Ibaneis sobre universitário na direção da Biblioteca Nacional: “Foi exonerado”

Nomeação de Allan Wanick Motta foi feita pelo secretário de Cultura e contestada pelo Conselho Regional de Biblioteconomia

Eduardo Coutinho/FlickrEduardo Coutinho/Flickr

atualizado 05/12/2019 12:48

O governador Ibaneis Rocha (MDB) exonerou o estudante universitário que ocuparia o cargo de diretor da Biblioteca Nacional de Brasília (BNB). “Isso já está resolvido. Foi exonerado”, afirmou o governador.

A nomeação, revelada pela coluna Janela Indiscreta, havia sido feita pelo secretário de Cultura, Adão Cândido. A ação, no entanto, contraria a legislação federal.

A decisão de Ibaneis foi informada pelo próprio emedebista durante inauguração do Mercado do Peixe na Ceasa, na manhã desta quinta-feira (05/12/2019).

A Secretaria de Cultura informou que o ato de anulação da nomeação deverá será publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) em edição especial nesta quinta-feira ou na sexta-feira (06/12/2019). A pasta alegou que a nomeação foi um erro técnico.

A exoneração de Allan Wanick Motta sairá com a nomeação da nova diretora, Sharlene Araújo, gestora em políticas públicas e gestão governamental, e formada em biblioteconomia pela Universidade de Brasília (UnB) em 2003. Ela tem pós-graduação em direito administrativo e MBA em gestão integrada em projetos. Já passou por diversos órgãos do GDF, como Agefis e Secretaria de Economia, onde estava atualmente.

Contestação

Allan Wanick foi designado para exercer o Cargo de Natureza Especial símbolo CNE-07 na Subsecretaria do Patrimônio Cultural, dentro da estrutura da Secretaria de Cultura e Economia Criativa. Para a função, o salário bruto é de quase R$ 5 mil.

A escolha para o posto, publicada no Diário Oficial do DF da última sexta-feira (29/11/2019), foi alvo do Conselho Regional de Biblioteconomia da 1ª Região (CRB-1).

Na quarta-feira (04/12/2019), a entidade notificou a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal para que substitua o novo diretor da Biblioteca Nacional de Brasília nos próximos 30 dias.

“Após o prazo de 30 dias, requeiro que seja informado ao CRB-1 o nome e o respectivo registro do profissional nomeado, para que possamos verificar e proceder à fiscalização do exercício regular do indicado”, registra a entidade por meio de nota.

De acordo com a Lei Federal n° 4.084, de 1962, apenas profissionais com diploma de bacharel na área e com o registro profissional no conselho podem ocupar os cargos de direção nas bibliotecas públicas.

Além de não ter diploma, Allan Wanick quase foi jubilado pela Universidade de Brasília (UnB). No fim de maio, ele solicitou o retorno aos estudos, quando foi readmitido pela instituição federal.

“Eu não sabia que tinha que ter o diploma para o cargo. Isso foi novo para mim. Ninguém me avisou nada”, afirmou o rapaz ao Metrópoles. Allan Wanick confirmou ser aluno do último semestre do curso de biblioteconomia. Disse ainda que voltou a estudar recentemente, após ter o pedido de reintegração aceito pela UnB.

Estagiário

Antes de ser nomeado pela atual gestão, Allan Wanick era assistente técnico em uma empresa privada e foi estagiário na biblioteca da UnB e da Procuradoria-Geral da República (PGR), de acordo com informações divulgadas no perfil do acadêmico no site LinkedIn. Na página, confirma ainda ser estudante da universidade federal. Os dados são alimentados pelos próprios usuários.

Ao ser acionada pela reportagem para comentar o caso, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa informou à coluna que “houve um equívoco” no processo de nomeação do estudante.

A pasta argumenta que, originalmente, Wanick seria designado para “um cargo de assessor”. Segundo o órgão, já foi solicitada a correção, a qual deve ser publicada ainda nesta semana do Diário Oficial do Distrito Federal.

 

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