Grupo que furtava caminhonetes de luxo no DF mantinha relação com o CV

Policiais civis da Corpatri deflagraram uma megaoperação para combater furtos de caminhonetes no Distrito Federal

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação/PCDF
megaoperacao
1 de 1 megaoperacao - Foto: Divulgação/PCDF

A polícia revelou que há indícios que grupo especializado no furto qualificado de caminhonetes de luxo, que foi alvo de uma megaoperação da Polícia Civil do DF (PCDF), mantinha relação com o Comando Vermelho (CV). A informação foi divulgada ao Metrópoles pelo delegado Konrad Rocha, Diretor da Divisão de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos I (DFRV I).

Veja vídeo da ação da PCDF durante a megaoperação:

Segundo o delegado, o Comando Vermelho aparecia como uma espécie de financiador dos crimes.

“Há veementes indícios que apontam que o Comando Vermelho identificou esse nicho de atuação e vem patrocinando a prática desse crime”, revelou Konrad. Somente no Distrito Federal, 53 caminhonetes foram furtadas em 2025.

Policiais civis da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri) deflagraram, na manhã desta terça-feira (3/2), a Megaoperação Império, que resultou na desarticulação de uma sofisticada organização criminosa com atuação nos estados do Ceará, Goiás e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal.

Até o momento, foram efetuadas 37 prisões e seis suspeitos ainda estão foragidos, de acordo com informações da Corpatri. Os mandados foram cumpridos nos quatros estados onde a PCDF identificou a atuação da organização criminosa.

Também foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão e 18 mandados de sequestro cautelar de bens móveis, imóveis, valores e ativos financeiros. O bloqueio patrimonial alcança o montante de R$ 15,9 milhões, valor equivalente ao prejuízo causado pelos 53 furtos de caminhonetes registrados entre janeiro e dezembro de 2025.

Entre os alvos estão três dos principais líderes da organização criminosa, responsáveis pela coordenação das atividades ilícitas, articulação entre os núcleos regionais e gestão logística das ações.

Esta fase da operação teve como objetivo não apenas prender os investigados da organização criminosa, mas também o enfraquecimento financeiro da cúpula do grupo, por meio do sequestro cautelar de bens e ativos obtidos com a prática criminosa.

Onde atuavam

O delegado informou que os grupos atuavam em várias regiões administrativas, mas com foco no Plano Piloto.

“Eles se instalavam em Samambaia e Ceilândia, mas a prática dos crimes ocorria em praticamente todas as regiões administrativas do DF, com uma preponderância em áreas nobres próximas ao Plano Piloto. O Plano Piloto passou a ser o local de maior prática desses delitos”, explicou.

De acordo com as investigações, os criminosos estudavam o melhor horário e local para cometerem os furtos. “Eles faziam todo um diagnóstico da situação para ferir o momento mais conveniente e oportuno para a prática desses crimes. Costumavam praticar esses crimes de estacionamentos públicos nas imediações de hospitais, onde eles acompanhavam a vítima desembarcando do veículo e sabiam que ali ela permaneceria por um período considerável de tempo, então não era uma escolha aleatória, muito pelo contrário, eles atuavam de forma estratégica na escolha, tanto do veículo como do momento de agir”, contou.

As caminhonetes eram levadas para outras unidades da federação, onde eram desmontadas e desmanchadas e comercializadas. “As caminhonetes tinham suas peças, itens e componentes comercializados no mercado escuro e clandestino, tanto no ambiente físico como no virtual e em outra forma de destinação que também preponderava, era o transporte para unidades da federação que fazem fronteira com países vizinhos responsáveis”, disse o delegado Konrad.


Mais detalhes:

  • As condutas apuradas no âmbito da Operação Império envolvem o crime de furto qualificado de veículos.
  • As investigações também identificaram uma estrutura criminosa estável e hierarquizada, o que fundamentou a imputação do crime de organização criminosa.
  • Além disso, foram constatados indícios de lavagem de dinheiro, mediante a utilização de recursos provenientes dos furtos.
  • Em seguida, a reinserção no sistema econômico formal.
  • Os veículos subtraídos eram sistematicamente adulterados, com supressão ou alteração de sinais identificadores, prática tipificada no artigo 311 do Código Penal.

A investigação

As investigações, conduzidas ao longo de 11 meses, revelaram uma organização criminosa altamente estruturada, com divisão de tarefas, planejamento minucioso e modus operandi padronizado, demonstrando estabilidade e atuação reiterada. Os veículos furtados eram previamente encomendados e destinados a dois principais fins ilícitos:

  • Desmanche e comercialização ilegal: os automóveis eram levados a oficinas formalmente constituídas, onde eram desmontados de forma rápida e estratégica.
  • As peças eram vendidas em lojas físicas e, principalmente, por meio de plataformas digitais de comércio eletrônico.
  • Tráfico transnacional: parte das caminhonetes era encaminhada para regiões de fronteira com a Bolívia e o Paraguai, onde era utilizada como moeda de troca por grandes quantidades de drogas destinadas ao abastecimento do mercado ilegal brasileiro.

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?