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Na Mira

Chefão do golpe dos pneus morava em mansão sem roupas no armário

Maurício Fernando Saraiva de Oliveira, 59 anos, é apontado como líder de esquema que enganou ao menos 80 idosos do DF com golpe do pneu

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Apontado como chefão do esquema criminoso que aplicou o golpe do pneu em ao menos 80 idosos do Distrito Federal, Maurício Fernando Saraiva de Oliveira (foto em destaque), 59 anos, foi preso pela Polícia Civil (PCDF), nessa quinta-feira (26/2), na mansão onde mora, no Lago Norte.

Maurício é um dos alvos da Operação Rota Scan III. Além dele, agentes da Divisão de Defesa do Consumidor (DDCON/CORF) prenderam temporariamente outros quatro suspeitos de envolvimento na quadrilha e cumpriram 11 mandados de busca e apreensão no DF e em Goiás.

A coluna Na Mira apurou que Maurício vivia como se estivesse foragido. Ele não mantém as empresas investigadas em seu nome e, embora resida em um endereço fixo, sequer guardava roupas no local.

Além disso, o empresário tinha ciência de que estava sendo investigado e que, a qualquer momento, poderia ser preso. Por conta disso, tentava se esquivar de um possível mandado contra ele.

Nessa sexta-feira (27/2), a Justiça do DF decidiu pela substituição da prisão temporária por prisão domiciliar, após pedido da defesa. Além do recolhimento domiciliar, foram impostas medidas cautelares pelo prazo de 30 dias, dentre elas proibição de manter contato com outros investigados.

Líder do esquema

As investigações reuniram provas que apontam Maurício como líder do esquema criminoso que, há anos, atua no Distrito Federal aplicando o chamado “golpe do pneu”.

Em 2021, o investigado também foi um dos alvos da Operação Rota Scam I. À época, o foco eram empresas do grupo Grid Pneus, vinculadas a Maurício, que já aplicavam a mesma modalidade de golpes contra idosos.

Somente contra a Grid Pneus e Serviços Automotivos foram registradas cerca de 46 ocorrências naquele período por cobranças exorbitantes por serviços não solicitados ou sequer realizados.

No âmbito dessa apuração, o empresário acabou condenado em primeira instância a um ano de reclusão e quatro anos e sete meses de detenção em regime semiaberto por crimes contra o consumo e associação criminosa. Além dele, dois gerentes da oficina foram condenados pela prática delitiva.

Mesmo após a condenação, os investigadores identificaram um padrão que reforçou a suspeita de continuidade criminosa. As empresas mudavam frequentemente de nome e de sócios, mas permaneciam nos mesmo endereços, estratégia interpretada como tentativa de ocultar os verdadeiros responsáveis.

A prática incluía a utilização de “laranjas”, criação de novas pessoas jurídicas e manutenção do mesmo tipo de abordagem abusiva contra consumidores vulneráveis.

A PCDF concluiu que os sócios “de direito” das atuais oficinas investigadas mantêm laços diretos com as firmas de Mauricio investigadas em 2021, seja por relações familiares ou por vínculos empregatícios.

As investigações foram conduzidas pelo diretor adjunto da Divisão de Defesa do Consumidor (DDCON/CORF), Rodrigo Carbone, junto de sua equipe.

Troca de pneu por R$ 20 mil

Os alvos principais eram idosos, escolhidos por sua vulnerabilidade. Ao buscar um simples reparo, como a troca de um pneu, a vítima era induzida a autorizar serviços desnecessários. Depois, surgiam “novos defeitos” e os orçamentos disparavam para valores entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.

A reportagem apurou que as oficinas estão localizadas na Asa Sul, no Sudoeste, em Taguatinga Sul e Santa Maria.

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Quando questionavam o preço do serviço, os clientes eram pressionados e coagidos. O esquema era marcado por fraude, intimidação e exploração da boa-fé de pessoas idosas. Em alguns casos, caso se recusassem a efetuar o pagamento do valor cobrado, as oficinas ameaçavam reter os veículos das vítimas.

Outras ocorrências anteriores também vieram à tona, como o caso de um idoso de 75 anos que, em 2022, foi coagido a pagar R$ 17,7 mil em serviços feitos de maneira indevida em uma das oficinas investigadas.

Em 2025, outro idoso de de 79 anos foi uma vítima da empresa JK Pneus. Ele havia procurado a oficina somente para realizar o balanceamento da roda dianteira do carro, mas ao retornar no local lhe ofereceram um orçamento de R$17,5 mil. Após muito reclamar, acabou pagando R$ 10 mil pelo serviço.

A reportagem entrou em contato com a defesa de Maurício, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto.

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