avanço das apurações iniciadas na primeira fase da operação, ocasião em que os promotores do Gaeco identificaram inconsistências severas no controle do estoque de veículos da montadora.

A partir do rastro documental, a equipe de investigação conseguiu mapear toda a cadeia logística responsável tanto pela retirada dos automóveis do pátio goiano quanto pelo recebimento da carga em território paulista.

Frota desviada

Os investigadores identificaram empresários e comerciantes de autopeças e sucatas que teriam adquirido a frota desviada. Parte do material era mantida estocada em oficinas clandestinas e galpões comerciais, enquanto outros veículos eram desmontados e tinham seus componentes anunciados para venda tanto em lojas físicas quanto em redes sociais.

As ordens judiciais de busca foram cumpridas em endereços comerciais e residenciais por policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de São Paulo, com apoio do Gaeco paulista.

Conforme detalhado nos autos do processo, o plano criminoso teria sido concebido e executado por um ex-funcionário da própria fábrica de Anápolis. O investigado teria se aproveitado do livre acesso às instalações e da relação de confiança decorrente de sua função interna para viabilizar a retirada sistemática dos automóveis.

Mecanismo da fraude

Para justificar a movimentação da frota junto à logística da montadora, o ex-colaborador emitia guias indicando a remessa para “industrialização por encomenda” — modalidade legítima usada quando carros novos vão para blindagem ou instalação de acessórios.

Ainda de acordo com os dados apresentados pelo Gaeco, o investigado criou uma identidade virtual falsa atribuída a um suposto analista de marketing e enviou solicitações fraudulentas por e-mail para autorizar o transporte. Assim que liberados da fábrica, os caminhões-cegonha ou furgões transportavam a carga diretamente para o interior de São Paulo.

Com a consolidação do acervo probatório colhido durante as duas fases da operação, o Gaeco do MPGO ofereceu denúncia criminal formal perante a Vara Criminal da Comarca de Anápolis. O ex-funcionário apontado como o idealizador e operador central da fraude, juntamente com os empresários paulistas receptadores dos veículos, foram denunciados pelos crimes de:

Posição do MP

De acordo com o Ministério Público, a medida cautelar busca alcançar o patrimônio diretamente correlacionado ao suposto esquema ilícito e assegurar fundos suficientes para uma eventual e futura reparação dos danos materiais causados à montadora afetada.

A equipe policial e de inteligência do MP segue analisando o material apreendido nos galpões para verificar se parte dos 54 automóveis desviados ainda permanece estocada nesses locais ou se passa por processo de desmonte.