Fugitivos do Paraguai são comparsas de líder do PCC preso no DF

Sérgio de Arruda Quintiliano, o “Minotauro”, está no Presídio Federal de Brasília sob forte esquema de segurança

atualizado 20/01/2020 7:03

Igo Estrela/Metrópoles

Aliados do traficante brasileiro Sérgio de Arruda Quintiliano, o “Minotauro”, um dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), preso em fevereiro de 2018 pela Polícia Federal brasileira, estão entre os 76 detentos (*) que fugiram do presídio de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, na madrugada deste domingo (19/01/2020). Considerado da alta cúpula da organização criminosa, “Minotauro” é mantido no Presídio Federal de Brasília, assim como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Do total de fugitivos, pelo menos 40 são brasileiros. Segundo o Ministério da Justiça do país vizinho, os presos deixaram os dois pavilhões da penitenciária por um túnel de 25 metros, mas não se descarta o envolvimento de responsáveis pela segurança do presídio na fuga em massa.

“Minotauro”  foi indicado ao posto de liderança do PCC por Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, considerado o principal sócio em investimentos e propriedades de Marcola no Paraguai. Fuminho também é apontado como o responsável por um possível plano de resgate do Marcola em Brasília, revelado pelo Metrópoles em janeiro.

Antes de ser preso pela Polícia Federal durante a Operação Tseu, da PF, “Minotauro” estava à frente da guerra do PCC contra facções rivais pelo controle do tráfico de drogas e armas na fronteira entre os dois países. O traficante brasileiro foi encontrado em fevereiro de 2019, em Balneário Camboriú, litoral de Santa Catarina, região onde agia.

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A entrada dele no PCC ocorreu em 2005, quando tentou matar a tiros um coronel da Polícia Militar de Hortolândia (SP). Em 2018, foi acusado de organizar a execução de um investigador do Paraguai em Ponta Porã (MS), identificado como Wescley Vasconcelos Dias, 37 anos.

No DF, porém, está sob forte e sofisticado esquema de vigilância e segurança 24 horas no Presídio Federal de Brasília. Devido à periculosidade que representa, recebe uma atenção especial das autoridades federais.

A segurança é reforçada com a intensa atuação da unidade especializada no combate às facções da Polícia Civil do DF (PCDF), a Divisão de Repressão a Facções Criminosas (Difac).

Segurança máxima
A penitenciária de Brasília foi inaugurada em outubro de 2018. Os três primeiros detentos a ocuparem o local integram o PCC. Conta com 50 celas individuais erguidas em uma estrutura de concreto armado e monitorada 24 horas por dia.

Na unidade prisional, que fica no Complexo Penitenciário da Papuda, há circuito de câmeras com transmissões em tempo real, além de sensores de movimento e alarmes. Segundo o Departamento Penitenciário (Depen), o sistema conta com equipamentos capazes de identificar drogas e explosivos nas roupas dos visitantes, detectores de metais e sensores de presença, entre outras tecnologias.

Cada preso fica em uma cela individual de 6 m² e tem direito a duas horas de banho de sol por dia. Advogados e amigos podem visitar os detentos no parlatório, enquanto os familiares têm acesso ao pátio. É proibida a entrada de televisores, rádios e qualquer outro tipo de comunicação externa.

Os presídios federais cumprem determinações da Lei de Execução Penal (LEP) e começaram a ser construídos em 2006. As unidades recebem detentos, condenados ou provisórios, de alta periculosidade. O isolamento individual é destinado a líderes de organizações criminosas, presos com histórico de crimes violentos, responsáveis por fugas e rebeliões, réus colaboradores e delatores premiados.

Além da Penitenciária Federal de Brasília, existem outras quatro de segurança máxima no país: Catanduvas (PR), Mossoró (RN), Campo Grande (MS) e Porto Velho (RO).

(*) Número atualizado no fim da tarde deste domingo (19/01/2020)

 

 

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