Barbie PM e viatura-motel: sexualizar policiais nas redes é crime?
Perfis mostram policiais sexualizadas como: delegada fazendo sexo em viatura; a Barbie da PM e "policial" dizendo: raspei a 'ppk'

O uso de Inteligência Artificial (IA) nas redes sociais para criar imagens sexualizadas de policiais femininas tem chamado atenção das autoridades de Segurança Pública. Na última semana, diversas páginas compartilharam a foto de uma mulher loira, com aparência atraente, vestindo uma blusa idêntica à da Polícia Civil — sem indicação de estado — fazendo uma selfie. Ao lado dela, apareceria um agente, supostamente dirigindo uma viatura.

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Ver todasEmbaixo da foto gerada por IA, tinha um vídeo de uma mulher transando dentro de um carro, com a legenda: “Delegada é flagrada dentro de um carro com parceiro de farda em rua escura”.
Outras contas replicaram a mesma imagem, alterando apenas os títulos, mas mantendo a narrativa de que uma suposta delegada estaria envolvida em relações sexuais com um colega durante o expediente.
Na mesma rede social, outros perfis exibem a chamada “Barbie da PM” e uma policial acompanhada da legenda: “Ninguém sabe, mas hoje eu raspei a minha ‘ppk’ antes do serviço”. As fotos foram borradas, pois ainda não há confirmação de que se trate de pessoas reais; algumas podem ter sido geradas ou modificadas por IA.
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Investigações
Embora a imagem aparente ser fictícia e, portanto, não configure crime penal diretamente, a situação gera constrangimento às corporações e caracteriza sexualização indevida de mulheres, afetando a imagem institucional. O episódio tem motivado investigações, e algumas contas já foram suspensas com base no Marco Civil da Internet, que prevê a responsabilização de provedores e usuários por conteúdos que violem direitos civis, incluindo a criação de perfis falsos ou difamatórios.
Além do direito civil de solicitar a exclusão de perfis fraudulentos, plataformas como a Meta possuem diretrizes que proíbem a criação de contas com informações falsas ou que objetivem constranger terceiros.
Criação de perfis falsos
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) diz que atua de forma permanente no enfrentamento a crimes digitais, inclusive envolvendo o uso indevido de tecnologias avançadas, como Inteligência Artificial. A corporação possui a Delegacia Especializada na Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC) e divisão pericial no Instituto de Criminalística, capacitada para atuar com tecnologia de IA.
Todas as delegacias da PCDF estão aptas a apurar crimes digitais conforme a natureza do fato, e os policiais civis recebem capacitação contínua por meio da Escola Superior de Polícia, especialmente em temas relacionados a crimes cibernéticos e novas tecnologias.
A PCDF orienta que qualquer pessoa que se sinta lesada ou tenha conhecimento de situações envolvendo uso indevido de imagem, criação de perfis falsos ou manipulação de conteúdo digital procure a corporação para registro da ocorrência, incluindo a possibilidade de denúncia anônima, garantindo a adequada apuração dos fatos.
















