Mãe de jovem que planejava massacre ameaçou denunciá-lo à polícia

O adolescente contou a uma pessoa próxima que a mãe dele descobriu os vídeos gravados com os planos do massacre ao acessar seu celular

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
arma caseira (1)
1 de 1 arma caseira (1) - Foto: Material cedido ao Metrópoles

A mãe de um dos jovens de 17 anos que planejava executar um massacre em uma escola do Distrito Federal descobriu o conteúdo suspeito gravado pela dupla e ameaçou mostrar o material para a Polícia Civil (PCDF).

O Metrópoles teve acesso à conversa em que o adolescente conta a uma pessoa próxima que a mãe dele descobriu os vídeos com os preparativos para o massacre e cheios discursos de ódio ao acessar seu celular.

“Deu problema aqui, eu resolvi apagar o site porque minha mãe pediu para abrir uma coisa no meu celular e ela viu umas fitas minha e do Vodka [alcunha usada por um deles]”, narra o jovem (foto abaixo).

Após a mulher ter descoberto a trama, teria também aplicado um castigo, restringindo o acesso do adolescente ao celular.

Veja a conversa:

Mãe de jovem que planejava massacre ameaçou denunciá-lo à polícia - destaque galeria
7 imagens
Os jovens chamaram o plano de jogar bombas caseiras no centro de Brasília de "bomba anarquista com vodka"
Uma suástica nazista foi desenhada com poeira
Um sol negro, símbolo do movimento nazista, foi desenhado por eles em uma praça pública
Os jovens desenharam caricatura de Hitler
Armas caseiras foram fabricadas pelos adolescentes de 17 anos
O jovem contou que a sua mãe descobriu os planos ao acessar o seu celular
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O jovem contou que a sua mãe descobriu os planos ao acessar o seu celular

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Os jovens chamaram o plano de jogar bombas caseiras no centro de Brasília de "bomba anarquista com vodka"
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Os jovens chamaram o plano de jogar bombas caseiras no centro de Brasília de "bomba anarquista com vodka"

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Uma suástica nazista foi desenhada com poeira
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Uma suástica nazista foi desenhada com poeira

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Um sol negro, símbolo do movimento nazista, foi desenhado por eles em uma praça pública
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Um sol negro, símbolo do movimento nazista, foi desenhado por eles em uma praça pública

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Os jovens desenharam caricatura de Hitler
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Os jovens desenharam caricatura de Hitler

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Armas caseiras foram fabricadas pelos adolescentes de 17 anos
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Armas caseiras foram fabricadas pelos adolescentes de 17 anos

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O jovem usou a arma caseira no quintal de casa
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O jovem usou a arma caseira no quintal de casa

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Na última mensagem do print divulgado, o jovem confessa que a mãe teria dado uma bronca dizendo que iria entregar tudo para a polícia.

“Ela tentou botar medo em mim dizendo que ia mostrar pra polícia, mas ela não vai não porque quem seria presa é ela e não eu”, diz o adolescente.

