Infestação de escorpiões tira sono de moradores de prédio na Asa Norte
Ao menos quatro unidades registraram animais; comunidade teme novos casos e cobra ações da Vigilância Ambiental
08/10/2026 04:00

Moradores da 109 Norte reclamam da falta de suporte após encontrarem escorpiões repetidamente dentro dos próprios apartamentos. Segundo a comunidade, a Vigilância Ambiental em Saúde foi acionada e esteve no prédio, mas, não houve qualquer orientação para conter os animais, que continuaram aparecendo.
Ao menos quatro apartamentos do prédio já registraram a presença de escorpiões. Os animais foram encontrados em diferentes pontos das unidades, inclusive dentro do box do banheiro de Flaviana Kalil, 43 anos, que conta que o namorado estava tomando banho quando o animal foi encontrado.
“A maior preocupação é saber se está só no prédio ou na quadra. Esse veio do ralo, mas o do meu vizinho, na mesma prumada, veio do exaustor. Não dá para fechar todas as frestas”, afirma.
Desde que encontrou o animal, Flaviana diz que passou a vistoriar a casa antes de entrar nos cômodos, verificando toalhas, brinquedos e o teto, com medo de encontrar outro escorpião.
“Eu me mudei para a Asa Norte agora. Eu tenho um filho de 6 anos, que anda descalço, cheio de brinquedo espalhado em casa. Está desesperador”, relata.
Diante da preocupação, os moradores decidiram contratar uma consultoria particular para avaliar a situação e identificar possíveis pontos de entrada dos animais. Eles também solicitaram à síndica a realização de uma dedetização.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF
Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF
Frequência de envio: Diário
Ver todasO aparecimento de escorpiões em áreas da Asa Norte já provocou acidentes. Em 15 de junho, uma estudante foi picada dentro da Escola Parque 303/304 Norte. Segundo a Secretaria de Educação, a escola prestou os primeiros socorros, acionou o socorro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e comunicou a família. A aluna foi levada ao Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), onde recebeu atendimento médico.
Outros casos registrados no Distrito Federal:
Valentina Nobre Lima, 11 anos: morreu em 5 de julho, após ser picada por um escorpião dentro de casa, no Riacho Fundo I. O acidente ocorreu em 12 de junho, quando ela calçava um tênis para ir à escola. A menina passou 23 dias na UTI e sofreu três paradas cardíacas, uma delas com duração de 40 minutos. Ela recebeu soro no Hospital Regional do Guará e depois foi transferida para o Hospital Santa Lúcia, na Asa Norte.
Thomas Caitano Ribeiro, 4 anos: em janeiro de 2023, o menino sobreviveu a cinco picadas de escorpião na cabeça e ficou com graves sequelas neurológicas. O veneno provocou paralisia cerebral e perda parcial da visão, além de comprometer a fala e a locomoção. Desde então, Thomas faz tratamento para controlar as dores provocadas pela paralisia e, até hoje, enfrenta as consequências do acidente.
Alícia Spies, 20 anos: foi picada em 20 de agosto dentro de um provador da Zara, no ParkShopping, no Guará. A estudante de arquitetura relatou ter sentido o escorpião subir pela perna antes da picada. Ela sentiu tontura e precisou ser hospitalizada.
O que diz a Vigilância Ambiental
Procurada pelo Metrópoles, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que a Vigilância Ambiental realizou uma visita ao prédio, inspecionou as instalações e repassou orientações para reduzir a presença de animais peçonhentos. Uma nova visita está prevista para avaliar o cumprimento das medidas indicadas.
“A Vigilância Ambiental não realiza controle químico de escorpiões. O trabalho consiste em inspeções ambientais, identificação de possíveis fatores de risco e orientação sobre medidas preventivas e melhorias necessárias nos espaços”, declarou em nota.
Onde buscar atendimento
Atualmente, 11 hospitais da rede pública do Distrito Federal disponibilizam soro antiescorpiônico:
- Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib);
- Hospital Regional da Asa Norte (Hran);
- Hospital Regional do Guará (HRGu);
- Hospital Regional de Brazlândia (HRBz);
- Hospital da Região Leste (Paranoá);
- Hospital Regional de Ceilândia (HRC);
- Hospital Regional do Gama (HRG);
- Hospital Regional de Santa Maria (HRSM);
- Hospital Regional de Planaltina (HRPl);
- Hospital Regional de Sobradinho (HRS);
- Hospital Regional de Taguatinga (HRT).
O Distrito Federal também conta com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), que funciona 24 horas e presta orientações sobre acidentes com animais peçonhentos. O serviço pode ser acionado pelos telefones 0800-644-6774 e (61) 99288-9358.









