Frentista que participou de esquema milionário lucrou apenas R$ 200
Segundo as investigações, ele atuava como “laranja”, ocultando os verdadeiros responsáveis pelo esquema financeiro da organização criminosa

Apontado como laranja em esquema milionário de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, o frentista Yago César dos Santos Ferreira disse em depoimento à polícia que teria lucrado somente R$ 200 ao vender seus documentos para pessoas ligadas à organização criminosa.
A Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), informou que, no momento da prisão temporária executada nesta quinta-feira (19/3), a residência de Yago César, localizada na periferia de Goiânia (GO), estava sem energia por falta de pagamento.

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Ver todasSegundo as investigações, ele atuava como “laranja”, ocultando os verdadeiros responsáveis pelo esquema financeiro da organização criminosa.
O frentista levava uma vida aparentemente simples, trabalhando em um posto de combustíveis da cidade. Apesar da baixa renda declarada, Yago figura como proprietário de dez empresas, todas utilizadas, segundo a investigação, para movimentar grandes quantias provenientes do tráfico de cocaína e haxixe.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFYago é um dos nove alvos de mandados de prisão temporária no âmbito da Operação Resina Oculta, deflagrada nesta quinta-feira (19/3), pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Operação Resina oculta
- Deflagrada nas primeiras horas desta quinta-feira (19/3), a operação revelou um dos mais sofisticados esquemas de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro já identificados na capital do país.
- A ação da Polícia Civil do DF (PCDF) escancarou uma engrenagem criminosa milionária que utilizava empresas de fachada, “laranjas” e plataformas ilegais de apostas, as chamadas bets, para “limpar” montanhas de dinheiro amealhadas com a venda de haxixe, skunk e cocaína.
- Embora os investigadores não tenham revelado o nome das bets suspeitas, o Metrópoles apurou se tratar de empresas menores, clandestinas e sem expressão no mundo das apostas virtuais.
- A ofensiva mobilizou agentes no DF, Goiás, Maranhão e Amazonas para o cumprimento de 41 mandados de busca e apreensão e nove de prisão.
- Remessas milionárias eram enviadas regularmente para a região Norte do país, especialmente para cidades estratégicas próximas a áreas de fronteira. Cidades como Manaus surgiram como pontos-chave da engrenagem financeira, funcionando como polos de redistribuição e ocultação dos valores ilícitos.
- O Judiciário determinou o bloqueio de contas de 50 pessoas jurídicas, com um limite de até R$ 15 milhões por empresa, além do sequestro de sete veículos de luxo.
O grupo operava como um entreposto de drogas, concentrando grandes quantidades de entorpecentes antes de redistribuí-los para traficantes de menor escala responsáveis pela venda direta ao consumidor final.
Com o avanço das técnicas de inteligência, incluindo cruzamento de dados e análise financeira, os investigadores conseguiram mapear o fluxo de dinheiro da organização criminosa.
Os valores movimentados chamaram a atenção: remessas milionárias eram enviadas regularmente para a região Norte do país, especialmente para cidades estratégicas próximas a áreas de fronteira. Cidades como Manaus surgiram como pontos-chave da engrenagem financeira, funcionando como polos de redistribuição e ocultação dos valores ilícitos.
Prisões no Distrito Federal
No Distrito Federal foram cumpridas quatro prisões temporárias, sendo um deles o operador financeiro, que organizava toda logística do esquema, e outros três presos em flagrante com armas e drogas.
Um dos presos foi flagrado com 19 placas de haxixe em uma mansão no Grande Colorado, em Sobradinho (DF). O local era usado apenas para guardar as drogas e não havia nenhum móvel dentro da residência. A mansão era um dos centros de distribuição da droga para traficantes médios do Distrito Federal.
O dinheiro da organização no Distrito Federal teria também sido enviado para uma loja de calçados no Maranhão.
A Operação Resina Oculta revelou uma organização criminosa altamente estruturada, que unia tráfico de drogas, empresas de fachada e tecnologia digital para movimentar milhões em todo o país — tendo como uma de suas figuras mais emblemáticas o jovem frentista que, no papel, era dono de um verdadeiro império empresarial.
Pelo menos 29 pessoas ligadas ao tráfico utilizavam o mesmo sistema financeiro para ocultação de valores.
A ação policial cumpriu:
- 41 mandados de busca e apreensão.
- Nove mandados de prisão.
- Bloqueio de contas de 50 empresas e 12 pessoas físicas.
- Limite de até R$ 15 milhões por alvo.
- Sequestro de veículos de luxo.
A PCDF aponta que o esquema envolvia dezenas de pessoas e uma estrutura sofisticada de circulação de dinheiro do tráfico. Novas fases da operação não estão descartadas. A Operação Resina Oculta segue em andamento e busca desarticular completamente a rede criminosa que atuava em vários estados do país.



