DF: pai consegue guarda de menino que foi vítima de ritual em seita

Apesar das recomendações do Conselho Tutelar, o homem chegou a perder tutela do filho, que teve a cabeça raspada e foi obrigado a se mutilar

Arquivo pessoalArquivo pessoal

atualizado 16/01/2019 9:19

A Justiça do Distrito Federal concedeu a guarda provisória de um adolescente de 12 anos ao pai. O menino ficou preso em quarto na sede de um centro em Águas Lindas de Goiás (GO), a 50 km de Brasília. Apesar das recomendações do Conselho Tutelar, inicialmente, o homem chegou a perder a tutela da criança para a mãe, responsável por deixar o filho no local onde ele foi submetido a rituais.

A determinação é da 3ª Turma Cível. De acordo com a denúncia do Conselho Tutelar, o menino teve a cabeça raspada e a alimentação reduzida no decorrer do tempo que passou no centro.

O pai e a madrasta do adolescente buscaram ajuda depois de descobrirem que o garoto não estava indo à escola e desconfiarem do fato de o menino não atender às ligações do casal. Segundo o homem, a mãe informava que o filho passava bem, “descansando na roça”. Disse ainda que a ex-companheira o impedia de visitar o adolescente. O caso só veio à tona agora, após a divulgação de episódio semelhante, em uma seita no Gama.

O pai chegou a conversar na época do sumiço com seu outro filho, mais velho. O jovem de 21 anos contou que o irmão passaria um período no centro para se purificar e virar médium. O garoto teria dito a ele que precisaria raspar a cabeça, fazer cortes nos braços e até mesmo ter relação com outro homem.

O Conselho Tutelar descobriu o endereço onde o adolescente ficava e, em conjunto com a Polícia Militar de Goiás, encontrou o garoto em um quarto. Ele estava com as roupas sujas e a cabeça baixa. A mãe estava no local e tentou impedir a ação policial.

O pai e a madrasta foram até a delegacia e registraram uma denúncia relatando que a mãe do menino os ameaçou de morte e que ela cometeu maus-tratos contra o filho. A PCDF informou que o caso de ameaça será apurado pela 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro).

Já a acusação de maus-tratos, como ocorreu em Águas Lindas, será investigada pela corporação de Goiás. Na ocorrência, o casal delata ainda que a mãe da criança estaria submetendo o próprio filho a rituais espirituais.

Banho frio
Na casa paterna, o adolescente contou como era a rotina no centro espírita. A conversa foi gravada pelo casal (ouça abaixo). “Tinha que tomar dois banhos gelados durante a madrugada. Até fiquei gripado”, disse. “Eu ficava dentro de um quarto escuro, deitado em uma esteira. Não podia sair para brincar. Eles também me falaram que eu tinha que cortar os meus braços e as minhas pernas com uma navalha.”

De acordo com o garoto, a mãe sabia que ele deveria manter relação sexual com outro homem e, por fim, participar de uma festa onde começaria a fazer parte do grupo. Sobre as refeições feitas no centro, o menino relatou que só podia comer frango, porque era proibido ingerir carne vermelha e “alimentos escuros”.

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