Mãe denuncia que ex impede filhos de voltarem para casa há 4 meses
Uma advogada está há 4 meses sem ver os filhos mesmo tendo a guarda unilateral. As crianças moram com a mãe desde 2023

Uma mãe denuncia que está há 4 meses sem ver os filhos mesmo tendo a guarda unilateral das crianças — que têm 4, 9 e 10 anos. As crianças moram com a mãe na Paraíba desde 2023, ano em que ela se separou após um casamento de 11 anos. No final do ano passados, eles vieram a Brasília visitar o pai e não voltaram. A mãe diz que o pai está impedindo o retorno dos filhos. O homem, que é um médico cirurgião, foi condenado por violência doméstica em 2023.
“Um pesadelo que nenhuma mãe deveria passar”, é como a advogada descreve a situação.
Impedida de ver os filhos
Nas férias escolares no final de 2026, os filhos — como de costume — vieram visitar o pai em Brasília, porém estão desde o dia 12 de dezembro sem ver a mãe. As crianças foram, inclusive, matriculadas em uma escola do Distrito Federal.
A mulher então então entrou na justiça pedindo o cumprimento da sentença de guarda onde o pai tem o direito de visita e que após o período deve retornar os filhos à mãe, o que segundo ela não foi respeitado. A juíza da 3ª vara de família da Paraíba expediu um mandado de busca e apreensão de menores para que a mãe pudesse levar os filhos de volta para a sua casa, na Paraíba. No entanto, ela não conseguiu cumprir a decisão judicial.
Na útlima segunda-feira (9/3), a mãe foi para a porta da escola buscar as crianças, mas segundo ela, a unidade de ensino avisou o pai, que acionou a polícia militar para ir até o colégio e retirar a mulher do local. Ela disse que se sentiu humilhada pois estava há 4 meses sem ver os filhos pessoalmente e tinha esperança de revê-los na saída da escola.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFO vídeo (veja acima) feito pela mãe dos meninos, mostra ela já fora da escola, sentada em uma calçada e conversando com um dos policiais que foram até o local. Indignada ela questiona a ação e diz ser um absurdo a forma como foi tratada. Segundo ela, na ocasião, as crianças foram rapidamente colocadas dentro de um carro enquanto o pai gritava a todo tempo para que ela fosse presa.
A advogada contou ao Metrópoles que está em sofrimento profundo pois chega a ficar dias sem ver os filhos e que a caçula, de apenas 4 anos, demonstra constantemente sentir falta da mãe, “nas videochamadas ela sempre pergunta quando eu irei buscá-lo e diz que está com muitas saudades de mim”, revelou.
“Chegar em casa e a casa estar toda arrumada e ficar aquele silêncio, dói tanto! É uma dor imensa. Que crime uma mãe comete ao querer ver os filhos?!”.
Condenação por violência doméstica
O vídeo (veja acima) gravado pela câmera de segurança da casa onde a família vivia em Brasília, em 2023, mostra uma discussão que após gritos, termina em agressão. O homem empurra a mulher contra a parede duas vezes diante de um dos filhos. Após sofrer uma queda, a criança corre até a mãe e a abraça. O caso gerou uma condenação do homem no Tribunal de Justiça do DF em 2023, ano que o casal se separou.
Guarda unilateral
No final do ano seguinte, a Justiça concedeu à mãe dos meninos a guarda unileteral das crianças. Ou seja, quando apenas um dos genitores tem responsabilidade legal sobre os filhos. Na decisão a qual o Metrópoles teve acesso, o juiz reconhece “que os filhos, desde a separação do casal, sempre estiveram sob sua companhia direta, cuidados diários, proteção emocional e rotina estruturada”, e que o pai poderia vê-los durante as férias, como acontecia todas as vezes, desde o divórcio.
“O juízo final avaliou todo o contexto fático e probatório e concluiu, de forma fundamentada, que a permanência das crianças com a mãe atendia melhor aos seus interesses.”
O documento ainda diz que o pai pode entrar com recurso para obter a guarda desde que apresente contraprovas signficativas e passíveis de revisão.
A mãe acredita que é o ex-companheiro está tentando atacá-la como forma de vingança pela condenação de violência doméstica. Ela também acredita que ele não devolveu os filhos pois não quer pagar a pensão alimentícia.
Violência psicológica
A atual companheira do pai, alegou que o casal possui um documento de medida protetiva contra a advogada, impedindo a visita aos filhos, justificando que ela estaria fazendo violência psicológica contra as crianças por elas preferirem morar com o pai, por isso ela não poderia ir a escola para vê-los e foi retirada.
O Metrópoles entrou em contato com o médico que informou que o processo ocorre em sigilo e preferiu não dar informações adicionais.
O nome dos envolvidos não será divulgado pelo Metrópoles para proteger a integridade das crianças.
