Jovem preso após envolvimento com coronel pediu ajuda por mensagens

Segundo a mãe do menino, ele mandou texto e áudios para um amigo. Ela afirma que os disparos com a arma foram em legítima defesa

atualizado 10/04/2022 10:44

Entrada do Motel Fiesta Reprodução

O jovem de 21 anos preso na companhia do coronel da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Edilson Martins da Silva, 47, no Motel Fiesta, em Taguatinga Norte, enviou mensagens para um amigo em busca de ajuda antes de conseguir pegar a arma do oficial e tentar fugir. Segundo a mãe do rapaz, que não quis se identificar, ele gravou áudios sem que o PM percebesse para que o colega entendesse o que estava acontecendo.

A mulher ainda relatou ao Metrópoles que os disparos feitos dentro do motel pelo filho foram em legítima defesa. “Ele deu os tiros para esvaziar a arma, para o coronel não ter poder de fogo contra ele”, diz. Ainda de acordo com a mãe, o jovem está muito abalado com a situação.

“Quando o encontrei na delegacia, estava nervoso e ainda chorando muito. Ele me disse que o coronel ficava falando o tempo todo que ninguém ia ficar sabendo onde ele estava e quem era ele. Disse que ficou com medo de ligar para a polícia e ser machucado e, por isso, mandou mensagem para um  amigo e alguns áudios do que estaria acontecendo no momento para ver se conseguiria ajuda. O amigo tentou contato com a PM, mas não teria conseguido”, comentou.

Em motel com coronel da PMDF, rapaz atira até descarregar pistola

Ela ainda narrou que, no dia em que tudo aconteceu, entre sexta-feira (8/4) e sábado (9/4), o jovem havia saído de casa para ir à aula do curso técnico em que se inscreveu recentemente. Depois,  teria saído com alguns amigos e, na rua, foi abordado por Edilson.

À Polícia Civil do DF (PCDF), o jovem relatou que Edilson lhe deu R$ 100 e mandou que ele comprasse cocaína e loló. Segundo o jovem, teriam sido R$ 70 de cocaína e R$ 30 de loló. Eles teriam consumido a droga no local em que compraram. Neste momento, o jovem disse que o coronel fez uma carreira de cocaína sobre uma bíblia que estava no porta luvas do carro. O oficial foi autuado por estupro porque teria forçado relações sexuais.

A audiência de custódia do rapaz, preso por disparo de arma de fogo, ainda não foi marcada. A esperança da família é de que ele seja liberado para responder em liberdade. “Ele fez tudo para se proteger”, completou a mãe. O coronel também permanece detido.

Desentendimento

De acordo com o jovem, ele foi abordado pelo coronel enquanto voltava a pé para casa, após se encontrar com amigo em uma distribuidora de bebidas de Taguatinga. O policial teria oferecido uma carona e o convidado o rapaz para, juntos, usarem drogas. Já dentro do carro, o homem mais novo teria percebido que Edilson estava armado e diz que o policial o ameaçou e coagiu a fazer sexo com ele.

O rapaz detalhou que, dentro do veículo, o coronel começou a passar a mão na perna dele e em seu órgão genital e praticou sexo oral, com o carro em movimento. O jovem alega ter sido levado contra a vontade para um motel, após os dois terem consumido os entorpecentes.

O jovem ainda conta que só aceitou entrar no motel porque se sentiu ameaçado por Edilson, que teria colocado a arma em sua cabeça. No quarto da hospedagem, eles usaram a banheira e chegaram a abrir uma camisinha, mas ambos negam ter havido penetração.

O jovem disse que efetuou os disparos com a arma do oficial após ser impedido de deixar as dependências do local, já nesta manhã. Em conversa com os policiais civis que atenderam a ocorrência, o rapaz mencionou que após consumirem drogas no motel, os dois se desentenderam. Após a discussão, Wendell trancou o coronel da PM dentro da suíte e tentou sair do estabelecimento com o carro e a arma do oficial. Ninguém ficou ferido.

Edilson confirma a versão do rapaz, mas nega que os atos sexuais tenham sido forçados. Segundo o coronel, tanto o sexo oral praticado por ele quanto pelo rapaz foram consentidos. Até a última atualização desta reportagem, ambos estavam presos: o coronel por estupro e o jovem por disparo de arma de fogo.

O caso

Segundo informações recebidas pelo Copom da PMDF, e conforme apurou a coluna, quando policiais militares chegaram ao motel, que fica às margens da BR-070, funcionários do estabelecimento confirmaram os disparos no interior do estabelecimento e afirmaram que havia um homem armado próximo ao portão.

Ao entrarem no local, policiais militares detiveram o jovem, que prontamente entregou a pistola calibre .40 travada e sem munição no carregador.

O coronel é diretor de Apoio Logístico e Finanças, do Departamento de Logística e Finanças, do Comando-Geral da PMDF.

Em nota enviada ao Metrópoles, a PMDF comunicou que “será aberto processo apuratório para esclarecimento das circunstâncias do fato e que a corporação não coaduna com nenhum tipo de desvio de conduta de quaisquer de seus integrantes”.

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