Museu da República vira palco de protesto contra a PEC da Blindagem
Neste domingo, há previsão de manifestação em várias cidades do Brasil. Maior público é esperado para SP, RJ e Salvador
atualizado
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Com show do cantor Chico César, o domingo será marcado, no Distrito Federal, pelo protesto de brasilienses que se reúnem contra o Projeto de Lei (PL) da Anistia, que tramita na Câmara dos Deputados, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, aprovada na semana passada na Casa Legislativa. Na capital, a concentração começou às 9h, com evento marcado para as 10h.
As manifestações que acontecem neste domingo em todo o país foram convocadas por políticos, movimentos sociais, artistas e influenciadores e devem servir como termômetro do poder de mobilização da esquerda.
Os atos ocorrem após o avanço da PEC Blindagem e do PL da Anistia (ainda que em uma versão light) na Câmara. A urgência do texto da anistia foi aprovada na última quarta-feira (17/9), por 311 a 163 votos. Em seguida, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) foi designado relator pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Após reunião com lideranças políticas, ficou acordado que o projeto seria chamado de PL da Dosimetria, que prevê, entre outras disposições, a revisão das penas dos presos pelo 8/1.
Personagens influentes no campo da esquerda estão à frente da mobilização, como o político Guilherme Boulos, deputado federal pelo PSol de São Paulo. No Rio, onde haverá ato em Copacabana, o cantor Caetano Veloso está envolvido na organização. Em Salvador, a cantora Daniela Mercury encabeça o protesto, com um show.
Não está prevista a presença do presidente Lula ou de membros do governo do petista nos atos deste domingo.
O ato
Conduzindo o ato, em frente à Biblioteca Nacional de Brasília, um trio elétrico puxava cânticos com os manifestantes, como: “Sem anistia para golpista” e “Hugo Motta, presta atenção, eu quero ver o Bolsonaro na prisão”. Carros que passavam pela Esplanada dos Ministérios buzinavam, manifestando apoio ao protesto.
No ato, a estudante universitária Rebeca Ramalho, 24 anos, ressaltou a indignação contra a aprovação da PEC da Blindagem. “Aprovar ela [PEC] significa ir contra a legislação brasileira. Porque os deputados querem fazer isso? Qual o propósito? Eles estão com medo de serem investigados? Isso não pode passar batido”, disse.
O servidor Diego Moura, 48, também marcou presença junto aos amigos o protesto. Ele conta que os pais sempre estiveram presente nos atos na época da ditadura e que, agora, é sua vez de seguir o legado na luta pela democracia.
“Hoje nós estamos mostrando nossa força. Eles querem colocar o crime organizado na Câmara, mas não vamos nos calar. Nós não vamos deixar isso acontecer. Se for preciso irei para as ruas todo fim de semana para manifestar contra”, ressaltou.
No trio elétrico, figuras políticas de Brasília também se manifestaram. O primeiro foi o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF), que destacou o fato de a manifestação não ter bandeira nem de Israel e Estados Unidos.
“Sabem por que aqui não tem bandeira de Israel? Porque a gente não apoia quem joga bomba em cima de crianças palestinas. E sabem por que não tem a dos Estados Unidos também? Porque a gente não apoia um pedófilo que está na presidência e acha que é rei de tudo”, falou o deputado.
“Eu queria aproveitar e combinar entre nós para que ninguém mais chamasse de PEC da Blindagem, porque isso é até agradável. Vamos chamar de PEC da Bandidagem. Nós não podemos deixar que o Congresso Nacional vire as costas ao povo brasileiro e não vamos aceitar a anistia do capitão capiroto”, acrescentou Chico.
O deputado distrital Fábio Felix (PSol-DF) também marcou presença no ato. “A gente não vai aceitar calado o que eles querem fazer com o povo brasileiro. Nós não vamos aceitar anistia para golpista neste país”, destacou.
Depois das falas, os organizadores chamaram artistas independentes de rua do DF do movimento da Batalha de Rima – grupo de hip hop da periferia da capital. Na ocasião, quatro cantores batalharam entre si de forma improvisada, em três rounds, com temas variando entre “fim da escala 6 x 1”, “anistia” e “PEC da Bandidagem”. Após a batalha, o trio desceu em direção ao Congresso.
Os deputados federais Érika Kokay (PT-DF) e Reginaldo Veras (PV-DF) marcaram presença no trio elétrico, que desceu pela Esplanada dos Ministérios e parou próximo à entrada do Palácio do Itamaraty. No local, o cantor Chico César realizou um show curto aos manifestantes com canções de sua autoria, como “Mama África”.
O vocalista aproveitou o momento também para deixar sua fala pedindo não à anistia e contra a PEC da Blindagem. “Nós não podemos tirar os olhos do Senado. Precisamos fazer com que eles engavetem essas duas medidas [urgência da anistia e a PEC) e avancem nas pautas do povo que é o fim da escala 6 x 1. O povo quer moradia, dignidade e alimento em casa. Não vamos tirar o pé da rua”, disse Chico.
No encerramento do ato, o cantor Djonga chegou ao ato para realizar um show, mas antes de inicia-lo, deixou também sua manifestação.
“Quem manda nessa porra é a gente. Para os caras saberem que manda nessa parada é a gente, nós temos que fazer isso mais. Nós temos que ter a nossa disposição, tá ligado? É correr atrás das nossas paradas e objetivos, politicamente e socialmente falando. Só assim que a gente vai mudar”, falou Djonga.
“Os caras que teoricamente deveriam representar a gente, estão preocupados com o crime que provavelmente eles vão cometer e não querem pagar por isso. As injustiças não estão rolando só agora. Talvez isso seja um estopim por causa de todo momento que a gente está passando, os caras caçando anistia. Anistia é o caralho, tá ligado”, acrescentou o cantor.






























