Moradores voltam a prédio evacuado no DF para pegar documentos

Residentes foram liberados, nesta quarta-feira (12/02/2020), para subir aos apartamentos e pegar apenas papéis e roupas

Michael Melo/Metrópoles

atualizado 12/02/2020 19:30

Moradores do prédio da QNN 11 de Ceilândia que corre risco de desabar foram liberados. nesta quarta-feira (12/02/2020). para subir aos apartamentos e pegar apenas documentos e mudas de roupas que ficaram para trás. Foi a primeira vez que houve liberação para isso, após a Defesa Civil pedir aos residentes que evacuassem o edifício.

Ainda nesta quarta, uma empresa de engenharia continuava no local trabalhando na estabilização do prédio. Segundo a subsíndica, Luana Carvalho, os proprietários dos apartamentos tiveram apenas 15 minutos para pegar os pertences pessoais.

“Foram liberadas duas pessoas por vez pela equipe de engenharia que está lá. Estamos vendo se será possível retirar os móveis das unidades neste sábado [15/02/2020]”, explicou Luana.

Não há previsão sobre quando os moradores poderão voltar às residências, de acordo com a subsíndica. O prédio residencial foi evacuado na segunda-feira (10/02/2020). O edifício não estava regularizado.

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Escoramento

Segundo a Defesa Civil, que esteve no local, a construção não foi ao chão graças a um escoramento. Segundo o tenente-coronel Sinfrônio Lopes, o órgão recebeu uma denúncia anônima apontando problemas no prédio há cerca de três meses.

“Constatei problemas de instalação elétrica, sistema de combate a incêndio, parte hidráulica. É um prédio que nunca sofreu manutenção séria. Há muita coisa que, na minha opinião, é erro construtivo”, destacou.

O residencial de seis andares tem 72 apartamentos, divididos em três blocos. Do total, 48 eram habitados. Construído há pelo menos 25 anos, abrigava cerca de 300 pessoas.

Após receber a denúncia e constatar os problemas estruturais, a Defesa Civil deu o prazo de 10 dias para que um engenheiro fizesse o escoramento mínimo necessário a fim de manter a estrutura livre de riscos.

Na segunda-feira, porém, o profissional verificou que um dos pilares estava mais desgastado do que outros e, por isso, acionou o órgão novamente.

“Ele notou que o pilar estalou, e nos chamou. Chegando aqui, vimos que já são mais de 30 pilares com problema de corrosão de armadura”, frisou Sinfrônio Lopes.

Habite-se

Além de não ter o Habite-se, autorização para utilização efetiva de edificações destinadas à habitação, o condomínio apresenta grande taxa de inadimplência, segundo o tenente-coronel Lopes. “Então, a síndica não tem como investir ou recuperar a estrutura do próprio prédio”, pontuou.

A Síndica, Joselita Gomes da Silva, 65 anos, mora desde 2017 no prédio e é a responsável por administrar o condomínio há nove meses. Segundo afirma, desde que soube dos problemas na estrutura, realizou uma assembleia para informar aos moradores.

“Avisei os condôminos e, no dia, um engenheiro civil fez a assembleia comigo e explicou”, salienta. Joselita garante que todos sabiam da obra. “Eu tenho como provar tudo o que fiz. Só que eu recebi um prédio que já vem sofrendo desde 2012. Com 27 anos, nunca foi feita uma reforma.”

Sobre a interdição do local, a síndica lamentou a retirada dos moradores do edifício. “Não é fácil, porque eu tenho para onde ir e muitos aqui não têm”, salientou.

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