Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube

Apuração pelo Brasil

Na Mira

"Advogata do tráfico" inaugura votação na Papuda antes de Daniel Vorcaro

Com direito ao voto mantido, "advogata do tráfico" abriu votação no Complexo Penitenciário da Papuda, seguida pelo banqueiro Daniel Vorcaro

06/10/2026 16:06, atualizado 06/10/2026 16:40
Reprodução
mulher com arma

Em um dia marcado pelo exercício da cidadania em meio ao cumprimento de medidas cautelares e prisões preventivas, a advogada Jéssica Castro de Carvalho, 30 anos, conhecida no meio policial como a “advogata do tráfico”, tornou-se a primeira detenta a votar na zona eleitoral instalada no Complexo Penitenciário da Papuda, no último domingo (4/10).

A advogada está custodiada nas dependências do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), a “Papudinha”. Ela exerceu seu direito constitucional logo nas primeiras horas de votação, sob forte esquema de segurança organizado pela Polícia Penal e pela Justiça Eleitoral.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Logo em seguida, no mesmo local e utilizando a mesma seção adaptada para internos provisórios que mantêm os direitos políticos ativos, votou o banqueiro Daniel Vorcaro. A passagem de ambos pela urna eletrônica simbolizou o cumprimento das regras eleitorais para presos sem condenação transitada em julgado.

Veja imagens:

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
“Advogata do tráfico” inaugura votação na Papuda antes de Daniel Vorcaro - destaque galeria
6 imagens
Jessica Carvalho, 30 anos
Atendimento na cadeia
Sendo batizada
Postagem nas redes sociais
Moção de louvor
Advogada também é fisiculturista
1 de 6

Advogada também é fisiculturista

Reprodução / Redes sociais
Jessica Carvalho, 30 anos
2 de 6

Jessica Carvalho, 30 anos

Reprodução / Redes sociais
Atendimento na cadeia
3 de 6

Atendimento na cadeia

Reprodução / Redes sociais
Sendo batizada
4 de 6

Sendo batizada

Reprodução / Redes sociais
Postagem nas redes sociais
5 de 6

Postagem nas redes sociais

Reprodução / Redes sociais
Moção de louvor
6 de 6

Moção de louvor

Reprodução / Redes sociais

Prisão da “advogata”

A trajetória profissional e pessoal da advogada Jéssica Castro de Carvalho, de 30 anos, ruiu em 13 de novembro, quando foi abordada por policiais militares do 20º BPM e da Patamo na região do Paranoá. A prisão em flagrante revelou um contraste definitivo entre a imagem de jurista bem-sucedida e atleta fitness que ostentava na internet e a realidade das investigações de envolvimento com o crime organizado local.

Nas redes sociais, onde reúne mais de 1.500 seguidores, Jéssica se apresentava como uma profissional altamente qualificada, alegando ter sete especializações acadêmicas, com ênfase na Lei de Drogas e na Lei Maria da Penha. Suas publicações dividiam espaço entre a rotina nos tribunais, visitas institucionais a delegacias da Polícia Civil, momentos religiosos em batizados, mensagens de fé e a intensa rotina de treinos para campeonatos de fisiculturismo.

Abordagem e arsenal

A postura confiante exibida on-line deu lugar às lágrimas quando os policiais interceptaram o carro da advogada. Durante a vistoria no veículo, as equipes do 20º BPM e da Patamo encontraram um verdadeiro kit de abastecimento de armas e entorpecentes:

  • 1 pistola Glock G19, calibre 9 mm, equipada com carregador de capacidade estendida;
  • 26 munições calibre 9 mm;
  • 5 munições calibre .380;
  • Porções de pó branco (com características semelhantes à cocaína);
  • Tabletes de substância entorpecente prensada;
  • Saco plástico com diversos comprimidos roxos que aparentam ser ecstasy;
  • 1 caderno/agenda de anotações roxo, contendo registros e manuscritos diversos;
  • Passaporte brasileiro

A suspeita chorou durante o procedimento de contenção e foi conduzida à 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), responsável por instaurar o inquérito e conduzir as investigações sobre a origem dos materiais.

“Advogata do tráfico” inaugura votação na Papuda antes de Daniel Vorcaro - destaque galeria
6 imagens
Dentro de uma igreja, em um culto
Em um julgamento
Advogada presa por tráfico
Clube de tiro
Clube de tiro
Foto na Polícia Civil
1 de 6

Foto na Polícia Civil

Reprodução / Redes sociais
Dentro de uma igreja, em um culto
2 de 6

Dentro de uma igreja, em um culto

Reprodução / Redes sociais
Em um julgamento
3 de 6

Em um julgamento

Reprodução / Redes sociais
Advogada presa por tráfico
4 de 6

Advogada presa por tráfico

Reprodução / Redes sociais
Clube de tiro
5 de 6

Clube de tiro

Reprodução / Redes sociais
Clube de tiro
6 de 6

Clube de tiro

Reprodução / Redes sociais

Conexão com o Comboio do Cão

A apuração policial indica que o envolvimento de Jéssica ultrapassava o transporte casual de ilícitos. A advogada é apontada pelas forças de segurança como namorada e aliada de um integrante do Comboio do Cão (CDC) — uma das facções criminosas mais violentas e estruturadas do Distrito Federal, conhecida por controlar pontos de venda de drogas, praticar homicídios encomendados e atuar no tráfico de armas.

A Polícia Civil do DF prossegue com os desdobramentos da investigação para mapear se Jéssica utilizava o status e as prerrogativas da advocacia para facilitar o fluxo de informações, armas e entorpecentes para a organização criminosa, alavancando as atividades do grupo dentro e fora dos presídios da capital.