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Na Mira

Cavalos de luxo e shows de forró usados para lavar R$ 150 milhões do crime

Polícia desarticula esquema da facção Nova Okáida que usava leilões de cavalos, agenciamento de bandas de forró e empresas de fachada

28/09/2026 14:31
Reprodução
cavalo de raça

A Polícia Civil da Paraíba (PCPB) desarticulou uma complexa estrutura montada por integrantes da facção criminosa Nova Okáida para ocultar uma fortuna estimada em R$ 150 milhões. O esquema envolvia a compra de cavalos de raça, transações no mercado da música regional e a movimentação atípica de contas bancárias milionárias.

Entre os principais alvos da operação estão Ivan Moura, conhecido no meio criminoso como “Mauro Maromba”, e Yago Cavalcanti, ex-candidato a vereador no município de Campina Grande (PB). Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizava a aquisição de cavalos da raça Quarto de Milha para reinserir o dinheiro do tráfico no mercado formal. Yago Cavalcanti chegou a estruturar um haras no estado do Rio Grande do Norte, mantendo sob sua posse cerca de 15 animais.

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Em um único leilão virtual associado à marca do cantor Wesley Safadão, quatro animais foram arrematados por aproximadamente R$ 1 milhão. A suspeita da polícia é de que os espécimes fossem comprados por valores intencionalmente inflacionados e, posteriormente, revendidos para conferir aparência legítima aos recursos.

Safadão não é investigado

O cantor Wesley Safadão não é investigado. A aparição do artista em vídeos de agradecimento a compradores foi classificada como um procedimento padrão em eventos do setor. Em nota, a assessoria do cantor informou que todas as transações eram intermediadas diretamente pela leiloeira responsável, sem qualquer contato direto entre o artista e os suspeitos.

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A atuação da organização criminosa também avançou sobre o setor de entretenimento. Os investigadores identificaram a criação de uma agência para gerenciar a carreira de cantores de forró, visando inserir as atrações no circuito de eventos contratados por prefeituras do Nordeste.

Em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, um dos suspeitos revela que a rentabilidade do negócio dependia da entrada nas festividades municipais. A suspeita é que cachês, contratos e apresentações servissem de pretexto para emitir justificativas contábeis sobre as movimentações da facção. Um dos cantores agenciados pela empresa chegou a gravar um videoclipe com a participação de Yago. A defesa do artista declarou que ele ignorava o esquema ilícito e já estava em processo de rescisão contratual.

Empresa de R$ 144 milhões

O ponto focal do volume financeiro surgiu na análise fiscal da esposa de Ivan Moura. Com renda declarada de apenas R$ 1.412,00 mensais (um salário mínimo), uma empresa registrada em seu nome movimentou impressionantes R$ 144 milhões no curto período de quatro meses. Para a polícia, a firma atuava exclusivamente como empresa de fachada para diluir e distribuir os proventos da facção.

Além da lavagem de capitais, a organização está diretamente associada ao comércio de cocaína, crack, skank e armas de fogo de uso restrito. Em áudios interceptados, foram registradas negociações de entorpecentes e a ordem para a execução de um rival.

Com os lucros obtidos, os integrantes exibiam um alto padrão de vida, adquirindo veículos de alto luxo, jet-skis e propriedades em condomínios fechados.

Prisões e bloqueio de bens:

  • Ao todo, 13 pessoas foram presas no decorrer da operação. A captura dos líderes contou com cenários inusitados:
  • Ivan Moura (“Mauro Maromba”) foi localizado pelas equipes policiais escondido no compartimento interno de uma cama-baú.
  • Yago Cavalcanti foi interceptado e detido em uma rodovia enquanto tentava fugir do cerco policial.

A Justiça determinou o bloqueio judicial de até R$ 144 milhões das contas e bens vinculados aos suspeitos. Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, tráfico ilícito de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro. As defesas informaram que prestarão todos os esclarecimentos no decorrer do processo judicial.