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Pouco mais de 10 meses após a tragédia que vitimou duas pessoas na L4 Sul, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) fez a primeira audiência sobre o caso. Nesta quarta-feira (7/3) foram ouvidas as testemunhas de acusação, as quais reforçaram a suspeita de que Cleuza Maria Cayres, 69 anos, e o filho Ricardo Clemente Cayres, 49, foram mortos porque os responsáveis pelo acidente estariam disputando um racha na noite de 30 de abril do ano passado, um domingo.

Os réus, Eraldo José Cavalcante Pereira e Noé Albuquerque Oliveira, compareceram à sessão e puderam acompanhar parte da audiência. As três primeiras testemunhas, incluindo os dois sobreviventes da tragédia, Oswaldo Clemente Cayres e Helberton Silva Quintão, pediram para ser ouvidas sem a presença dos acusados.

“Na hora, senti um impacto muito forte e o veículo sendo arremessado. Depois, me lembro de estar sendo retirado do veículo por socorristas”, relatou Oswaldo. Ele ainda negou ter sido procurado por Eraldo e Noé ou pela defesa dos dois, no sentido de terem lhe oferecido algum tipo de auxílio após o acidente.

Já Helberton, genro de Oswaldo, contou ao juiz Evandro Moreira da Silva que não se lembrava de nada relativo ao acidente. “Tive perda de memória. Me recordo apenas da confraternização que ocorreu antes. Passei entre 40 e 50 dias me recuperando na casa dos meus pais, mas ainda sinto dores, principalmente no cotovelo esquerdo.”

 

Testemunhas
O vigilante Fernando Souza Monteiro foi um dos primeiros a chegar ao local do acidente. Ele contou que, pouco antes da tragédia, viu dois carros ultrapassando outros e fazendo uma espécie de zigue-zague na pista, em alta velocidade. Segundo ele, “atitude típica de quem está fazendo pega”. Pouco depois, ouviu um forte barulho e avistou uma nuvem de poeira.

Ele disse ainda ter visto Noé Oliveira, que é bombeiro militar, retirando Oswaldo Cayres do veículo e prestando os primeiros socorros. Ao questionar Noé se não seria melhor deitar o senhor no chão, ouviu dele: “Pode deixar, pois sou bombeiro”. “Tentei conversar com as duas pessoas que estavam presas às ferragens, mas elas não respondiam”, relatou Fernando.

Outra testemunha ouvida foi o agente Márcio Alves da Silva, do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF). Ele contou que, ao chegar ao local, notou sinais de embriaguez em Noé e Fabiana Oliveira, condutora de um terceiro veículo, não envolvido na colisão. Silva disse que os dois se recusaram a fazer o teste do bafômetro.

“Questionei se eles haviam participado de um suposto racha. Eles negaram. Quando voltei para checar essa informação com uma testemunha, o Noé fugiu”, relatou. O agente negou que não houvesse etilômetros no local: “Essa informação não procede. Tanto o DER quanto o Detran estavam com os aparelhos”.

Por último, falou Pedro Henrique de Castro, que disse ter visto o capotamento. “O carro decolou. Vi o Noé prestando socorro e tentei reanimar os passageiros do banco de trás, mas não havia batimento cardíaco”.

Familiares das vítimas acompanharam toda a audiência, que durou pouco menos de quatro horas. A próxima está marcada para 13 de março, no TJDFT, quando serão ouvidas as testemunhas de defesa.