Mãe denuncia que teve gêmeas, mas só recebeu um bebê. PCDF investiga

Caso teria ocorrido no Hospital das Forças Armadas, há 23 anos. Segundo Carla Patrícia, apenas Jéssica (foto de destaque) lhe foi entregue

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atualizado 20/09/2019 17:51

A 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro) apura denúncia de suposto desaparecimento de uma recém-nascida, em 1996, do Hospital das Forças Armadas (HFA). O caso voltou à tona esta semana, em função da notícia de que uma mulher que estaria grávida de gêmeos, em Goiás, teria recebido apenas uma das crianças após o parto. Depois de tomar conhecimento do fato, a gestora de negócios Carla Patrícia Furtado, 48 anos, decidiu procurar novamente a polícia de Brasília. De acordo com a moradora da capital da República, uma das filhas gêmeas foi tirada dela logo após o parto. Desde então, ela nunca parou de procurar a menina.

“Dei entrada no hospital em 16 de fevereiro de 1996 para o parto das gêmeas Jéssica (foto de destaque) e Natália. No dia, recebi a anestesia e, quando acordei, me deram só uma bebê. Perguntei sobre a outra e me disseram que foi um erro de diagnóstico, que era só uma filha mesmo. Todos os meus exames mostraram que eram gêmeas. No pré-natal, ouviam o coração das duas crianças sempre”, relatou Patrícia ao Metrópoles. Enfatizou, inclusive, que todas as ecografias foram entregues à equipe médica que fez a cesariana, mas tais documentos teriam desaparecido do HFA.

A gestora pontuou ainda que, após o parto, passou mal e ficou dois dias sem poder ver as crianças. “Minha mãe foi me visitar e uma enfermeira mostrou duas crianças. Ela até comentou comigo que eram lindas”. Mas, pouco depois, o hospital informou que seria apenas uma menina.

De acordo com Patrícia, depois de receber alta, a enfermeira Maria Rodrigues da Silva, que trabalhava no hospital à época, a teria reconhecido no ônibus e dito ter visto que eram gêmeas. “Ela me aconselhou a ir atrás do hospital. Ela era a minha única testemunha, mas faleceu naquele mesmo ano”, informou.

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Na época, a gestora chegou a registrar ocorrência na própria delegacia, mas o caso teria sido arquivado. Agora, os investigadores irão pedir à Justiça Militar o envio do processo para checar se há crimes comuns que fogem à esfera militar para ser investigado. “Vamos aguardar esse processo para saber se há o que investigar ou se o processo já foi finalizado pela Justiça Militar”, explicou a delegada-chefe da 3ª DP, Cláudia Alcântara.

Patrícia recebeu uma informação anônima de que sua outra filha, que se chamaria Natália, estaria no Rio de Janeiro e teria sido dada a um general que teve uma filha natimorta. Ela chegou a ir à capital fluminense e só descobriu que a informação era falsa quando chegou lá e procurou o denunciante para intermediar o contato para que pudesse fazer o DNA.

“Além de todos os exames terem mostrado dois bebês, de os exames de pré-natal terem ouvido dois corações, isso é coisa que mãe sente. Eu tenho certeza de que eram duas. Ainda me lembro dos pezinhos se mexendo dentro da minha barriga, cada uma de um lado”, lembra a mulher.

A história chegou a ser noticiada na época, mas caiu no esquecimento. Após o caso de Goiás, a nora de Patrícia, publicou uma postagem nas redes sociais chamando a atenção para a história.

“Em 1996, minha sogra, Patricia Furtado, recebeu a notícia de que seria mãe de duas meninas, depois de várias ultrassonografias, ela se preparou para receber a Jéssica e a Natália. Porém, no dia do nascimento, ao acordar, um médico informou que havia tido um erro nos exames e que havia nascido apenas uma. Minha sogra ficou encucada, mas seria a palavra dela contra a do médico. Passados 6 meses, por acaso ela encontrou uma enfermeira no transporte público a qual se aproximou e reconheceu a bebê, perguntando também sobre a outra. Minha sogra explicou o erro de ultrassonografia, mas a enfermeira desmentiu dizendo que havia cuidado de ambas e que eram idênticas. Minha sogra correu no hospital e pediu toda a papelada, onde foram encontradas rasuras na documentação. Quem rasurou isso, certamente forjou toda documentação, pois era gente do hospital mesmo. Meses depois, a única testemunha (enfermeira) faleceu, não se sabe do que. Ou seja, não havia mais testemunha.
A denúncia foi feita, foi pro s.o.s criança com a foto da Jéssica, visto que se tratava de gêmeas idênticas segundo a testemunha falecida, mas nunca, nunca mesmo encontramos. Na esperança de ainda tentarmos encontrá-la, resolvi recorrer por aqui”.

Sindicância

Em nota enviada ao Metrópoles, o Hospital das Forças Armadas informou ter conhecimento do caso ocorrido há mais de 20 anos. “Na época, foram abertos uma sindicância e um Inquérito Policial Militar nos quais foram ouvidos todos os integrantes da equipe médica que presenciaram o parto da Sra. Carla e atestaram o nascimento de apenas uma criança”.

O texto informa, ainda, que “a prova testemunhal revelou que a paciente estava consciente e tomou conhecimento do fato ainda no centro cirúrgico. Especialistas na área de obstetrícia confirmaram ser possível a emissão de pareceres equivocados em exames de imagem pré-natal”.

“Face ao exposto, o Ministério Público do Distrito Federal solicitou o arquivamento do inquérito enviado pela Justiça Militar que foi deferido por sentença transitada em julgado no Juízo de Direito da Vara Criminal de Brasília”, diz trecho do comunicado.

Carla Patrícia afirma que nunca foi ouvida nos processos.

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