Justiça rejeita renúncia de defesa de técnico preso por mortes em UTI
Os advogados haviam solicitado a renúncia à defesa do técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos
atualizado
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A Justiça do Distrito Federal negou nessa quarta-feira (28/1) o pedido de renúncia dos advogados Marcus Eduardo Miranda Martins e Gabrielle Vieira Santana, que pediram para se retirar da defesa do técnico de enfermagem Marcos Vinícius da Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, preso suspeito de agir para matar pacientes internados no Hospital Anchieta.
Os advogados haviam solicitado a renúncia à defesa do técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo nessa terça-feira (27/1).
O Metrópoles teve acesso ao pedido de renúncia dos advogados que vinham fazendo a defesa do jovem. A dupla foi procurada para se manifestar sobre a saída do processo, mas não retornou o contato até a última atualização desta reportagem. Ainda não se sabe quem irá assumir a defesa do técnico de enfermagem, caso a Justiça dê um parecer favorável a um novo pedido de renúncia.
Ao negar o pedido da defesa do técnico, a juíza citou o artigo 112 do Código de Processo Civil, que diz que “ao renunciar ao mandato que lhe foi outorgado, o advogado deverá provar que cientificou o mandante a fim de que este nomeie substituto, devendo continuar a representar o mandante durante os 10 dias seguintes”.
“Verifico que, na petição o advogado subscritor não juntou a comprovação de que cientificou investigado quanto à renúncia, o que constitui descumprimento do dispositivo legal acima mencionado”, disse a magistrada.
Com a decisão da Justiça, os advogados devem seguir na defesa, até que apresentem novo ato de renúncia devidamente instruído com a comprovação da notificação de aviso ao acusado.
Preso por mortes em UTI
O técnico de enfermagem Marcos Vinícius da Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, está preso suspeito de cometer três homicídios na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
Na única uma manifestação emitida sobre o caso, a defesa de Marcos disse que “não há sentença condenatória, tampouco pronunciamento judicial que reconheça a prática de crime por parte do investigado”.
No comunicado, os advogados afirmaram ainda que “informações divulgadas acerca da vida pessoal do investigado são inverídicas”.
Em nota enviada à imprensa no último domingo (25/1), o Hospital Anchieta afirmou que o técnico de enfermagem agiu de maneira intencional e criminosa nas mortes na UTI.
Além de ser réu pelos homicídios, o técnico foi acusado pela colega Amanda Rodrigues de Sousa, 28, que também é investigada pelos crimes, de tentar matá-la enquanto ela estava internada na UTI se recuperando de uma cirurgia.
Amanda disse ao seu advogado que os dois tinham uma relação extraconjugal.
Entenda o caso
- As vítimas foram identificadas como João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75.
- O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após observar circunstâncias atípicas relacionadas aos três pacientes supracitados. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
- A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada pela PCDF na manhã de 11 de janeiro.
- Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do DF.
- Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
- A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e a possível participação de outras pessoas.
- As investigações tiveram novo avanço na última quinta-feira (15/1), com a segunda fase da Operação Anúbis.
- Nesta etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
Todas as mortes registradas durante plantões dos técnicos de enfermagem presos serão investigadas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Embora a polícia não tenha confirmado, o Metrópoles apurou que, inicialmente, as investigações ficarão restritas ao Anchieta. Posteriormente, vão mirar óbitos registrados durante a atuação dos técnicos em outras unidades de saúde do Distrito Federal.








