Doleiro Fayed Traboulsi é alvo da PF em ação que investiga nova fraude
Suspeito foi conduzido coercitivamente durante a Operação Naum, que apura irregularidades em fundo de previdência em Tocantins
atualizado
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Seis meses depois de deixar o Complexo Penitenciário da Papuda, o doleiro Fayed Traboulsi foi alvo da Polícia Federal mais uma vez. Ele foi conduzido coercitivamente para depor sobre supostas fraudes envolvendo aplicações do Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins (Igeprev-TO). A medida é resultado da deflagração da Operação Naum, que também levou o deputado estadual Eduardo Siqueira Campos (DEM-TO) a prestar esclarecimentos à PF nesta terça-feira (27/6).
Além do Distrito Federal, foram cumpridas medidas judiciais em Tocantins, Goiás, Santa Catarina, São Paulo e no Rio de Janeiro. A investigação é um desdobramento da Operação Miquéias, na qual Fayed foi acusado de fraude em fundos de previdência municipais. Na ocasião, ele chegou a ser preso.
Também foi alvo da operação Rogério Villas Boas, ex-presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB) e ex-gestor do Igeprev. Villas Boas seria próximo de Eduardo Siqueira Campos, responsável por alçá-lo ao posto de chefe do instituto tocantinense. Fayed, por sua vez, seria ligado a Villas Boas.A investigação da Polícia Federal abrange o período entre 2011 e 2014, quando houve, segundo a corporação, aplicações em fundos problemáticos, com alto risco de perdas. As negociações teriam gerado “enormes prejuízos” ao instituto, diz a PF.
Fraude na previdência
De acordo com a PF, auditorias realizadas pelo Ministério da Previdência Social e uma sindicância também apontaram que o Igeprev-TO teria feito aportes em desacordo com os limites e modalidades permitidos pela resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).
“Foi apurado um prejuízo ao erário já confirmado de R$ 263.648.310,47. Também foram constatadas aplicações no montante de R$ 1.176.842.671,64 em 27 fundos sem liquidez e com possíveis prejuízos”, apontou a PF, que também levou para depor, coercitivamente, o policial civil aposentado Marcelo Toledo, o ex-presidente do Igeprev-TO Francisco Flávio Sales Barbosa e o ex-secretário de administração do Tocantins Lúcio Mascarenhas.
“Medida desnecessária”
Responsável pela defesa de Fayed Traboulsi, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, classificou a condução coercitiva como uma “medida desnecessária”. “Se precisasse, ele teria naturalmente se apresentado para depor. É uma medida que não tem previsão legal. É uma criação destes tempos punitivos”, afirmou o advogado.
Segundo Kakay — que acompanhou o doleiro durante o depoimento —, apesar das várias perguntas, Fayed não se manifestou. Por ser tratar de um desdobramento da Operação Miquéias, conforme o advogado, as questões se relacionavam a fatos sobre os quais ele já teria se manifestado mais de uma vez.
A reportagem do Metrópoles não conseguiu contato com os outros advogados até a publicação desta matéria.
Operação Miquéias
Fayed entrou na mira da Justiça com a deflagração da Operação Miquéias em setembro de 2013. O doleiro era acusado de participar de uma organização criminosa que fraudava fundos de previdência de prefeituras de nove estados e do Distrito Federal.
O prejuízo, segundo a PF divulgou à época, foi de pelo menos R$ 300 milhões aos cofres públicos. Ele conseguiu a liberdade dias depois, mas, em novembro de 2016, foi preso novamente em consequência da operação. O doleiro deixou o Complexo Penitenciário da Papuda no mês seguinte e, desde então, está em liberdade.
Homens de negócios
Os negócios da família Traboulsi na capital federal se estendem aos mais diferentes segmentos. Entre eles, a boate Vegas Wold Class Club, localizada da quadra 403 Sul. Quem gerencia o local é Louis Traboulsi, irmão de Fayed, conforme revelou o Metrópoles em reportagem publicada em maio deste ano. Louis também foi denunciado na Miquéias. Segundo funcionários que trabalham no local, Fayed seria o principal investidor do empreendimento.
Além da casa noturna, o doleiro investiu em um clube de pôquer à beira do Lago Paranoá, a P2W (Play to Win). O Metrópoles mostrou, em dezembro de 2015, que o estabelecimento estava vinculado a dois irmãos, Israel e Érika Rodrigues, ligados ao doleiro. Érika, segundo pessoas próximas a Fayed, era quem se relacionava com ele à época.













