Após 16 horas, termina julgamento do professor universitário acusado de matar aluna em 2011

Rendrik Vieira assassinou Suênia Farias com três tiros por não aceitar o fim do relacionamento e teve sentença definida por júri popular

atualizado

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1 de 1 rendrick - Foto: YouTube/Reprodução

Após 16 horas de julgamento, os jurados acataram a acusação dos promotores do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e decidiram pela condenação de Rendrik Vieira Rodrigues pelo homicídio duplamente qualificado. A pena estabelecida foi de 18 anos de reclusão em regime fechado. Assim, mesmo já tendo cumprido quatro anos de prisão, o professor seguirá encarcerado.

Iniciada por volta de 9h30 de quarta-feira (8/12), a sessão avaliava a culpabilidade do réu. Segundo a acusação, o homicídio praticado pelo professor universitário seria intencional, por motivo torpe e dificultando qualquer defesa da vítima, uma vez que os tiros foram dados à queima roupa. Tais quesitos agravaram a pena. Segundo o juiz do caso, Paulo Giordano, as circunstâncias o levaram a aumentar a pena mínima, de 12 anos para o crime cometido, para 20 anos. Entretanto, o fato do acusado ter se apresentado a polícia, reduziu a pena em dois anos.

Mesmo assim, a família de Suênia Sousa Farias saiu decepcionada com a decisão. “Queríamos a pena máxima, de 30 anos. Ele cumprirá apenas seis anos em regime fechado e depois estará solto, enquanto a vida dela jamais voltará”, desabafou Cilene Farias, irmã da vítima.

A defesa também não saiu contente. Segundo os advogados de defesa, a pena foi exagerada. “Foi desproporcional. Há casos mais graves em que a pena estabelecida foi de 14 anos. Entraremos com recurso”, afirmou Ticiano Figueiredo, responsável pela defesa do acusado.

O advogado baseou seus argumentos em uma motivação que fugiria do controle de Rendrik. O chamado amor patológico, em que o amante se torna viciado e dependente de outra pessoa, segundo explicações dadas pelos advogados, teria transformado de forma momentânea o caráter de Vieira, impossibilitando-o de usar plenamente as faculdades mentais. Porém, a tese não foi acatada pelos jurados.

Versão do réu
Acusado de assassinar com três tiros a estudante Suênia Sousa Farias em 30 de setembro de 2011, Rendrik foi o último a depor no Tribunal do Júri, nesta quarta-feira (9).

Sem responder questionamentos do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o acusado disse que, até hoje, “não entende como fez isso (assassinar a jovem)”. A tese da acusação é de que ele não aceitava o fim do relacionamento com a vítima.

Antes de começar a falar para o juiz e os sete jurados, Rendrik afirmou que não responderia perguntas que denegrissem a imagem de Suênia. Os dois começaram a ter um caso no segundo semestre de 2010, segundo ele. Na época, o acusado era casado. A vítima também vivia um relacionamento com Hélio do Prado. De acordo com o relato do réu, a relação entre ele e Suênia sempre foi complicada. Ela não teria separado de fato de Hélio e isso o incomodava.

Entre idas e vindas na relação que Rendrik e Suênia levavam, segundo relato do réu, havia sempre brigas por conta de Hélio. A situação teria piorado em 7 de setembro de 2011, quando o professor foi até a casa da irmã da vítima, onde ela estava morando, e encontrou a garota acompanhada de Hélio. “Daí em diante, minha vida se tornou um caos. Pensei em me matar, por isso comprei um revólver em Ceilândia”, contou o acusado.

Arquivo Pessoal

Os dois continuaram se falando, entretanto. No dia anterior ao assassinato, Suênia teria ligado para Rendrik no intuito de conversar no dia seguinte. Na tarde de 30 de setembro, eles se encontraram no estacionamento da faculdade Projeção, na Asa Norte, onde ela estudava.

Suênia teria contado que precisava buscar umas coisas na casa de Hélio, pois queria voltar a morar com a irmã, Cilene Sousa Farias. “Em um primeiro momento, fiquei aliviado, mas no caminho, não sei por quê, voltamos a brigar. Não me lembro ao certo. Mas sei que a matei”, relatou Rendrik. “Até hoje, mesmo com as avaliações que fiz, não entendo como alguém como eu, que sempre me considerei sensato, pude fazer o que fiz”, completou.

