Kriptacoin: Justiça do DF aumenta pena de reclusão de condenados

Réus criaram uma pirâmide financeira que movimentou R$ 250 milhões no Distrito Federal por meio da moeda virtual Kriptacoin

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 09/10/2019 16:30

Presos na Operação Patrick, investigação sobre uma pirâmide financeira que movimentou R$ 250 milhões no Distrito Federal por meio da moeda virtual Kriptacoin, tiveram aumento na pena de reclusão. O recurso do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) foi acolhido pela 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

Entre os condenados, estão Weverton e Welbert Richard; Fernando Ewerton; Urandy João; Hildegarde Nascimento; e Paulo Henrique Alves Rodrigues. A Turma absolveu Thaynara Cristina, condenada em 1ª instância. A alegação dos magistrados foi a insuficiência de provas com relação à prática do crime de organização criminosa.

Além disso, a Justiça deu parcial provimento ao recurso do MPDFT para condenar o réu Marcos Kazu a 10 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão, pelos crimes de lavagem de capital e organização criminosa, em regime inicialmente fechado. Ele havia sido absolvido em 1ª instância, também por falta de provas.

O colegiado acatou parcialmente os recursos de Weverton, Welbert Richard, Fernando Ewerton, Urandy João, Hildegarde Nascimento, Alessandro Ricardo, Sérgio Vieira, Franklin Delano, Uélio Alves, Wendel Alvese Wellington Junior com relação à redução da pena pecuniária e ao regime de cumprimento e à substituição da pena.

Por fim, em razão de a condenação gerar inelegibilidade, o TJDFT determinou que os dados dos réus fossem incluídos no Cadastro Nacional de Condenados por Ato de Improbidade Administrativa e por Ato que Implique Inelegibilidade (CNCIAI), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Confira como ficou a pena de cada acusado:

Avião e helicóptero

Em primeira instância, a Justiça condenou 13 acusados de aplicar o golpe usando a moeda virtual. Segundo as investigações, os lucros da organização eram exorbitantes. Seus integrantes chegaram a comprar um avião, avaliado em R$ 3,6 milhões, e um helicóptero, que está com restrição judicial.

Para mostrar o alto poder aquisitivo, os estelionatários chegaram a pousar com a aeronave em uma área comercial de Vicente Pires, em frente à sede da empresa Kriptacoin, a Wall Street Corporate.

Os suspeitos criaram a moeda virtual no fim de 2016 e, a partir de janeiro de 2017, passaram a convencer investidores a aplicar dinheiro na Kriptacoin. De acordo com as investigações, a organização criminosa atuava por meio de laranjas, com nomes e documentos falsos. A fraude foi revelada pela Operação Patrik, da PCDF, deflagrada em 21 de setembro de 2017.

Confira imagens da Operação Patrick:

O negócio, que funcionava em esquema de pirâmide, visava apenas encher o bolso dos investigados. Conforme o Ministério Público, alguns deles com diversas passagens pela polícia por uma série de crimes, como estelionato e até tentativa de homicídio.

Dois dos principais alvos da operação foram os irmãos Welbert Richard Viana Marinho, 37 anos, e Weverton Viana Marinho, 34. Apontados como líderes da organização, eles não tinham nomes publicados no site da empresa nem constavam como sócios nos dados da Receita Federal, mas se apresentam como presidentes do grupo.

Durante um mês, o Metrópoles acompanhou as atividades da Kriptacoin e também apurou denúncias contra os presidentes e outros integrantes do esquema. Na apresentação do plano de compensação, eles ofereciam aos potenciais clientes participação nos valores de R$ 1 mil, R$ 3 mil e R$ 21 mil, com 1% de ganho por dia, independentemente do crescimento da moeda.

Veja vídeo da operação:

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