“Morreu ajudando as pessoas”, diz tia de jovem esfaqueado no DF

O sepultamento do universitário Rodrigo Souza Borges, assassinado após um assalto em Águas Claras, ocorreu na tarde deste sábado

Myke Sena/Especial para o MetrópolesMyke Sena/Especial para o Metrópoles

atualizado 19/10/2019 17:48

Familiares e amigos se despediram de Rodrigo Souza Borges, 25 anos, na tarde deste sábado (19/10/2019), no cemitério Campo da Esperança (Asa Sul). O estudante de educação física foi morto após um assalto a farmácia, em Águas Claras, na noite da última quinta-feira (17/10/2019).

“Era um menino do coração incrível, que morreu ajudando as pessoas, sendo habilidoso. Ele era totalmente emoção, humilde e solidário. Vai fazer muita falta. Era amável demais com todos e me ensinava a compartilhar”, disse Vanessa Cappel, 38, tia de Rodrigo.

A tristeza tomou conta de quem compareceu ao velório, realizado na capela de número 6 do cemitério. “Ele era a melhor pessoa que já conheci. A marca que vai ficar dele é a alegria”, diz Pedro Henrique, 22 anos, amigo e vizinho da vítima. Emocionado, ele ressalta que era da personalidade de Rodrigo tentar ajudar o próximo. “Ele nem pensou na própria segurança. Ele era bom demais.”

Pai de uma menina de 2 anos, Rodrigo morreu esfaqueado ao tentar conter Joelton Alves da Silva, 37, acusado de assaltar uma farmácia na Avenida Boulevard norte, em Águas Claras. O suspeito levava a quantia de R$ 147, fruto do roubo, quando um dos funcionários da drogaria gritou: “Pega ladrão!”. Em seguida, populares começaram a perseguir o suspeito.

De acordo com testemunhas, no meio da confusão, Rodrigo teria escorregado e caído para trás ao dar um chute em Joelton. Nesse momento, o autor do crime esfaqueou o estudante duas vezes, causando ferimentos graves. O universitário foi levado ao hospital e chegou a passar por cirurgias, mas não resistiu e faleceu, por volta das 3h do dia seguinte.

Forças

A mãe e a avó de Rodrigo juntam forças para superar a dor e a saudade. “Eu esperava ele todas as noites. Agora, não vai mais voltar”, desabafou Maria Vanda, 68, avó com quem o rapaz morava. As duas descreveram o estudante de educação física como um menino alegre, cheio de amigos, que sonhava em dar aulas para crianças autistas. “Nenhuma mãe deve enterrar um filho. Não desejo isso a ninguém”, disse Vaneide Maria, 46.

Imagens do circuito interno da drogaria mostram o momento em que Joelton se passa por cliente para roubar o estabelecimento. Ele levou R$ 147 e, quando saía, um dos funcionários da farmácia gritou: “Pega ladrão!”. Em seguida, populares começaram a perseguir o acusado. O homem foi espancado e esfaqueou dois jovens. Rodrigo chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu.

Antes de roubar, o homem conferiu se não havia movimento na Drogaria Pacheco localizada na Avenida Boulevard Norte. Ele simulou uma compra e pediu para passar o valor no cartão, que foi recusado. Depois, exigiu que o funcionário colocasse todo dinheiro do caixa na mesa. O assaltante fez um movimento com a mão na blusa, indicando que estaria armado.

 

Após o alerta de “pega ladrão”, vários entregadores de aplicativo e outros populares que estavam na rua começaram a perseguir Joelton.

Daniel Sampaio Pinho, 28, trabalhava no food truck Miquéias, entre as ruas 17 e 18 Norte, quando o assaltante passou correndo com uma arma branca. Testemunhas relataram ter visto duas facas na mão de Joelton, mas a polícia encontrou apenas uma. O acusado teria desferido golpes em Daniel, que ficou ferido e foi levado ao hospital, mas já está fora de perigo.

 

Rodrigo era entregador de comida por meio de aplicativo e estudava educação física na Uniplan de Águas Claras. Inclusive, uma camiseta preta com o nome do curso ficou caída no local onde ocorreu o assassinato. Já o suspeito, segundo consta na ocorrência policial, trabalhava como auxiliar de serviços gerais na mesma faculdade particular.

Agonizou

Aline Brandão, 39, presenciou o socorro a Rodrigo. Ela diz ter ficado iluminando o rapaz com a lanterna do celular, para que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) fizesse os primeiros atendimentos. “Ele falava: ‘Não consigo respirar’. E a gente dizia: ‘Não dorme, não dorme’, tentando mantê-lo acordado. Ele agonizou”, conta.

A confusão ocorreu por volta das 23h. A Polícia Militar foi acionada por testemunhas que viram o bandido assaltar o estabelecimento e ser imobilizado por populares que passavam pelo local. Tão logo chegaram ao endereço, os militares tomaram conhecimento de que o suspeito estava com uma faca e teria ferido duas pessoas que tentaram impedir sua fuga.

Após ser espancado, Joelton foi preso e levado ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Ele vai responder por roubo, homicídio qualificado e outra tentativa de homicídio.

Vídeos que circulam pelas redes sociais mostram populares agredindo o suspeito, em local próximo à Rua 17. O assalto ocorreu perto dali. No momento, havia quatro funcionários e nenhum cliente na farmácia.