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O corpo de Karliane Vitória, 21 anos, assassinada com um tiro nas costas em Taguatinga Sul na última terça-feira (4/12) será velado em Porto Velho (RO), neste domingo (9/12). Segundo testemunhas, a mulher trans foi morta por um homem de bicicleta com um revolver calibre .22.

Uma testemunha viu o momento em que Karliane caminhava na Quadra 10 do Setor G Sul e era seguida pelo acusado do crime. Segundo a 21ª Delegacia de Polícia (Pistão Sul), o assassino estava de bicicleta e vestia uma jaqueta verde camuflada, semelhante a do Exército Brasileiro.

A dupla seguiu em direção a um quiosque, local onde é comum prostitutas fazerem programas com clientes. Pouco tempo depois, a mesma testemunha ouviu a vítima gritar por socorro e, em seguida, vários disparos foram feitos.

Assustada, a pessoa saiu correndo em direção contrária. Outras testemunhas visualizaram o suspeito fugindo para o local conhecido como “Favelinha”. De acordo com a perícia da Polícia Civil, a vítima foi atingida por disparo de arma de fogo na região das costas, perto da axila esquerda, que atravessou todo o tórax, saindo embaixo do peito direito.

Karliane Vitória se mudou para Brasília em 2016 e, de acordo com informações, fazia programa na região.

Local é recorrente
O assassinato ocorreu na mesma região onde, em janeiro do ano passado, Ágatha Lios, 23 anos, morreu tentando escapar da brutalidade de seus algozes. Ela foi esfaqueada dezenas de vezes dentro de uma central de distribuição dos Correios, próximo ao local onde costumava fazer ponto.

Registrada como Wilson Julio Suzuki Júnior, Ágatha foi executada a golpes de facão. Filmado pelas câmeras de segurança, o assassinato, segundo testemunhas, foi motivado por inveja, vingança e disputa por ponto de prostituição.

O assassinato investigado pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) acabou revelando a briga por pontos de prostituição que existe nas ruas do Setor de Indústrias de Taguatinga Sul.

As vias são comandadas por cafetões que cobram uma espécie de pedágio de quem quer se prostituir no local. Por dia, cada travesti desembolsa entre R$ 50 e R$ 100 para ocupar um ponto. Caso se recuse, pode sofrer retaliações de todo tipo, desde assaltos, passando por espancamentos, até assassinatos.