Cantor gospel é acusado de violência psicológica por ex-esposa
Um ano após a separaço do casal, em novembro de 2025, a Justiça de São Paulo concedeu medida protetiva contra o músico

Por trás da imagem de casamento perfeito e vida religiosa exemplar, a cantora e fonoaudióloga Débora Schmitz alega que sofreu mais de 10 anos de controle, humilhação e violência psicológica por parte do ex-marido, o cantor adventista Dilson Castro, 43. Além do matrimônio, o ex-casal que vivia em Engenheiro Coelho (SP) formava uma dupla musical e mantinha um canal conjunto no YouTube com mais de 100 mil inscritos e 21 milhões de visualizações.
Um ano após o divórcio, em novembro de 2025, a Justiça de São Paulo concedeu medida protetiva contra o músico pelos abusos cometidos contra a ex-esposa. Dilson Castro, conhecido no meio gospel como Dilsão, possui mais de 83 mil seguidores nas redes sociais e é funcionário de uma Igreja Adventista.
Débora alega que durante os quase 12 anos de relacionamento foi obrigada a trabalhar mesmo doente. Ao longo dos anos, o desgaste físico e emocional cobrou um preço alto, levando-a à beira da morte — período em que o agressor utilizava o sofrimento da esposa em redes sociais para atrair maior visibilidade e convites para eventos.

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Ver todas“Já cantei com crises de enxaqueca fortíssimas. Eu cantei sentada com uma cara de morta-viva e todo mundo indo tirar foto comigo, eu sentada, sem maquiagem, toda desgranada, com roupa toda ridícula”, explicou Débora.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDevido a todos os ataques ocorridos contra ela, Débora teve que deixar Engenheiro Coelho (SP) onde morava com o filho para ir para Pernambuco. Segundo ela, um valor de aluguel de um imóvel que pertencia aos dois não estaria sendo repassada à ela.
Perseguição e difamação
Após o término do relacionamento, a artista diz ter sofrido uma série de episódios de perseguição, difamação e tentativas de controle por parte do ex-cônjuge. Entre os relatos estão invasões a locais de trabalho, envio massivo de mensagens ofensivas, ameaças e a tentativa de desestabilizá-la publicamente e profissionalmente na comunidade religiosa e artística onde atuavam.
A situação teve forte impacto na carreira da cantora, que acabou sendo disciplinada e afastada de suas funções ministeriais por um período de um ano. Além disso, houve disputas judiciais envolvendo o divórcio, o patrimônio digital, a partilha de bens e a concessão de medidas protetivas de urgência para resguardar a integridade emocional e física da artista e de seu filho, Gael.
“Ele roubou meu celular, pegou algumas mensagens, pegou conteúdo do meu celular e começou a espalhar para todo mundo. E aí ele mandava mensagem para mim, muitas mensagens, mais de 50 mensagens por dia, me chamando de puta, de piranha, de vagabunda, e apagava a mensagem”, relatou a cantora.
Mesmo após a medida protetiva e divórcio, Débora alega que Dilson chegou a difamar o seu atual companheiro.
“Ele comprou chip e espalhou para toda essa comunidade religiosa que é enorme no Brasil, com mais de 3 milhões de fiéis, espalhou para muitos contatos, principalmente para as administrações […] falando que ele era devedor do Fisco, que ele era mau caráter.”
Além do atual companheiro de Débora, os pais e a irmã registraram boletim de ocorrência pela perseguição desenfreada de Dilson.
Ataque nas redes sociais
A convivência pós-término também foi marcada por campanhas de difamação indiretas nas redes sociais. Segundo o relato, o ex-cônjuge utilizava terceiros e estimulava comentários em postagens para descredibilizá-la publicamente.
“Eles começaram a comentar: ‘Essa, essa é a cantora que acharam na cama com outro?’ Isso é um absurdo, ultrajante”, denunciou Débora.
O desgaste emocional gerou graves reflexos na saúde física da artista. Ela relatou ter desenvolvido problemas como síndrome do intestino irritável, episódios de hepatite e início de falência hepática decorrentes do estresse e do uso excessivo de medicamentos para dores. Além disso, chegou a pesar 48kg, enfrentando um quadro severo de desnutrição e melancolia antes de conseguir retomar o controle de sua vida e buscar apoio legal.
Quase dois anos após o divórcio, Débora diz ainda ter medo do ex-marido, mas segue tentando retomar a sua vida normalmente. “Ele é muito instável emocionalmente”, relatou.
“Eu comecei, eu retomei as rédeas da minha vida e, claro que eu sou taxada de um monte de coisa, mas quando eu falo da violência, aí o povo começa a entender”, desabafou Débora.
Débora ainda tem que dividir a guarda do filho com Dilson e tenta a exclusão do canal da dupla no YouTube para não ter a imagem conectada com o ex.
O que diz o cantor
Dilson Castro foi procurado para falar sobre as acusações, mas até a última atualização desta reportagem não havia se pronunciado. O espaço fica aberto para possíveis manifestações.