Entenda o caso

  • Dois adolescentes de 17 anos que estudavam no segundo ano do ensino médio planejavam fazer um massacre em uma escola pública do Distrito Federal.
  • O plano dos dois menores de idade teria chegado à direção das escolas onde os alunos estudavam e encaminhado à Polícia Civil (PCDF).
  • A dupla propagava discursos de ódio contra mulheres, negros e gays, além de fazer apologia ao nazismo através de um site criado por eles.
  • Além de utilizar a plataforma para compartilhar todos os seus planos, os jovens utilizavam o aplicativo do TikTok  para impulsionar e fazer o marketing para aumentar o alcance do site. Algumas contas chegaram a ser banidas pela rede social por conter discurso de ódio.
  • Entre o fim de 2024 e junho de 2025, os jovens teriam gravado e publicado cerca de 10 fitas para narrar todo os preparativos antes do massacre marcado para o dia 20 de setembro, chamado por eles de “dia zero”. Os arquivos teriam sido apagados ainda em junho deste ano.
  • Uma menor de idade que mora na Argentina começou a ter contato com a dupla através de uma comunidade que compartilhava conteúdo de “true” crime, onde pessoas compartilham casos de crimes reais. Por não ter o português como a língua nativa, a jovem não entendia a gravidade das falas.
  • A adolescente argentina passou a compreender o idioma brasileiro após um tempo e ao rever os vídeos, passou a entender a gravidade daquilo que era falado por ambos. Depois de tomar conhecimento, ela conseguiu baixar o material criminoso antes da dupla apagar o site, junto todas as provas em documento e enviar para pessoas próximas dos jovens.
  • Nos vídeos feitos por eles, os estudantes do ensino médio aparecem manuseando as armas caseiras fabricadas por eles e descrevem os planos de abrir fogo contra pessoas na escola onde estudavam.
  • Policiais civis da Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCEV) detiveram um dos adolescentes suspeitos de planejar fazer um massacre em uma escola pública do Distrito Federal e cumpriram mandados de busca e apreensão.
  • Os planos dos adolescentes de 17 anos, que estão no 2º ano do ensino médio, foram divulgados em primeira mão pelo Metrópoles. A região administrativa e o endereço da escola não foram informados para não gerar pânico na população.
  • Os adolescentes de 17 anos que planejavam executar um massacre em uma escola nutriam ódio pelo presidente Lula e pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em mais de uma ocasião, os adolescentes ofenderam o chefe do Executivo e também os seus eleitores.
  • Em áudio obtido pelo Metrópoles, um dos estudantes do 2º ano do ensino médio enaltece discursos de Adolf Hitler e critica o presidente Lula ao imitá-lo de forma pejorativa e chamá-lo de “filho da puta”. Além disso, os jovens disseram que pretendiam jogar uma bomba no centro da cidade.

Fabricação de armas e explosivos

Os estudantes do ensino médio gravaram vídeos em que aparecem manuseando as armas caseiras fabricadas por eles e descrevem os planos de abrir fogo contra pessoas na escola onde estudavam.

O outro adolescente chega a falar que pensou em fazer o massacre no dia 20 de setembro, na data do aniversário de 18 anos do amigo. “Que tal fazermos no seu aniversário? O seu presente vai ser atirar em preto  e matar gente”, relata.

Ainda no mesmo vídeo, o  garoto revela planos de comprar armas. “A gente quer comprar armas no mercado negro, mas não sabemos ainda como entrar nesse meio”.

No mesmo vídeo, os dois seguem manuseando armas e reafirmam o desejo e ambição por matar outras pessoas. “Só preciso de armamento porque aí eu só vou matar ‘de boa’. Quem invade escola de faca, é imbecil”, dizem os dois jovens.

O Metrópoles teve acesso a vários vídeos e conversas que mostram os jovens fabricando armas e explosivos caseiros com a intenção de atirar e matar pessoas, especialmente pessoas negras e mulheres. O rosto, a voz e a identidade foram preservadas pelo fato dos suspeitos serem menores de idade.

Veja o vídeo dos preparativos:

Caso investigado pela PCDF

Após ser alertada pela Secretaria de Educação, a PCDF iniciou o monitoramento de redes sociais e investigação, constatando inicialmente que não havia risco iminente, pois a mãe de um dos adolescentes havia descoberto e repreendido o filho.

Dentre os materiais apreendidos divulgados pela PCDF, estão uma bandana de caveira e um caderno com desenhos de armas (foto em destaque).

Um dos adolescentes já se encontra em tratamento psiquiátrico. O outro foi encaminhado à Delegacia da Criança e do Adolescente II (DCA II) para as providências cabíveis.

Os aparelhos apreendidos serão submetidos à perícia, e a investigação prossegue com o objetivo de identificar possíveis conexões com grupos e prevenir novos riscos.

A DPCEV orienta os pais e responsáveis a acompanharem os conteúdos acessados por seus filhos na internet e reforça que permanece à disposição para recebimento de alertas e denúncias.

O caso seguirá sendo investigado pela Polícia Civil.

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