Justiça dá liberdade provisória a mulher que matou marido no DF

Ana Cláudia Morais alega legítima defesa. Ela não poderá se ausentar do DF por mais de 30 dias ou mudar de endereço sem comunicar a Justiça

atualizado 04/06/2021 18:57

Reprodução/Redes Sociais

Ana Cláudia Morais, 25 anos, presa em flagrante após matar o marido no Recanto das Emas, teve liberdade provisória concedida nesta sexta-feira (4/6) pela Justiça após passar por audiência de custódia. Ela deu uma facada em Jonathan Francisco Scheidt da Silva, 24, durante uma briga iniciada por ciúmes, e alegou legítima defesa.

Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), ela está proibida de se ausentar do Distrito Federal por mais de 30 dias, salvo quando autorizada pelo juízo processante, e de mudar de endereço sem comunicação. Ana deve ainda comparecer a todos os atos do processo.

O juiz entendeu que “não há indicativos concretos de que o custodiado pretenda furtar-se à aplicação da lei penal, tampouco de que irá perturbar gravemente a instrução criminal ou a ordem pública”. Por esse motivo, considera que uma eventual prisão deve ocorrer apenas após o trânsito em julgado da ação.

O magistrado ressaltou ainda que “há indicativos que antes da conduta em si houve uma briga com investida física, o que recomenda prudência com eventual adoção de medidas cautelares mais drásticas”.

O caso

Uma discussão por ciúmes foi a motivação da briga entre Jonathan Francisco Scheidt da Silva, 24 anos, e Ana Cláudia de Morais nessa quinta-feira (3), que culminou na morte do homem. Quem confirmou a versão ao Metrópoles foi o delegado-chefe da 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), Pablo Aguiar. A vítima foi alvo de uma facada e não resistiu aos ferimentos.

De acordo com Aguiar, a autora do homicídio teria sido alvo de uma tentativa de esganamento durante o conflito. “Ela se desvencilhou, pegou uma faca e foi para cima dele, que tentou se defender com um colchão. A mulher tirou o colchão da frente e conseguiu aplicar a facada”, relata.

Apesar de ter ocorrido uma violência anterior, o caso não foi enquadrado como legítima defesa. “Não podemos dizer que foi isso, pois ela já tinha saído de uma eminente agressão por parte dele. Tem um arrependimento, ela percebeu a gravidade do golpe. Caberá ao Tribunal do Júri avaliar”, diz.

Ana Cláudia foi presa em flagrante pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) no Recanto das Emas. Após golpeá-lo, a mulher chamou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para prestar o socorro. O rapaz chegou a ser socorrido com vida, mas morreu logo após chegar à UPA do Recanto das Emas.

A faca utilizada no crime foi apreendida e a mulher autuada por homicídio.

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Nas redes sociais de Jonathan e Ana Cláudia, as postagens indicam que os dois formavam um casal feliz. Horas antes do crime, o rapaz postou um texto em uma foto com Ana Cláudia: “Você me acalma quando estou precisando de paz e enche a minha alma de energia quando eu preciso de forças! Te amo, você é a melhor do mundo”.

Em janeiro, a jovem publicou um vídeo com o marido e o filho e escreveu: “Nem nos meus dias mais otimistas imaginei ter tudo que tenho hoje. Obrigada Pai pela minha família”.

Em abril, Jonathan fez outra publicação: “Hoje estamos completando 1 ano e 2 meses de casados, muita paz, amor e alegria. Te amo muito”. E Ana respondeu: “Te amo muito mesmo. O quanto imaginar que amo, pode multiplicar por infinito.”

A mãe de Jonathan publicou na foto do filho após o crime: Meu Deus me dê forças!!!! Meu filho, como dói meu coração. Tá difícil acreditar que você se foi. Só Jeová, meu Deus, para me consolar nesse momento de tristeza”.

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