LGBTs acionarão Ministério Público para contestar Estatuto da Família
Para militantes, norma aprovada pela CLDF fere a Constituição por excluir homossexuais da configuração familiar

Um dia após a derrubada do veto ao projeto de lei (PL) que cria o Estatuto da Família, grupos representantes de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros e pessoas intersexuais (LGBTI) ampliaram os protestos contra a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Nesta quarta-feira (13/6), anunciaram que acionarão o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para questionar a constitucionalidade da norma, a qual traz uma definição para “família” e exclui configurações com integrantes homossexuais. O deputado Ricardo Vale (PT) disse que também pedirá a intervenção do MPDFT no tema.
O presidente do Conselho de Direitos Humanos do Distrito Federal e representante da Aliança Nacional LGBT, Michel Platini, afirmou que a representação será entregue ao MPDFT nos próximos dias. Segundo ele, essa é pelo menos a terceira vez que matérias contrárias aos direitos de minorias passam no plenário da Câmara Legislativa por “falta de atenção” dos distritais.
“Estou tanto criticando a posição dos deputados fundamentalistas quanto a dos progressistas, porque eles votam em bloco e [nem] sequer têm o cuidado de perguntar para os assessores o que estão apreciando. Essa fala de que ‘não perceberam’ precisa ser repudiada. A partir de agora, vamos constranger também os aliados”, afirmou Platini.

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Considerada referência na luta pela causa LGBT, a Casa Frida emitiu nota em protesto contra a derrubada do veto do Estatuto da Família. No documento, a gestora da instituição, Hellen Frida, critica a tentativa dos distritais conservadores de buscar limitar a descrição do que é família na atual sociedade.
“Esse projeto, agora aprovado, parece ter saído das cavernas, tamanha a violência de seu conteúdo, tamanho seu desprezo à dignidade humana, à liberdade afetiva, à autonomia amorosa”, destaca o texto. “Família é ambiente de amor. Qualquer outro critério é violência institucional. São os laços de amor, de solidariedade, de fraternidade e de liberdade os únicos critérios capazes de fortalecer nossa humanidade”, completa a nota.
Votação às pressas
Na sessão dessa terça-feira (12/6), os distritais realizaram a derrubada em bloco – quando eles não são discriminados em separado – de vetos de Rollemberg a projetos de deputados. Entre eles, foi pedida a inclusão do PL n° 173/2015, de autoria do parlamentar Rodrigo Delmasso (PRB), que trata do Estatuto da Família.
Deputados contrários à matéria disseram não terem se dado conta de que o projeto havia sido incluído na pauta e acabaram votando favoravelmente à derrubada do veto. Um deles é Ricardo Vale.
Revide
Por conta desse “apagão” durante a análise em plenário, Ricardo Vale decidiu que apresentará um projeto de lei sustando os efeitos do Estatuto da Família, tão logo o texto for publicado no Diário Oficial da Câmara Legislativa (DCL).
“Minha atuação como deputado na Câmara Legislativa do Distrito Federal tem sido pautada em defesa da tolerância, diversidade e respeito com as variadas concepções de família. Nesse sentido, é lamentável a derrubada do veto ao PL n° 173/2015. O principal atributo de uma família é o amor e a vontade de querer estar junto entre os entes, e não a orientação sexual”, disse o petista.


