Hospital do DF não vai mais aceitar crianças com Covid-19. Entenda

Unidade em Brazlândia vai encaminhar pequenos para o Hmib, mas, para órgãos de controle, pronto-socorro Infantil deveria ser fechado

atualizado 04/04/2021 14:49

Hospital Regional de BrazlândiaMaterial cedido ao Metrópoles

Após denúncia de risco de contágio de crianças, o Hospital Regional de Brazlândia (HRB) não vai mais fazer o tratamento dos pequenos pacientes diagnosticados ou com suspeita de Covid-19.

Em 17 março, a unidade de saúde foi alvo de diligência da Ação Conjunta Covid-19, coordenada pela seccional do DF da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF). A fiscalização flagrou “risco real de contaminação de crianças”.

Na data da vistoria, no Pronto Socorro Infantil (PSI) somente um biombo separava as crianças infectadas ou com suspeita de contágio das demais internadas para tratamento de outras doenças.

Veja imagens da fiscalização (17/3):

Segundo a Secretária de Saúde do DF, a direção do hospital fez uma adaptação para receber os menores com ou sem Covid-19, dentro dos protocolos de segurança.

Após avaliação médica, as crianças com coronavírus passaram a ser encaminhadas ao Hospital Materno Infantil (Hmib), unidade referência do DF para os casos da doença entre o público infantil.

Portas fechadas

Para a coordenadora da Ação Conjunta, a presidente da Comissão de Direito à Saúde da OAB-DF, Alexandra Moreschi, nos casos de diagnostico ou suspeita de Covid-19, as crianças deveriam ir diretamente para o Hmib.

Nas demais situações, os pais deveriam buscar atendimento em outras unidades da rede pública. “Lá não tem capacidade para atender crianças”, reforçou. “E como a gente está vendo que essa nova cepa do vírus atinge de forma mais incisiva as crianças, o ideal é não enviá-las para lá”, justificou.

O documento também reafirmou problemas críticos no hospital, a exemplo da falta de pessoal, insumos e de espaços para separar os pacientes a fim de evitar a disseminação do vírus.

“É importante que façam urgentemente um plano de contingenciamento, para que possam dividir os pacientes que são Covid e não Covid”, alertou.

A força-tarefa Ação Covid-19 é composta por representantes da OAB-DF, do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF), do Sindicato dos Enfermeiros (SindEnfermeiro), do Conselho Regional de Serviço Social (Cress), do Conselho Regional de Psicologia (CRP), da Associação Brasileira de Enfermagem (Aben), além do deputado distrital Fábio Felix (PSol), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa (CLDF).

Outro lado

Segundo a pasta da Saúde, o novo  fluxo está funcionando perfeitamente, mantendo capacidade de atendimento de pronto-socorro às crianças de Brazlândia e região.

Sobre o déficit de pessoal, a pasta e argumentou que, entre março de 2020 e março de 2021, foram selecionados e convocados 4.327 profissionais, entre efetivos e temporários. Destes, 2.240 tomaram posse e entraram em exercício.

De acordo com a secretaria, houve a ampliação de carga horária de 1.794 servidores da área assistencial, além de outras medidas para reforçar as escalas.

“A direção do HRB reforça que não há falta de insumos nem de EPIs. Há equipes, diariamente, responsáveis por gerenciar esses insumos/EPIs, evitando desperdícios e perdas. É disponibilizada aos setores a quantidade necessária por período, com reposição dos estoques”, enfatizou a pasta em nota ao Metrópoles.

“A direção do HRB esclarece que uma pandemia que assola o Brasil de Norte a Sul, Leste a Oeste. Todos os hospitais estão trabalhando com sua capacidade máxima. O HRB ampliou alguns espaços para receber a maior demanda de pacientes”, complementou.

Conforme a secretaria, Brazlândia conta com o apoio do Hospital Regional da Ceilândia (HRC) e outros hospitais da rede, transferindo os pacientes de acordo com as vagas e necessidades.

 

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