Mãe que encontrou filho desaparecido há 15 anos no DF: “Vivendo um milagre”

Ozéas Lima Oliveira sumiu em 29 de agosto de 2005. Ele foi encontrado pelos familiares em um hospital psiquiátrico de Itaquaquecetuba (SP)

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
Helena e o filho
1 de 1 Helena e o filho - Foto: Material cedido ao Metrópoles

“Você acredita em milagre? Eu estou vivendo um.” O desabafo emocionado é de uma mãe que passou 15 anos de sua vida em busca do paradeiro de Ozéas Lima de Oliveira, 42 anos, desaparecido desde agosto de 2005. Helena de Sousa Oliveira, enfim, recebeu a notícia que há tanto tempo esperava ouvir: seu filho foi encontrado.

Em 29 de agosto de 2005, Ozéas colocou uma mochila nas costas e tomou rumo desconhecido pela família até a última sexta-feira (24/7), quando parentes, enfim, souberam de seu paradeiro. O homem foi encontrado em um hospital psiquiátrico de Itaquaquecetuba (SP).

Segundo Helena, o motivo que levou o rapaz ao município ainda é desconhecido. A família sabe, apenas, que Ozéas deu entrada no hospital em surto psicótico e recebeu o diagnóstico de esquizofrenia. A notícia foi dada aos familiares pela assistente social da unidade após resultado de exames de DNA.

“Eu estava nas últimas esperanças, já imaginava que não veria mais meu filho. De repente, recebo essa notícia. Ele não poderia estar em lugar melhor. Fiquei em choque, o corpo tremia quando ouvi a informação”, disse.

Ozéas está sendo tratado no hospital. “Ele ainda está em recuperação. Nega que tenha familiares e diz que somos impostores. Mas o médico diz que essa ideia de perseguição é um dos sintomas”, relata Helena.

Os profissionais que cuidam do tratamento do rapaz pediram 15 dias para que a família possa reencontrá-lo. “O médico disse que não devo perder as esperanças de o meu filho se recuperar, que ele ainda pode conviver conosco. Estamos no aguardo de sua recuperação para irmos até lá”, comenta a mãe de Ozéas.

Drama

Desde a data de seu desaparecimento, Helena nunca perdeu as esperanças de reencontrar o filho. O Metrópoles contou a história da família com exclusividade em 13 de maio de 2018.

Ozéas apresentou os primeiros surtos após o falecimento de seu pai, em 1999. Naquele ano, a família do rapaz morava no Maranhão e Ozéas vivia na capital da República, onde cursava o último ano de relações internacionais na Universidade de Brasília (UnB).

Conforme conta Helena, com a morte do marido, o jovem apresentou aos poucos comportamentos que não condiziam com a personalidade do rapaz, considerado “inteligente, responsável e ativo”. “Ele começou a se alimentar mal e a caminhar 18 km todos os dias. Estava magro e desmotivado. Não parecia com meu filho”, lembra.

Como consequência da repentina mudança de comportamento, Ozéas perdeu o estágio que fazia e largou o curso na UnB. Segundo justificativa dada por ele à mãe, a graduação não seria capaz de lhe garantir estabilidade financeira. No período, o jovem chegou a fazer outra faculdade. Ele foi aprovado no vestibular para ciências contábeis, mas acabou desistindo.

Esquizofrenia

Preocupada com o filho, Helena decidiu se mudar para a capital e acompanhá-lo de perto. Levou o rapaz a psiquiatras, médicos e a “quem mais pudesse ajudar”.

Os especialistas o diagnosticaram com esquizofrenia, mas o jovem se recusava a fazer uso dos medicamentos prescritos. “Ele nunca aceitou tomar os remédios. Me dizia que não queria virar um ‘vegetal’”, relata Helena. “Eu colocava homeopáticos na água para fazê-lo dormir.”

Com o tempo, Ozéas passou a desconfiar da mãe e parou de tomar a água oferecida por ela. “Ele deve ter desconfiado que eu estava colocando o remédio diluído na água e passou a comprar apenas as de garrafas. Começou a ficar paranoico.”

De acordo com Helena, episódios envolvendo mania de perseguição eram quase diários. Em uma das crises, ele colou as persianas que cobriam a janela do apartamento, pois suspeitava estar sendo observado pela vizinha.

Carta de despedida

Em 2005, Ozéas decidiu ir embora. Deixou uma carta, fez as malas e avisou a mãe. Ao ser questionado sobre o motivo da decisão, o rapaz respondeu que estava “indo cuidar da vida dele”.

Conforme ressaltou na mensagem de despedida (veja abaixo), ele não pretendia voltar a morar com a família, apesar da gratidão por tudo que viveram. Pediu para não interferirem na vida dele e que não o procurassem. Mas ficaria bem, pois viveria “da melhor maneira”. Por fim, antes de assinar o documento, ele deseja “toda paz, saúde e felicidade”.
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Antes de assinar o documento, ele deseja “toda paz, saúde e felicidade de que precisam"
Na mensagem de despedida, ele ressalta que não pretendia voltar a morar com a família, apesar da gratidão por tudo vivido com eles
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Na mensagem de despedida, ele ressalta que não pretendia voltar a morar com a família, apesar da gratidão por tudo vivido com eles

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Antes de assinar o documento, ele deseja “toda paz, saúde e felicidade de que precisam"
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Antes de assinar o documento, ele deseja “toda paz, saúde e felicidade de que precisam"

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A mãe tentou demovê-lo da ideia, mas não conseguiu. O rapaz partiu com uma mochila nas costas e um saco de dormir. Segundo suspeita Helena, a fuga foi planejada com antecedência. Para ela, Ozéas teria contado com a ajuda de alguém. “Ele apagou os dados e as fotos dele do computador e levou todos os documentos. Não foi uma decisão de um dia para o outro, tenho certeza disso”, lamenta a mulher.

Sem informações do paradeiro do filho, Helena registrou o desparecimento ainda em 2005.

 
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Na hora da apreensão, ele portava todos os documentos pessoais e vestia uma camisa vermelha e calças rasgadas
Cartaz de desaparecido distribuído no Paraná
A mãe suspeita que ele tenha ido para Curitiba
Ozéas no momento em que foi levado para a delegacia
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Ozéas no momento em que foi levado para a delegacia

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Na hora da apreensão, ele portava todos os documentos pessoais e vestia uma camisa vermelha e calças rasgadas
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Na hora da apreensão, ele portava todos os documentos pessoais e vestia uma camisa vermelha e calças rasgadas

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Cartaz de desaparecido distribuído no Paraná
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A mãe suspeita que ele tenha ido para Curitiba
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A mãe suspeita que ele tenha ido para Curitiba

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