MPDFT encontra erro em divulgação nos leitos de UTI e pede correção
Após vistorias em dois hospitais, foram identificadas divergências em dados divulgados pelo GDF e a realidade. Unidades estavam desativadas

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) encontrou divergências entre o número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com Covid-19, divulgados pelo no site da Sala de Situação do Governo do Distrito Federal (GDF) e a realidade.
Após a realização de vistorias no Hospital Regional de Santa Maria e no Hospital de Base, a força-tarefa do Ministério Público apontou que leitos dados como ativos estavam inativos, não havia profissionais para atuar e os números de disponibilidades para internação eram diferentes no site e na prática.
Equipes do MPDFT estiveram no Hospital em Base, em 4 de junho, e verificaram 45 leitos de UTI ativos com assistência ventilatória. Outros 20 se encontravam inativos e com equipamentos hospitalares alugados pelo Iges-DF junto ao Hospital Maria Auxiliadora. O que chamou a atenção da equipe foi que, mesmo com pagamento de aluguel diário, os equipamentos não estão em pleno funcionamento.

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Ver todasAlém disso, na data da vistoria, havia 25 pacientes internados nos leitos reservados para Covid-19, porém, no site da Sala de Situação SES consultado no mesmo dia, constavam apenas 16 internações. Outra discrepância verificada pelo MPDFT foi a informação de 65 leitos disponíveis, sendo que 20 não estavam em condições para receber pacientes.
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O Hospital de Santa Maria foi visitado em 3 de junho. Dos 50 leitos de UTI existentes, 47 estavam prontos para o recebimento de pacientes, mas três se encontravam desativados.
No entanto, segundo o MPDFT, informações enviadas por ofício pela Secretaria de Saúde notificaram, nesta segunda-feira (08/06) sobre outros 12 leitos bloqueados por falta de técnicos de enfermagem naquele hospital.
Mais problemas foram verificados, como o fato de a médica rotineira da UTI no momento da visita não ter especialidade em terapia intensiva. A equipe assistencial da UTI do 1º andar, que é gerida pela empresa Domed, usava sistema eletrônico próprio para registro das informações clínicas, o que impossibilita o acesso desses dados pelos demais profissionais do hospital, gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), além de dificultar a construção de boletins epidemiológicos.
Também foram apontadas necessidades relacionadas a recursos humanos para viabilizar a capacidade total de atendimento na unidade e problemas na regulação dos leitos.
Pedido de explicações
Diante dos problemas encontrados e relatados, a força-tarefa do MPDFT que acompanha as ações de combate à pandemia de Covid-19 no Distrito Federal expediu recomendação para que as informações sobre os leitos reservados para pacientes no site da Sala de Situação sejam corrigidas. O documento foi remetido à Secretaria de Saúde (SES) e ao Iges na quarta-feira (10/06).
Os promotores de Justiça alertam para a distorção nos dados publicados pelo governo local. “Não se pode admitir que os dados sobre disponibilidade de leitos de UTI divulgados à sociedade não reflitam a realidade observada nos hospitais. Esses dados, entre outros aspectos, orientam o planejamento da rede de saúde e de outras áreas que confiam nessa informação para programar a retomada das atividades”, destacaram.
Recomendação
Em relação aos 50 leitos de UTI geridos pela empresa Domed no Hospital Regional de Santa Maria e aos 20 leitos de UTI geridos pela empresa OATI no Hospital de Base, o Ministério Público recomendou que a evolução dos pacientes atendidos pelos profissionais das duas empresas seja registrada no sistema Trakcare, que mantém dados de toda a rede de saúde pública do distrito Federal.
Após o MPDFT flagrar médica responsável sem habilitação para atuar na área, as empresas devem informar sobre a titulação do responsável técnico e dos médicos das UTIs. Também devem verificar a habilitação técnica de todos os profissionais que prestam serviços nessas unidades de saúde.
Aos gestores da SES e do Iges-DF foi solicitado que encaminhem ao MPDFT o relatório de entrega de equipamentos e ativação de leitos, além da atualização quinzenal dos serviços prestados por cada empresa.
Eles também devem prestar esclarecimentos sobre o que foi previsto no contrato, mas não vem sendo disponibilizado pela empresa, e sobre o número insuficiente de profissionais. Também foi recomendado o controle semanal de fármacos para anestesia e sedação prolongada em terapia intensiva, para que não motivem o bloqueio de leitos.
O outro lado
O Iges-DF afirmou que vem fazendo reuniões semanais com a força-tarefa do MPDFT para “alinhar as informações e procedimentos a serem realizados a fim de atender as demandas do atual cenário”. Em nota enviada à reportagem, o órgão garantiu ter recebido as recomendações – e destacou que são “ajustes pontuais” – e vem promovendo ações, como “melhor tempo de resposta na evolução do paciente, integração dos profissionais contratados com ferramentas de prontuário da Secretaria de Estado de Saúde e atualização, em tempo real, sobre os leitos disponíveis”.
“Todos os itens da recomendação serão adequados”, diz o comunicado, ressaltando que, “em conjunto com a SES, não tem medido esforços para disponibilizar leitos de combate à Covid-19 e prestar um atendimento adequado, humanizado e qualificado para a população”.













