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A 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) julga, na próxima quinta-feira (8/3), os recursos da defesa e da acusação da delegada aposentada Martha Vargas Borraz. No mesmo processo, ela foi condenada a 16 anos de prisão por falsidade ideológica, fraude e tortura enquanto conduzia as investigações do crime da 113 Sul.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) vai pedir para que a pena da ex-investigadora seja aumentada. Caso os desembargadores acolham todos os argumentos dos promotores, a punição à Martha poderá ultrapassar os 20 anos. “O Ministério Público defende o incremento da pena em função das condutas administrativas totalmente questionáveis enquanto ela presidiu o inquérito”, sustentou o promotor Maurício Miranda.

Atualmente respondendo em liberdade, a delegada dirigiu a fase inicial da apuração do triplo homicídio praticado em um dos endereços mais nobres de Brasília. Em 28 de agosto de 2009, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, 73 anos; a mulher dele, Maria Carvalho Mendes Villela, 69; e a empregada da família, Francisca Nascimento da Silva, 58, foram brutalmente assassinados com 73 facadas no total.

Vidente
Durante a fase de inquérito, Martha recorreu a uma vidente para anunciar a elucidação do caso. A paranormal Rosa Maria Jaques contou ter visto uma foto de José Guilherme num jornal e o morto teria piscado para ela, indicando os responsáveis pela tragédia. Com auxílio da líder espiritual, a delegada aposentada prendeu três suspeitos em Vicente Pires e apontou como prova principal uma chave do apartamento dos Villela, que estaria em posse do trio. Para obter a confissão de Alex Peterson Soares, Rami Jalau Kalout e Cláudio Brandão, Martha e parte de sua equipe teriam torturado os três.

No entanto, dias depois, laudo do Instituto de Criminalística (IC) revelou que a chave apreendida era exatamente a mesma recolhida pela própria Polícia Civil na cena do triplo homicídio. Diante da denúncia em relação à prova plantada, Martha pediu afastamento da investigação e o caso passou a ser conduzido pela Coordenação de Crimes Contra a Vida (Corvida).

Até a última atualização deste texto, a reportagem não havia conseguido contato com a defesa de Martha Vargas.

Filha é suspeita
Pelas mãos da unidade especializada da Polícia Civil, ganhou força a tese de que a mandante do crime seria a filha do casal assassinado, Adriana Villela. A arquiteta recebia uma mesada de R$ 8 mil, mas considerava pouco, o que motivava discussões acaloradas com os pais.

No decorrer das investigações e após várias reviravoltas, o ex-porteiro do Bloco C da 113 Sul Leonardo do Campos Alves confessou sua participação na barbárie e indicou como comparsas o sobrinho, Paulo Cardoso Santana, e Francisco Mairlon Barros. Conforme contou Leonardo, eles praticaram o crime a mando de Adriana.

Os três foram condenados a mais de 60 anos de prisão. O único que ainda pode recorrer é Paulo Cardoso. Já Adriana Villela aguarda em liberdade a data em que será levada a júri popular.