Fiscalização tímida faz eventos com aglomeração migrarem de chácaras para o Lago Paranoá

No último dia 12, um locutor em uma grande embarcação zombava da pandemia "Quero dizer pra vocês que achei achei a cura pr Covid"

atualizado 15/01/2021 0:31

festa no lagoReprodução

Com a Ponte JK ao fundo, o convite para a festa clandestina no Lago Paranoá é feito pelo microfone, do alto de uma embarcação. O locutor, em tom de deboche, diz ter encontrado a cura para o novo coronavírus, doença responsável por matar 4,3 mil pessoas e infectar 258 mil no Distrito Federal. Sem máscaras ou qualquer tipo de proteção, dezenas de jovens se aglomeraram em lanchas para curtir um evento que começou na tarde de terça-feira (12/1) e só terminou quando anoiteceu.

O Metrópoles teve acesso a imagens que mostram uma embarcação de dois andares com muitos homens e mulheres à bordo. Despreocupado, o responsável pela animação zomba e sugere que a Covid-19 não assusta. “Quero dizer pra vocês que achei a cura pro Covid, beleza? [sic]”.

O locutor permanece falando e dispara: “É a revoada rápida. Quanto mais revoada, mais o pessoal pega [o coronavírus] rápido e nós acaba com isso logo, porque eu não tô aguentando mais. Quem tá afim de tomar cachaça hoje? [sic]”, pergunta. Em seguida, varias lanchas menores e lotadas de tripulantes param ao redor da embarcação.

Despistando a polícia

A reportagem apurou que o aperto ao cerco promovido pelas polícias Militar e Civil, além da secretaria DF Legal, às festas clandestinas realizadas no DF fez com que alguns organizadores migrassem os eventos para as águas do Lago Paranoá, onde a fiscalização é menor. “Antes, os ocupantes das lanchas faziam suas próprias festas, mas eram pequenas e envolviam apenas os passageiros. Agora, já existe notícia de eventos grandes, com o pagamento de ingressos e grande aglomerações”, disse uma fonte que trabalha em uma marina.

Nas últimas semanas, uma série de embarcações foram flagradas sendo usadas para abrigar grandes eventos. Um deles ocorreu na noite de Réveillon. Na última noite de 2020, um barco de três andares foi visto promovendo festa no Lago Paranoá. Os convidados estavam sem máscaras, assim como os responsáveis por servir bebidas.

Na ocasião, o barco navegou pelo lago, pelo menos, desde as 18h. Permaneceu no cais próximo ao restaurante Coco Bambu por cerca de alguns minutos, onde embarcaram mais passageiros vestidos de branco e levando bebidas.

Marinha atua

O Metrópoles procurou a Marinha para saber como ocorre a fiscalização de festas com aglomerações no Lago Paraná. De acordo com a assessoria da força militar, os decretos relativos à pandemia não integram as atribuições previstas na Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (Lesta).

Ainda assim, os militares têm aproveitado as abordagens durante as inspeções navais para instruir os ocupantes das embarcações sobre as ações de prevenção ao Covid-19.

A Marinha informou, ainda,  que o proprietário da embarcação central do evento, que aparece nas imagens, foi notificado para comparecer à Capitania Fluvial de Brasília a fim de prestar os devidos esclarecimentos.

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