Grilagem de terra. Servidor do gabinete de Telma Rufino é alvo da PCDF

Operação Generous investiga grupo criminoso que invade e vende terras públicas

Andre Borges/Especial para o MetrópolesAndre Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 12/06/2019 17:35

Investigadores da Delegacia do Meio Ambiente (Dema) cumpriram mandado de buscas no gabinete da deputada distrital Telma Rufino (Pros), na manhã desta quarta-feira (12/6/2019), na Câmara Legislativa. A busca ocorre no âmbito da Operação Generous, que investiga organização criminosa especializada na invasão, grilagem e venda de terras públicas no DF. O alvo da ação é o assessor de gabinete Rogério Barbosa Carneiro.

Os policiais apreenderam a folha de ponto do servidor. O Metrópoles apurou que a operação não investiga nenhum parlamentar, apenas servidores. Carneiro, segundo a PCDF,  tinha acesso a informações privilegiadas que antecipavam as ações de derrubadas promovidas pela DF Legal.

De acordo  com fontes ouvidas pela reportagem, a Dema cumpre 11 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão. As apurações ainda identificaram a participação de funcionários públicos que repassavam informações sobre operações de combate às invasões e construções irregulares, permitindo que os criminosos se articulassem na tentativa de impedir as derrubadas promovidas desde o inicio do ano.

Na tarde desta  quarta, Telma Rufino decidiu exonerar Rogério Carneiro. “Acerca da operação realizada, cumpre-nos esclarecer que não existe qualquer vínculo com a atividade parlamentar da deputada distrital. A ação é de caráter pessoal, direcionada a um servidor específico, que já está sendo exonerado para que a Justiça cumpra seu papel de julgar”, disse a assessoria da parlamentar.

As investigações feitas no âmbito da Operação Generous identificaram que o grupo fazia o parcelamento irregular do solo em diversas localidades do Distrito Federal e, atualmente, agia na região da Granja Modelo, no Riacho Fundo I. A PCDF ressalta ainda que a organização criminosa possui estrutura hierárquica, com tarefas definidas entre seus membros.

Os líderes da quadrilha apresentavam-se como proprietários das terras que, na realidade, são públicas e pertencem à Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). “Os lotes estão inseridos em uma importante área de preservação ambiental destinada à garantia da diversidade biológica da fauna e da flora locais, bem como à preservação da qualidade dos recursos hídricos disponíveis”, explicou a delegada adjunta da Dema, Mariana Almeida.

 

De acordo com as apurações, alguns membros da organização criminosa eram incumbidos da elaboração de documentos falsos com intuito de conferir aparente legalidade às vendas de lotes. Outros ficavam responsáveis pela demarcação de terrenos, realização de edificações e vendas dos lotes.

Ainda segundo os investigadores, os suspeitos cometeram crimes de extorsão e ameaça contra pessoas que se sentiram lesadas com a negociação de lotes na região. Os acusados respondem por associação criminosa, parcelamento irregular do solo, dano ambiental, falsificação de documentos, extorsão e ameaça.

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