Itamaraty: servidor que ateou fogo em trans faz acordo e processo é extinto

Acerto entre as partes foi de R$ 30 mil e processo acabou arquivado pelo TJDFT. Caso aconteceu em junho deste ano

atualizado 10/08/2020 20:51

trans agredida por servidor do Itamaraty_lesõesImagem cedida ao Metrópoles

A defesa do servidor do Itamaraty Anderson Felype de Souza Caxeta, 33 anos, firmou acordo, no valor de R$ 30 mil, para extinção do processo movido pela transexual Renata Ribeiro Marques, 24. Ele é acusado de jogar álcool e atear fogo a Renata, que trabalha como garota de programa.

O caso aconteceu em junho deste ano e foi alvo de investigação da 5ª Delegacia de Polícia (área central de Brasília). Após conclusão das apurações, o inquérito foi encaminhado pela Polícia Civil do DF (PCDF) ao 1º Juizado Especial Criminal de Brasília.

À época dos fatos, a PCDF indiciou Anderson por vias de fato. Com o acordo, o processo foi arquivado pelo Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT).

“Pesadelos”

Em junho, o Metrópoles entrevistou Renata. A mulher afirmou que o servidor teria tentado “mantê-la em cárcere privado”.

“Nunca tinha chegado a ser agredida. Foi a terceira vez em que fiz programa com ele. Ele não queria me deixar ir embora, queria me manter em cárcere”, disse.

A vítima contou ter cobrado um valor a mais de Anderson pelo tempo em que passaria no local. O homem, no entanto, teria se recusado a pagar a quantia.

“Nessa hora, quando estava terminando de me vestir, ele jogou álcool em gel nas minhas costas e botou fogo. Cheguei a pensar, por um momento, que morreria porque não conseguia apagar o fogo. Tenho pesadelos até hoje com isso”, descreveu.

Ferida (foto em destaque), a mulher foi encaminhada ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran) – referência no tratamento de queimados na capital federal.

Veja imagens das lesões: 

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Procurado pelo Metrópoles, Anderson não quis dar entrevista à época dos fatos. Por mensagem, o servidor negou ter hostilizado Renata depois de ela ter se recusado a fazer o programa, mas não entrou em detalhes quanto às agressões.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que Anderson é analista em tecnologia da informação do quadro do Ministério da Economia e estava em exercício descentralizado no Ministério das Relações Exteriores. “Esclarecemos que o Ministério das Relações Exteriores não foi informado dos eventos narrados”, disse o Itamaraty.

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