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Distrito Federal

Invasão retorna com força em local considerado "campo minado"

Dezenas de pessoas, 1 mês após ação do DF Legal, voltaram a erguer barracos no terreno considerado um "campo minado"

08/06/2025 02:52, atualizado 08/06/2025 12:11
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Setor de Inflamáveis

Um mês após a Secretaria DF Legal fazer uma megaoperação de derrubada em área de ocupação irregular no Setor de Inflamáveis (SIN), os moradores voltaram a levantar barracos utilizando madeirite, lona e outros materiais improvisados. O Metrópoles voltou à região e identificou pelo menos 10 estruturas clandestinas erguidas.

A Defesa Civil avaliou que as moradias precárias – barracos de madeira e lona, com instalações de energia e água irregulares – próximo a empresas de armazenamento de combustíveis inflamáveis torna o terreno um “campo minado”.

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Algumas pessoas dormem dentro de barracas do acampamento, fazem suas necessidades no meio da mata e tomam banho em casas de amigos. Além disso, reclamam da falta de água potável, alimentos, roupas, cobertas e itens de higiene.

A poeira e a sujeira do local não asfaltado chamam a atenção, já que o lixo está sendo despejado diretamente nas ruas. Pela falta de energia elétrica, alguns eletrodomésticos acabaram descartados em terrenos baldios. Para cozinhar, o grupo improvisa fogão utilizando pedra e tijolos.

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Veja imagens da ocupação no Setor de Inflamáveis:

Invasão retorna com força em local considerado “campo minado” - destaque galeria
8 imagens
Pessoas construíram barracos improvisados
Galinhas e cachorros são criados no local
O arcebispo de Brasília, dom Paulo Cezar Costa, visitou o local
Madeirite e lonas estão sendo utilizadas para erguer os barracos
Boa parte dos moradores do local é catador de recicláveis
O lixo jogado a céu aberto deixa mau-cheiro e causa riscos à saúde dos moradores
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O lixo jogado a céu aberto deixa mau-cheiro e causa riscos à saúde dos moradores

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Pessoas construíram barracos improvisados
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Pessoas construíram barracos improvisados

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Galinhas e cachorros são criados no local
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Galinhas e cachorros são criados no local

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
O arcebispo de Brasília, dom Paulo Cezar Costa, visitou o local
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O arcebispo de Brasília, dom Paulo Cezar Costa, visitou o local

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Madeirite e lonas estão sendo utilizadas para erguer os barracos
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Madeirite e lonas estão sendo utilizadas para erguer os barracos

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Boa parte dos moradores do local é catador de recicláveis
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Boa parte dos moradores do local é catador de recicláveis

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Mais de 300 pessoas foram retiradas
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Mais de 300 pessoas foram retiradas

Foto: Vinícius Schimdt/Metrópoles
Policiais acompanharam a derrubada das casas
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Policiais acompanharam a derrubada das casas

Vinícius Schmidt/Metrópoles (@vinicius.foto)

Derrubadas

No dia 5 de maio, a ação de derrubadas da Secretaria DF Legal foi conturbada e houve resistência por parte das pessoas que viviam ali. Após a ação, ocorreram protestos às margens da Estrada Parque Taguatinga Guará (EPTG) e os moradores chegaram a ocupar a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) por alguns dias.

Na época, o GDF informou que o local é um terreno público que foi ocupado irregularmente. A Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil do Distrito Federal (Sudec) justificou a ação pelo fato de o local ficar em uma área nas proximidades de uma zona de armazenamento de produtos inflamáveis.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) entrou com uma ação civil pública para cobrar a proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes das famílias removidas da ocupação.

A Comissão Regional de Soluções Fundiárias do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) atua na busca de soluções pacíficas em conflitos fundiários coletivos e chegou a fazer uma visita no local no dia 29 de maio.

Ações suspensas por 90 dias

Segundo o secretário da Casa Civil do DF, Gustavo Rocha, o Governo do Distrito Federal (GDF) incluirá a possível regularização do Setor de Inflamáveis no Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot). Estudos técnicos serão feitos para avaliar a possibilidade ou não de regularização da região.

As derrubadas nas áreas consideradas de risco serão suspensas por 90 dias, período que foi dado para os moradores deixarem o local. Quem está em lugares que não foram classificados de “vermelho”, que indica risco maior, poderá permanecer até que o estudo da Defesa Civil seja concluído. Cerca de 40 famílias teriam sido notificadas para deixarem suas casas.

“Campo minado”

O especialista em avaliação de risco ambiental Raimundo Barbosa avaliou que a área onde havia sido erguida a invasão é um “campo minado” pelo fato de conter vários depósitos de combustíveis e gás. “Alguns dos barracos estavam em cima desse duto. A área oferece o risco de explosão que pode ser provocada por fogo, faísca proveniente das gambiarras na rede elétrica”, explicou.

Para o ambientalista, a decisão do GDF foi acertada, mas ele entende que deveria haver fiscalização preventiva para que a área nunca fosse ocupada. “Inclusive, deveriam ter fiscalizado para que a área não tivesse sido ocupada. Como o governo não atua com fiscalização preventiva, essas pessoas ocupam essas áreas, que têm um risco muito alto de acidentes, inclusive podendo chegar ao resultado morte”, alertou Barbosa.

A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) informou que a Unidade de Proteção Social 24h (UPS24h) acompanhou diariamente a operação no local e prestou atendimento a 38 famílias. Nesse sentido, foi ofertado acolhimento institucional, mas as famílias não teriam aceitado.

“A pasta lembra que, durante a operação, providenciou refeições completas (café da manhã, almoço e jantar) para todas as famílias, com quase 11.500 refeições servidas desde o dia 5 de maio. Também foram solicitados auxílios vulnerabilidade (R$ 408 ou passagem interestadual) e excepcionalidade (auxílio-aluguel), Cartão Prato Cheio, DF Social e Cartão Gás. Alguns benefícios já foram concedidos às famílias que atenderam aos critérios, enquanto outros ainda estão em fase de análise ou aguardando liberação”, disse a Sedes em nota.

Arcebispo de Brasília

O arcebispo de Brasília, dom Paulo Cezar Costa, visitou a ocupação na quarta-feira (4/6) e falou sobre a situação delicada. “As pessoas têm o direito de ter suas casas para morar”, disse o religioso, que prometeu dialogar com o GDF no sentido de buscar uma solução razoável.

Sobre a realocação das famílias, a Casa Civil informou que todas serão cadastradas na lista de vulneráveis da Codhab. “Os cadastros serão analisados de acordo com os critérios estabelecidos em lei”, disse a assessoria em nota.