Metade dos adolescentes do DF já experimentou narguilé, diz estudo

Tão prejudicial à saúde quanto os cigarros convencionais, o narguilé também é proibido para menores de 18 anos

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Roteiro Narguilé, Espaço Contém. Brasília(DF), 29/08/2018
1 de 1 Roteiro Narguilé, Espaço Contém. Brasília(DF), 29/08/2018 - Foto: Igo Estrela/Metrópoles

De acordo com dados disponibilizados na edição de 2021 do informe epidemiológico do Programa de Controle do Tabagismo, da Secretaria de Saúde, o narguilé foi usado pelo menos uma vez por 50,6% dos adolescentes de 13 a 17 anos do Distrito Federal. Tão prejudicial à saúde quanto os cigarros convencionais, o narguilé também é proibido para menores de 18 anos

De acordo com Márcia Vieira, gerente de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde da Secretaria de Saúde, os jovens utilizam o produto para “estar na moda”. “Eles estão preocupando na mesma proporção. É a questão do modismo. O dispositivo eletrônico tem gosto e tem aroma”, afirma a gerente.

O informe epidemiológico ressalta que os dispositivos eletrônicos são utilizados majoritariamente por jovens, inclusive os que nunca fumaram cigarros industrializados.

Para Francimery Alves Bastos, servidora da Policlínica de Taguatinga que atua nas campanhas de prevenção ao tabagismo, este aspecto é o que mais preocupa. “Dificilmente, a gente recebe uma pessoa que começa a fumar depois dos 20 anos. A pessoa carrega esse hábito desde que era criança ou adolescente”, explica.

O estudo mostra que cerca de 12% dos moradores do Distrito Federal acima dos 18 anos são fumantes.

Tratamento gratuito contra o tabagismo

Atualmente, 56 unidades da Secretaria de Saúde atuam no tratamento do tabagismo com profissionais especializados, tais como: assistentes sociais, nutricionistas, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, médicos, entre outros.

A porta de entrada para buscar o tratamento é a Unidade Básica de Saúde. Os pacientes devem ir por conta própria ou encaminhados, e participar de grupos terapêuticos e atendimentos individuais. Também recebem medicação indicada, além de adesivos para a reposição da nicotina durante o período de interrupção.

Segundo a assistente social Francimery, o desafio é a motivação, e o envolvimento de amigos e da família, fundamental no processo. “O tabagismo é uma doença que faz a pessoa se iludir, porque tem um prazer imediato”, alerta Francimery. “A pessoa nem sabe que é uma doença”, ressalta.

De acordo com o informe epidemiológico, o índice de sucesso entre os pacientes que estavam sem fumar na quarta sessão do tratamento é de 34%. O resultado se manteve semelhante, mesmo com a redução de atendimentos na quarentena.

Pandemia

Durante a pandemia da Covid-19, muitas pessoas deixaram de pedir ajuda para parar de fumar. De 2.598 atendimentos registrados em 2019, o número caiu para 757, em 2020. A expectativa agora é de que a retomada da vida normal motive as pessoas a buscarem tratamento, inclusive adolescentes. “Esse assunto tem de ser tratado na escola”, destaca a enfermeira Márcia Vieira.

O Programa Saber Saúde, realizado em parceria com a Secretaria de Educação, leva informações aos mais jovens, em rodas de conversas e com material didático específico. Este tipo de atividade ficou suspensa com a pandemia.

Com informações da Agência Brasília

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