Festival de Jornalismo do Prêmio Engenho discute o papel da IA nas redações
Em painel de abertura, editores de Metrópoles e da Folha de S.Paulo defenderam a sensibilidade humana como o diferencial do jornalismo

Começou nesta quarta-feira (27/5), o 2° Festival de Jornalismo do Prêmio Engenho. Com foco no impacto e nas transformações da Inteligência Artificial (IA) na comunicação, o painel de abertura trouxe a “Roda de Conversa IA no Jornalismo”, que reuniu Luiz Prisco, diretor de performance do Metrópoles, e Dani Braga, editora de IA na Folha de S.Paulo.
O debate central girou em torno do uso da tecnologia nas redações. O painel discutiu e abordou como grandes veículos brasileiros incorporam a tecnologia de maneiras diferentes.
Luiz Prisco revelou que, no Metrópoles, a tecnologia é utilizada de forma espontânea, muito impulsionada pelo perfil jovem e dinâmico da redação. “O Metrópoles usa a IA de uma maneira intuitiva e orgânica. Ela está presente no nosso dia a dia, como ferramenta para auxiliar a produção do conteúdo”, revelou Prisco.
Tecnologias como o Gemini e NotebookLM fazem parte do ecossistema natural dos repórteres para otimizar processos como a elaboração de pautas, transcrição de vídeos, confecção de títulos e artes.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFApesar das facilidades técnicas apresentadas, os palestrantes concordaram que o verdadeiro valor do jornalismo do futuro reside na sensibilidade humana para quebrar a previsibilidade das máquinas.
Prisco deixou uma provocação direta aos estudantes de jornalismo presentes no auditório sobre a sobrevivência no mercado de trabalho:
“O diferencial para mim está no que a gente vai conseguir trazer de humanidade. A grosso modo, a IA é um grande banco de dados que tira padrões. E talvez o grande charme do jornalismo, o grande diferencial do jornalismo, seja desafiar os padrões, seja buscar o que não está no padrão, seja olhar pro outro lado”, alertou o diretor do Metrópoles.
Dani Braga compartilha dessa visão, enfatizando que a IA carece de complexidade, ambiguidade e empatia. Citando o escritor britânico Ian McEwan, a editora relembrou que os algoritmos não possuem um corpo físico ou sentimentos reais.
“Não importa se é no impresso, no site ou no aplicativo. O que importa é que hoje é o Humano First. A IA entra para automatizar tarefas cotidianas para que o jornalista não desvie o foco do mais importante: a apuração. A IA ainda não corre atrás do novo”, pontuou Dani.
Sobre o festival
A diretora do Prêmio Engenho e idealizadora do festival, Kátia Cubel abriu o evento destacando a longa trajetória de planejamento do projeto e a importância da colaboração com o meio acadêmico, reforçando o compromisso dos estudantes com o amanhã.
“A curiosidade e o inconformismo movem o mundo. Só criaram o fogo porque alguém sentiu frio, e não queriam ficar na caverna. Crie também novas labaredas para iluminar e para gerar inovação, conhecimento e jornalismo de qualidade. Duvidem! Curiosidade, dúvida, inconformismo são para que vocês também contribuam para novas mudanças”, declarou Kátia.
Idealizado para ser um espaço de troca profunda entre o mercado e a academia, o festival estende-se até a quinta-feira (28/5), reunindo 20 palestrantes de diferentes veículos de comunicação do país.
A solenidade de abertura contou com a presença de diversas autoridades e representantes institucionais, incluindo Adauto Soares (Unesco), Ana Fraga (Secom da Presidência da República), Marco Sueci (diretor regional do Senai-DF e superintendente regional do Sesi-DF), Daniella Goulart (coordenadora do curso de jornalismo do Iesb), Patrícia Blanco (Instituto Palavra Aberta e Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional) e Ricardo Alcântara (Caixa).




















