Hospitais, UBS e postos de saúde do DF não têm mais papel higiênico

Segundo profissionais, desabastecimento está generalizado e coloca em risco o bem-estar de pacientes e das equipes

atualizado 16/08/2021 21:59

HRCIgo Estrela/Metrópoles

Falta papel higiênico e papel toalha em hospitais, unidades básicas de saúde (UBS) e postos do Distrito Federal. Mesmo com a ameaça do alastramento da variante Delta na pandemia de Covid-19 e o risco de infecções hospitalares, profissionais da área e pacientes não têm acesso aos itens básicos de higiene.

O Metrópoles conversou com servidores sobre a crise. Seus nomes serão mantidos em sigilo. Pelo diagnóstico dos trabalhadores, a situação é caótica. Sem os itens de limpeza pessoal, eles encontram dificuldades para limpar feridas e manipular a medicação dos doentes.

Empenhados na linha de frente do combate ao coronavírus, equipes de plantão levam papel higiênico de casa ou fazem vaquinha. Algumas acabam usando pacotes de gaze hospitalar para manter a higiene.

Profissionais com longa experiência na rede pública estão perplexos com a situação. Dizem já ter enfrentado desabastecimento de diversos insumos, mas esta é a primeira vez que vivenciam a escassez de papel higiênico e papel toalha. E, neste cenário, pacientes são forçados a improvisar nos banheiros.

A situação é mais crítica nas UBS e postos de saúde. No caso dos hospitais, o desabastecimento é menos agudo, mas, mesmo assim, incomoda. Segundo relatos, pequenos lotes dos insumos chegaram na segunda-feira (16/08), mas os estoques estariam longe do ideal.

Veja alguns pontos com falta de papel higiênico e papel toalha:

Todas as UBS de Ceilândia;

UBS 02 da Asa Norte;

Centro de Saúde 02 de Samambaia;

Centros de Atenção Psicossocial – (CAPs Ceilândia, CAPs do Setor Comercial, CAPs Taguatinga e no Hospital São Vicente de Paulo);

Hospital Regional de Ceilândia (HRC / Foto em destaque);

Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e

Hospital Regional do Guará (HRGu)

Denúncias

Em julho, a Coluna Grande Angular noticiou a falta dos itens de limpeza em Santa Maria. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa (CLDF) enviou ofício para a Secretaria de Saúde exigindo uma solução para o problema. A denúncia também foi encaminhada para apuração do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT).

“É um absurdo e principalmente uma falta de respeito com a população do DF o governo e a secretaria de saúde tratarem com tanto descaso a saúde da capital. A falta de insumos básicos de higiene comprometem toda a cadeia de atendimento”, pontuou o presidente da comissão, o deputado distrital Fábio Felix (PSol).

O Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (Sindate-DF) também cobra providências urgentes. Segundo a entidade, a presença destes itens nas unidades da rede pública é uma obrigação do Estado, principalmente durante uma pandemia.

Constrangedor

“Realmente tem sido até constrangedor para os servidores trabalharem, especialmente em um momento de campanha (contra a Covid-19). Alguns trabalhando nos finais de semana e além de tudo ter de levar papel higiênico de casa?”, disparou o diretor do Sindate, Newton Batista. “Essa realidade está em basicamente todo o DF. E os servidores é que estão carregando nas costas esta responsabilidade”, complementou o líder sindical.

Contrato

O Sindicato dos Enfermeiros (SindEnfermeiro-DF) também apura a questão. A instituição apresentou denúncia no Ministério Público do Trabalho (MPT). Na leitura da associação, a BRA Serviços não está conseguindo cumprir com o contrato.

O Conselho de Saúde do DF cobrou a regularização do abastecimento em julho deste ano. Segundo a presidente do conselho, Jeovânia Rodrigues, a Secretaria de Saúde afirmou que há atrasos no pagamento do contrato. “Mas a empresa tem encontrado dificuldades na aquisição regular dos itens”, completou.

Outro lado

O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Saúde sobre o caso. A pasta admitiu as falhas no abastecimento. Por nota, prometeu cobrar soluções da empresa BRA Serviços.

Leia a nota completa:

A Secretaria de Saúde informa que tem ocorrido falhas no abastecimento de material de higiene e limpeza pela BRA, empresa contratada pela Secretaria de Saúde. A secretaria ressalta que sempre que ocorre desabastecimento a empresa é cobrada, para providenciar o fornecimento dos materiais.

A reportagem também tentou contato com a BRA Serviços, por telefone e por e-mail. Não houve resposta. Caso a empresa deseje se manifestar, o espaço está aberto.

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