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Mulher que arrecadava dinheiro em acampamento no QG apaga posts de apoio a Bolsonaro

Ela fazia parte de grupo que liderava movimento em acampamento, convencia bolsonaristas a ficar no QG e arrecadava dinheiro diariamente

atualizado

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Reprodução/Instagram
Ana Paula Melo, líder de acampamento no QG
1 de 1 Ana Paula Melo, líder de acampamento no QG - Foto: Reprodução/Instagram

Uma das lideranças do acampamento bolsonarista em frente ao Quartel-General do Exército de Brasília, responsável pela arrecadação quase diária de dinheiro no local, apagou rastros das convocações para os atos. Ana Paula Melo fez uma “limpa” no Instagram, excluindo todas as postagens que vinha fazendo ao longo dos mais de 60 dias de manifestações.

Ela era peça-chave do ato no QG. Com microfone na mão e em cima de uma carreta com caixas de som, fazia parte do grupo que comandava as principais atividades, lia notícias falsas que davam esperança aos participantes por uma intervenção militar, chamava mais bolsonaristas para os atos e arrecadava dinheiro “para a estrutura” do acampamento.

Os posts tinham convocações e fake news, principalmente. Em novembro, o Metrópoles mostrou que Ana Paula caiu em uma piada e divulgou que um ministro dos Emirados Árabes Unidos chamado “Jallim Habbei” não iria reconhecer a vitória de Lula (PT) contra Jair Bolsonaro (PL). A exclusão das postagens veio logo após três eventos que ruíram o movimento.

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O primeiro evento surgiu no dia da posse do petista, quando os apoiadores de Bolsonaro já estavam há mais de dois meses em frente ao QG e não tinham conseguido qualquer interferência no resultado das urnas. Irritados, alguns manifestantes discutiram com as lideranças do movimento por conta de um novo pedido de dinheiro para manter a estrutura.

“Covarde, só quer saber de Pix”, disse um participantes. A ofensa foi dirigida a um homem que se intitulava major Cláudio Santa Cruz, que fez parte do grupo de Ana Paula Melo na liderança do ato. Incomodado, ele rebateu. “É muito simples: quando eu sair daqui, vocês quebram minha cara”.

As brigas se intensificaram a cada dia. Além do pedido de dinheiro, outra ação dos organizadores que também incomodava os “patriotas” era a ordem constante de se manter no QG, mesmo quando havia a promessa de que Bolsonaro falaria com apoiadores no Palácio do Alvorada ou quando outras manifestações, em pontos distintos de Brasília, eram marcadas.

O segundo evento chave para o fim do acampamento e a exclusão das postagens dos líderes foi a prisão de bolsonaristas que participaram do 8 de janeiro. No dia, milhares de manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes, quebraram patrimônios públicos históricos, agrediram forças de segurança e promoveram um caos com o intuito de provocar uma intervenção militar.

Prisões

Segundo a última lista divulgada pela Secretaria de Administração Penitenciária do DF (Seape), 1.382 pessoas foram presas por participação nos atos antidemocráticos. Grande parte delas estava presente no terceiro movimento que deu fim ao acampamento: a desmobilização de 9 de janeiro. Um dia após os crimes em Brasília, cumprindo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Militar e o Exército Brasileiro acabaram com a estrutura montada em frente ao Quartel-General em Brasília.

Porém, enquanto a PM e o Exército Brasileiro desmobilizavam a concentração de bolsonaristas, alguns grupos conseguiram deixar a região por outros locais. Outras pessoas já haviam abandonado o local entre a noite do dia 8 e a manhã do dia 9.

Liderança

Ana Paula agora se apresenta nas redes somente como diretora de vendas de uma empresa de cosméticos. No Instagram, que chegou a divulgar pelo microfone no QG, apagou todas as publicações bolsonaristas do feed feitas após o dia 23 de novembro. Entre aquela data e o dia 10 de janeiro, não há nenhuma postagem.

A reportagem entrou em contato com ela via redes sociais, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

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