Influenciadora é investigada suspeita de venda ilegal de Mounjaro
Naila Milainy Silva Roque é proprietária de um Spa e foi presa na segunda (15/6). Ela nega as acusações e diz que os remédios são pessoais

A influencer digital do Distrito Federal, Naila Milainy Silva Roque, de 38 anos, é investigada por suspeita de venda ilegal e manipulação do medicamento injetável tirzepatida, popularmente conhecido como Mounjaro. A substância só pode ser comercializada mediante receita médica em duas vias. Ela foi presa na tarde dessa segunda-feira (15/6) no Lago Sul (DF) e solta após audiência de custódia. Naila nega as acusações e diz que os medicamentos apreendidos com ela são de uso próprio.
Veja:
Naila foi alvo de uma operação autorizada pela 8ª Vara Criminal de Brasília. Os mandados foram cumpridos na clínica estética no Lago Sul pela equipe de Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) da Polícia Civil do DF (PCDF) e pela Vigilância Sanitária.
Segundo a PCDF, no local foram encontrados medicamentos de venda ilegal, que foram recolhidos. Segundo a polícia, o uso de algemas não foi necessário pois Naila cooperou com as investigações. Com base nos produtos encontrados, Naila foi presa em flagrante. Ela passou por audiência de custódia nessa terça-feira (16/6), e foi solta provisoriamente. Parte do estabelecimento foi interditado.
Nas redes sociais, Naila afirmou que nunca escondeu que usava Mounjaro, e que a equipe policial encontrou apenas três ampolas de tirzepatida, de 15 mg, que a profissional afirmou ser para uso pessoal.
“Eu tenho receita médica, que já está com eles [polícia]. A quantidade encontrada na minha casa é a quantidade certa que está prescrita na minha receita médica, então está tudo certo”, conta.
A empresária também negou qualquer tipo de uso ou comercialização de remédios falsificados.
O Metrópoles também entrou em contato a influenciadora em busca de uma posição oficial. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Influencer
Naila é uma influenciadora do DF com mais de 200 mil seguidores no Instagram. Na rede social, ela compartilha sua rotina. Ela também é dona de uma clínica de estética nomeada como Mansão SPA Pink, local onde, segundo a polícia e os anúncios nas redes sociais, ela vendia as ampolas de Mounjaro por cerca de R$ 700.
Nas imagens (veja acima) é possível ver a profissional explicando passo a passo como fazer o uso do medicamento, mostrando qual a quantidade ideal para que o cliente não tenha efeitos colaterais.
“Eu vou ser rainha do rodeio, então preciso emagrecer, e eu adoro um atalho”, disse em uma publicação.
A medicação é indicada para tratar da Diabetes tipo 2, ou em casos de obesidade, pois aumenta a saciedade e regula o apetite, fazendo com que o usuário perca peso, sendo bastante procurada por pessoas saúdaveis que desejam emagrecer rapidamente.
Violação direta das regras da Anvisa
As condutas flagradas contrariam a Instrução Normativa (IN) nº 360/2025, em vigor desde 23 de junho de 2025.
A norma estabelece que medicamentos à base de tirzepatida, só podem ser vendidos com retenção da receita médica em duas vias, justamente para evitar o uso indevido e o desvio de finalidade estética.
“Brincar com o metabolismo”
O nutrólogo Sandro Ferraz alerta que o uso do Mounjaro sem acompanhamento médico pode ter consequências devastadoras.
“Usar Mounjaro sem orientação é brincar com o próprio metabolismo. O medicamento não é cosmético nem fórmula milagrosa. Seu uso incorreto pode causar dependência psicológica, colapsar o metabolismo e gerar danos irreversíveis à saúde.”
Entre os riscos mais graves estão hipoglicemia severa, que pode levar ao coma, pancreatite aguda e desidratação intensa provocada por náuseas e vômitos persistentes.
Em casos extremos, pacientes que fazem uso da substância sem prescrição podem sofrer falência hepática ou renal, além de efeitos colaterais graves ligados à automedicação e à má conservação do produto.

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