Homem que fez comentário racista e misógino em post da PCDF é indiciado
De acordo com as investigações, ele incitou ódio e desprezo em uma homenagem da PCDF ao Dia Internacional da Mulher

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) indiciou um homem de 41 anos por prática reiterada de crimes de ódio, envolvendo discriminação e preconceito racial, regional, de origem e de gênero, cometidos por meio das redes sociais.
De acordo com as investigações da Decrin, entre janeiro e março deste ano, o acusado, que é morador de Ceilândia (DF), publicou diversos vídeos e comentários contendo manifestações de cunho racista, misógino e discriminatório, direcionadas a pessoas negras, mulheres, nordestinos, mato-grossenses e mineiros.
Ainda segundo as diligências, no dia 8 de março – data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher – a PCDF divulgou, em sua página oficial em rede social, conteúdo destacando a importância da atuação das mulheres policiais no enfrentamento à criminalidade.
Na mesma data, o investigado utilizou seu perfil para publicar comentários criminosos na postagem, incitando ódio e desprezo contra mulheres policiais e promovendo discriminação e preconceito relacionados à cor de uma delas.
As investigações confirmaram a titularidade da conta utilizada para a prática criminosa, sendo reunidos elementos probatórios suficientes para comprovar a autoria e a materialidade dos fatos.
Também foi revelado que o autor tem histórico de envolvimento em ocorrências semelhantes, registradas em diversas delegacias do DF, demonstrando habitualidade na prática de crimes de ódio.
Durante o curso das diligências, a PCDF chegou a solicitar a prisão preventiva do investigado, além de um mandado de busca e apreensão de equipamentos eletrônicos em sua residência, mas os pedidos não foram deferidos pela Justiça.
“A gente entende que isso é falta de letramento, pois se trata de um crime grave, ainda mais por ele ter utilizado a internet, que replica muito mais rápido esse tipo de prática. Mas o trabalho da PCDF foi feito”, disse a delegada-chefe da Decrin, Ângela Maria dos Santos, ao Metrópoles.
Com o término das investigações, o homem foi indiciado duas vezes pela prática de injúria racial e outras cinco pelo fato de que o acusado utilizou as redes sociais para cometer o crime.
O inquérito foi encaminhado à Justiça e ao Ministério Público nessa segunda-feira (22/6), para as providências cabíveis. Em caso de condenação, ele poderá sofrer uma pena de reclusão de 14 a 60 anos, considerando a soma das condenações.

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