Morre no DF o economista Djalma Bezerra Mello, referência na Amazônia
Radicado em Brasília, o economista de 88 anos atuou no Pará desenvolvendo as pautas da Amazônia; o velório será no sábado
atualizado
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Referência no desenvolvimento da Amazônia, o economista amazonense radicado em Brasília Djalma Bezerra Mello morreu, na noite de quinta-feira (19/3), aos 88 anos. Ele deixa a mulher Carmelita Mello, três filhos – Viviane, Victor e Luiza – e quatro netos. O velório será no sábado (20), às 9h, na capela 1 do cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. O corpo será cremado.
Mello ficou conhecido pela atuação de mais de cinco décadas no desenvolvimento regional da Amazônia, integrando diversos órgãos importantes do estado do Pará e criando políticas públicas. Foi eleito pelo Conselho Regional de Economia do Amazonas e Roraima Economista do Ano em 2004.
“Ele não era de aparecer, não buscava holofote e não cultivava protagonismo público. O que ele cultivava eram resultados. E os resultados que produziu mudaram a vida de milhões de pessoas”, definiu a filha Luiza Mello.
A família destaca que “a Amazônia que Djalma ajudou a construir continua de pé”. “E isso é o maior elogio que se pode fazer a um economista que dedicou a vida a uma região que o resto do país prefere admirar de longe”.
“Cedo entendeu que o grande desafio da Amazônia não era atrair atenção — era atrair investimento que ficasse, que gerasse emprego, que criasse raízes. Esse problema o acompanhou pela vida inteira. Para ele cada posto de trabalho era uma família, que passou a ter renda. Cada projeto aprovado era uma fábrica, uma estrada, uma escola, um sistema de saneamento que passou a existir onde antes não havia nada”, destacou o genro Eduardo Bessa.
Trajetória profissional
Djalma Bezerro Mello foi o autor da Política de Desenvolvimento Industrial da Amazônia Legal (Pdial), a primeira política industrial específica para a região, e das Rotas de Integração para incentivar cadeias produtivas do cacau, em Altamira, e do açaí, no Baixo Tocantins, Marajó e Castanhal.
Também levou o programa Águas Para Todos para a região, além de ter lançado o programa Mulheres na Construção Civil, capacitando mulheres em situação de vulnerabilidade.
Atuou, ao longo da vida, como consultor de empresas nacionais e multinacionais.
Também integrou os quadros da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e da Comissão de Desenvolvimento Econômico do Estado do Amazonas, onde participou da consolidação do modelo econômico da Zona Franca de Manaus.
Esteve na Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), onde foi responsável pela reconstrução da credibilidade do órgão que havia passado por escândalos de corrupção nos anos 2001, ampliando os incentivos fiscais da organização.
A família reforçou o orgulho pela trajetória profissional: “Os programas que ele criou continuam funcionando. Os empregos que ele ajudou a gerar continuam sustentando famílias. As rotas que ele abriu continuam levando renda a comunidades que, antes dele, não existiam no mapa econômico do Brasil. A Zona Franca que ele ajudou a construir continua sendo o único polo industrial do mundo que coexiste com a floresta em pé”.
