Ladrões de cabos poderão pegar até 12 anos de prisão; DF tem 8 casos ao dia

A nova legislação prevê penas mais pesadas em casos de furtos e roubos de fios e cabos de energia, dados e e telefonia

atualizado

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Divulgação / CEB Ipes
Poste furtado - Metrópoles
1 de 1 Poste furtado - Metrópoles - Foto: Divulgação / CEB Ipes

A cada 24 horas, criminosos realizam quase oito furtos de cabos de energia, de dados e de telefonia no Distrito Federal (DF). Segundo levantamento da Polícia Civil (PCDF), foram registrados 5.640 ocorrências na capital brasileira, entre 2024 e 2025. A cada crime, bairros ficam às escuras e têm falhas de comunicação. As penas brandas acabavam estimulando a prática. No entanto, uma atualização na legislação, que aumentou a punição de crimes, deve coibir a atuação dos bandidos.

Antes a pena variava de um a quatro anos de prisão. Com a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à lei que torna mais pesadas as punições de crimes previstos na Constituição Federal, na última segunda-feira (4/5), agora, no caso de furto de cabos e fios, a punição é de reclusão de dois a oito anos.

Já roubos dos itens serão punidos com detenção de seis a 10 anos. Se o crime comprometer o funcionamento de órgãos públicos ou privados que prestem serviços públicos essenciais, condenados poderão ficar até 12 anos atrás das grades. Além da prisão, os bandidos estão sujeitos a multa.

O Metrópoles noticiou reportagens sobre os pontos tomados pelo breu no DF. Segundo a PCDF, as região com maior ocorrência de furtos de cabos são Brasília, Ceilândia e Taguatinga, com 1.941, 612 e 538 ocorrências, respectivamente, entre 2024 e 2025. Ao longo do período, foram efetuadas 315 prisões em flagrante. Policiais prenderam 567 adultos, apreenderam 32 menores de idade e emitiram 10 termos circunstanciados para maiores.

Iluminação pública

Nos três primeiros meses de 2026, a CEB IPes, responsável pela iluminação pública, registrou o furto de 21 quilômetros de cabos de iluminação pública em todo DF, gerando prejuízo de R$ 432 mil. Em 2025, foram furtados 96 quilômetros de cabos, com perdas de R$ 1,9 milhão. Já em 2024, o total chegou a 74 km, com prejuízo de R$ 1,4 milhão.

Para conter esse tipo de crime, a CEB IPes adotou uma série de medidas, como a contratação de empresa especializada para reforçar, com solda, as janelas de inspeção que dão acesso à fiação subterrânea, dificultando aberturas clandestinas.

A companhia tem promovido a substituição de postes de aço por braços instalados na rede elétrica e a troca de cabos de cobre por alumínio, material menos atrativo ao mercado ilegal.

Segundo a empresa, a população pode ajudar no combate aos furtos com denúncias e informações para a PCDF, pelo Disque 197, ou para a Polícia Militar pelo 190. Como os postes ainda não contam com sistemas de telegestão, a comunicação da população é fundamental para identificar rapidamente falhas e agilizar a programação dos reparos.

Além disso, o registro do boletim de ocorrência é essencial para o mapeamento das ações criminosas.

Energia

Ao longo do primeiro trimestre de 2026, a Neoenergia, concessionária responsável pela distribuição de energia no DF, registrou 386 ocorrências e tentativas de furto de cabos elétricos, sendo 241 apenas no Plano Piloto (Asa Sul e Asa Norte). O prejuízo estimado nesse período chegou a R$ 100 mil.

Ao longo de todo o ano de 2025, foram contabilizadas 1.108 ocorrências, entre furtos efetivos e tentativas, o que representa uma média superior a três casos por dia. O Plano Piloto, incluindo Asa Norte e Asa Sul, concentrou 602 registros, mantendo-se como a região mais crítica. O prejuízo total estimado chegou a R$ 717,8 mil.

“É importante destacar que o furto de cabos de energia é uma questão de segurança pública”, afirmou Hudson Thiago, gerente da Neoenergia Brasília.

Segundo o gestor, a empresa contribui com as ações de inteligência da Secretaria de Segurança Pública em todo DF e começou a fazer rondas nas regiões mais afetadas para tentar coibir esse crime que afeta todo DF.

“O furto de cabos interfere diretamente na qualidade da energia, causando interrupções e oscilações para a população”, complementou Hudson. De acordo com ele, o restabelecimento da energia conta com um serviço de alta complexidade para a reposição dos materiais furtados, o que afeta o tempo de reparo a depender do estrago deixado pelos bandidos e a quantidade de itens levados.

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