Assassinato
Com  uma pistola calibre .380, Rendrik disparou quatro vezes contra a vítima, dentro do carro. Ela foi atingida na cabeça e no tórax. Mesmo depois de assassinar a estudante, o acusado ficou com o corpo no carro circulando pela rua. Só parou ao chegar à 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), onde conhecia o delegado Ricardo Pedrosa, adjunto da unidade. Os dois trabalhavam juntos na Faculdade Projeção, onde o réu coordenava o curso de direito

Pedrosa foi o primeiro a ser ouvido no julgamento desta quarta (9). No dia do assassinato, o delegado estava na 27ª DP, quando, por volta das 19h, recebeu uma ligação de Rendrik. O professor alegava que precisava vê-lo o quanto antes. Pelo depoimento do delegado ao Júri, o réu, apesar de aparentar tranquilidade, contou que havia feito “uma besteira”. Completou dizendo que comprou uma arma de fogo e tinha matado Suênia, próximo ao Jockey Club. Ao fim da confissão, disse que o corpo estava no carro deixado no pátio da 27ª DP.

Ao desligar o telefone, Pedrosa deixou um agente vigiando Rendrik e foi conferir o veículo. “Ao chegar ao carro, vi que, de fato, a moça estava sentada no banco do passageiro com ferimentos de tiro na cabeça e no tronco, sem sinais vitais. Pedi que o automóvel fosse isolado para perícia, retornei à delegacia e dei voz de prisão ao professor”, relatou o investigador.

Depoimentos
Logo depois do delegado, o ex-namorado de Suênia foi ouvido no Tribunal. Hélio do Prado contou que conheceu a vítima em 2007, quando trabalhavam no mesmo prédio, na sede dos Correios, no Setor Bancário Norte. Mesmo casado, ele se interessou pela moça e começaram um relacionamento.

Um ano e meio depois, após ter se separado da mulher, Prado e Suênia foram morar juntos, em um apartamento em Águas Claras. Nesse período, ele passou a pagar as despesas da namorada, inclusive a faculdade de direito, iniciada em 2008.

Em outubro de 2010, porém, Suênia teria decidido voltar a morar com a irmã Cilene, em Brazlândia. A moça alegava que não queria causar conflitos com os filhos de Hélio. Segundo ele, o relacionamento seguiu, mas à distância. Os dois teriam passado a se ver basicamente nos fins de semana.

Em dezembro daquele ano, um acontecimento abalou o relacionamento. Hélio recebeu uma carta escrita por uma suposta vizinha dizendo que ele estava sendo traído por Suênia. A remetente do documento teria inclusive fotos que comprovavam o caso. Mesmo sem encontrar a autora da carta, ele decidiu ir até a casa da irmã de Suênia.

Chegando ao local, expôs a situação, mas logo foi surpreendido com a presença de Rendrik, que teria invadido o local dizendo que era o atual namorado de Suênia. O professor foi contido pela família da moça, sendo levado para fora. Hélio, decepcionado, também foi embora.

Poucos dias depois, a irmã de Suênia, Cilene, ligou para Hélio, pedindo que conversasse com a moça. Ele então entrou em contato para saber o que se passava. “Ela me disse que Rendrik era um louco, que nunca tinha ficado com ele. Assim, reatamos o namoro”, contou Hélio.

Apesar do retorno, Suênia seguiu morando com a irmã até setembro de 2011, quando decidiu morar novamente com Hélio.

Porém, o relacionamento voltou a ficar conturbado quando Rendrik enviou e-mails para Hélio, contendo provas do relacionamento que havia tido com Suênia. O casal ficou brigado, mas, segundo a testemunha, poucos dias antes do crime, a moça prometeu que começariam do zero.

Mesmo acreditando nela, ele se sentia incomodado com o número de mensagens que Rendrik continuava mandando para o celular de Suênia. Hélio sugeriu para a namorada que trocasse de número.

No dia de sua morte, a moça foi até o shopping habilitar uma nova linha para o celular. A tarde, ligou do novo número para o namorado. “Ela disse empolgada: Oi, amorico, esse é meu novo número!”, relatou Hélio. Mas, segundo ele, horas depois ela ligou novamente, dessa vez de um aparelho bloqueado dizendo que tudo estava acabado e que voltaria para Rendrik.

Hélio achou a atitude muito estranha e avisou Cilene sobre o comportamento da namorada. Preocupados, os dois fizeram registro de ocorrência na 12ª DP, em Taguatinga, explicando a situação. Pouco tempo depois, ele recebe um telefonema da 27ª DP, pedindo para que fosse ao local. “Quando cheguei, me informaram que havia acontecido o pior”, afirmou.

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