Jovens que arrancaram olho de rapaz autista passam por audiência

Wtsherdhay Gonçalves dos Santos, 24 anos, perdeu um dos olhos após ser barbaramente espancado em Águas Claras, em janeiro de 2023

atualizado

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Pedro Iff / Metrópoles
jovem autista agredido
1 de 1 jovem autista agredido - Foto: Pedro Iff / Metrópoles

Os dois jovens que tentaram matar Wtsherdhay Gonçalves dos Santos (foto em destaque), 24 anos, espancado no Parque Ecológico de Águas Claras foram ouvidos em uma audiência nessa quinta-feira (17/7). O crime aconteceu em 2 de janeiro de 2023. Na ocasião, um dos autores rasgou um dos olhos do rapaz com um canivete.

A audiência estava prevista para começar às 14h30, no Fórum Desembargador Jorge Duarte de Azevedo, na Asa Norte.

À época dos fatos, os autores eram adolescentes, um deles já atingiu a maioridade. Eles respondem por ato infracional análogo à tentativa de homicídio.

A audiência é acompanhada com grande expectativa pela mãe e os três irmãos de Wtsherdhay, que buscam por justiça. O crime deixou sequelas irreversíveis no jovem, que teve um dos olhos arrancado com um canivete.

 

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Jovens que arrancaram olho de rapaz autista passam por audiência - imagem 2
Wtsherdhay perdoa os agressores, mas quer que eles paguem na Justiça
O rapaz sonha em ir a shows de pagode de bandas, como a Menos é Mais, e em se tornar personal trainer
O jovem negro autista ainda sente dores pelo corpo
Dona Wheda, mãe de Wtsherdhay, cobra Justiça. "Arrancaram o olho do meu filho. Arrancaram o meu coração", disse, aos prantos
Após ter sido espancado e perdido o olho, o jovem negro autista Wtsherdhay Gonçalves busca forças para recomeçar a vida ao lado da família e de amigos
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Após ter sido espancado e perdido o olho, o jovem negro autista Wtsherdhay Gonçalves busca forças para recomeçar a vida ao lado da família e de amigos

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Wtsherdhay perdoa os agressores, mas quer que eles paguem na Justiça
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Wtsherdhay perdoa os agressores, mas quer que eles paguem na Justiça

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O rapaz sonha em ir a shows de pagode de bandas, como a Menos é Mais, e em se tornar personal trainer
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O rapaz sonha em ir a shows de pagode de bandas, como a Menos é Mais, e em se tornar personal trainer

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O jovem negro autista ainda sente dores pelo corpo
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O jovem negro autista ainda sente dores pelo corpo

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Dona Wheda, mãe de Wtsherdhay, cobra Justiça. "Arrancaram o olho do meu filho. Arrancaram o meu coração", disse, aos prantos
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Dona Wheda, mãe de Wtsherdhay, cobra Justiça. "Arrancaram o olho do meu filho. Arrancaram o meu coração", disse, aos prantos

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A mãe solo e atípica, que cria quatro filhos — de 24, 21, 14 e 12 anos — relatou que Wtsherdhay  tem deficiência intelectual e ainda sofre com as consequências físicas e psicológicas da violência. “Ele não consegue dormir à noite. Não conseguimos a prótese do olho até hoje. Nunca tive resposta do governo”, alega Wheda Gonçalves dos Santos.

O agressor que desferiu o golpe de canivete no olho do rapaz tinha 17 anos quando ocorreu o crime. Apesar da gravidade, a mãe afirma que os envolvidos nunca foram detidos e que continuam soltos.

“A Justiça não fez nada. Sempre estiveram em liberdade. Ameaçaram até a minha filha. Eu só queria que eles cumprissem pena. Eles destruíram a vida do meu filho e estão livres”, acusa Wheda.

A dor e o sentimento de injustiça também se estendem ao tratamento recebido pelas autoridades. “Fiquei muito triste com a polícia. Nada tira essa dor. Acabaram com a vida do meu filho. Hoje, ele é um jovem agressivo por causa do que aconteceu. O trauma é muito grande”, lamenta.

A família segue lutando por reparação e clama por uma decisão do sistema judicial e do poder público. “Nada vai devolver o olho dele. Mas a justiça precisa ser feita”, ressalta a mãe.

O processo tramita na 2ª Vara da Infância e da Juventude (2ª VIJ) sob segredo de Justiça.

Relembre o caso

O jovem foi espancado após defender o irmão mais novo, Solomon Gonçalves Chwukuemeka Maha, e sofreu ferimentos em diversas partes do corpo, inclusive com perda da cartilagem do nariz.

Ao ver um grupo de meninos provocar a criança, soprando fumaça contra o rosto do menino, ele partiu em defesa, sem hesitar. Além de precisar de uma cirurgia reparatória no nariz, ele chegou a receber uma prótese ocular, mas o organismo rejeitou o item.

Um vigilante do parque, que preferiu não se identificar, contou ao Metrópoles à época dos fatos que enquanto os meninos brigavam, um deles feriu o olho do jovem autista com um objeto perfurante.

“Os meninos que estavam na quadra começaram a provocar os irmãos. Os chamaram de ‘pretos’, ‘macacos’, ‘viados’ e ‘safados’. Também estavam fumando cigarro e ficavam assoprando na cara do autista. Violência sem tamanho. Eu separei a briga depois que um deles pegou um pedaço de pau jurando que ia matar o outro”, descreveu.

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