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O médico Lucas Seixas Doca Júnior foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Lucas é acusado da morte de Jaqueline Ferreira de Almeida (foto em destaque), que sofreu complicações após se submeter a uma endoscopia em outubro de 2016. O profissional teria usado gás em Jaqueline, durante o procedimento, e a vítima não conseguiu expelir o material. A mulher, à época com 32 anos de idade, sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.

Na avaliação da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-vida), o acusado foi responsável pela morte de Jaqueline ao infringir proibição do Conselho Federal de Medicina (CFM) e por falha na assistência médica. O Ministério Público pediu R$ 250 mil por danos morais causados pelos prejuízos à família da vítima.

O marido de Jaqueline, José Valdery Araújo, aguarda que Lucas Seixas seja condenado. “Esperava que a denúncia fosse por homicídio doloso [quando há intenção de matar]. Até porque há muitas provas de que o médico cometeu um crime. Mas o que mais me surpreende é o fato de ele ter sido inocentado em outros dois casos de pacientes que morreram sob a responsabilidade dele”, disse.

Na manhã de 19 de outubro de 2016, Jaqueline, acompanhada de seu esposo, foi até uma clínica especializada no aparelho digestivo, localizada no Sudoeste, onde foi submetida ao procedimento de endoscopia com aplicação de gás – chamado plasma de argônio. Já no início da tarde, Lucas avaliou a vítima, verificou que ela apresentava distensão abdominal, e recomendou apenas que ficasse no local em observação. Em seguida, o médico se ausentou da clínica.
Divulgação

O médico Lucas Seixas é acusado de outras mortes

Nas horas seguintes, a paciente foi avaliada somente pela enfermagem, a qual registrou o aumento da frequência cardíaca, queda dos níveis de saturação de oxigênio e fortes dores nas costas. Às 17h, outro médico percebeu que Jaqueline estava com dificuldade para respirar e determinou sua remoção de ambulância para um hospital. Lucas retornou à clínica aproximadamente às 18h.

Minutos depois, Jaqueline apresentou perda de consciência. Por volta das 21h, a mulher foi levada ao Hospital Daher, no Lago Sul, aonde chegou em estado gravíssimo, e foi encaminhada imediatamente à unidade de terapia intensiva (UTI).

Na madrugada do dia 20 de outubro, após tentativas de reanimação, foi constatado o óbito da paciente. De acordo com laudo do Instituto Médico Legal, a causa da morte foi um choque hipovolêmico, também conhecido como choque hemorrágico.

Segundo a denúncia oferecida pelo MPDFT, Jaqueline não poderia ter se submetido ao procedimento, pois o Conselho Federal de Medicina proíbe a prática em pacientes que já passaram por cirurgia bariátrica, como era o caso da vítima. Além disso, Lucas realizou a aplicação em uma clínica sem unidade de terapia intensiva (UTI) à disposição, não havendo acompanhamento médico contínuo nem meios para atender situações de emergência.

Denúncias
Essa não é a primeira vez que Seixas foi acusado pela morte de uma paciente. De acordo com o MPDFT, o profissional também teria sido responsável pela morte da professora Fernanda Werling, em 2006, após complicações em uma cirurgia de redução de estômago feita por ele.

Segundo o MPDFT, o médico teria realizado a intervenção sem que a paciente tivesse indicação para o procedimento. Seixas também foi acusado da morte da psicóloga Maria Cristina Alves da Silva, em 2008. A denúncia do MPDFT é a mesma nos dois casos.

Em ao menos outros dois episódios que chegaram à Justiça, Lucas Seixas foi inocentado, situação revoltante para os parentes das vítimas. (Com informações do MPDFT)