Feira dos Importados: lojistas atingidos por incêndio retomam vendas
Após o incêndio que destruiu 27 boxes no Bloco C da feira, 13 lojistas foram acomodados provisoriamente no corredor central
atualizado
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Após o incêndio que destruiu 27 boxes no Bloco C da Feira dos Importados (FIB), os lojistas atingidos retomaram as vendas após serem realocados em outros espaços enquanto aguardam a reforma. Cerca de 13 feirantes foram acomodados, provisoriamente, no corredor central do complexo desde a última quinta-feira (14/5).
O comerciante Leonardo Teixeira do Vale, proprietário da loja Do Vale Multimarcas, foi um dos mais afetados pela destruição causada pelo fogo. Entre as 27 bancas que foram totalmente consumidas pelas chamas, sete pertenciam a ele. Leonardo soube do incidente quando um amigo feirante lhe telefonou por volta das 6h da manhã no dia 11 de maio, quando ocorreu o incêndio.
Realocação para corredor central
Na sexta-feira (15/5), Leonardo foi realocado para o corredor principal. Com araras e alguns manequins, ele reergueu o negócio apesar da perda da maior parte do estoque.
“Juntei algumas coisas que eu tinha e que estavam guardadas fora das lojas. Estou recomeçando com essa estrutura aqui e estou firme”, relatou o comerciante.
Já a comerciante Geovana Temp, administrava duas lojas: uma banca de bordados computadorizados, que teve uma máquina danificada, e uma outra unidade que foi completamente destruída. Geovana passou os últimos dias limpando a sujeira e a fuligem causadas pelo incêndio. Também aproveitou para montar sua operação no corredor central, onde voltou a atender o público desde o último domingo (17/5).
Na terça-feira (19/5), ela recebeu orçamento para conserto da sua máquina de bordar, avaliada em R$ 50 mil. Ela conta que parte lógica do equipamento não foi afetada, mas toda a estrutura plástica externa derreteu, o que exigirá a importação de peças exclusivas.
Desgaste psicológico
Para além dos prejuízos financeiros e logísticos, os lojistas enfrentam o desgaste psicológico de ver o trabalho de anos “virar fumaça”. Nesse momento de reconstrução, relatos dos comerciantes destacam a solidariedade e a resiliência para seguir em frente.
Leonardo, que enfrentou a Covid-19 em 2021 e passou 17 dias internado na UTI, agora precisa lidar com o impacto emocional do incêndio.
Apesar do abalo, ele ressalta que sua fé continua inabalável.
“A gente vai levando, um dia de cada vez. Deus conforta e ampara. Vamos conversando uns com os outros e temos muitos amigos ligando para nos transmitir palavras de fé. Tenho certeza que vai dar certo”, afirmou Leonardo.
Susto e prejuízo
Para Josué, proprietário da JP Eletrônicos, o pior momento foi o impacto inicial do susto e do prejuízo: “Já tive pior. Agora, a sensação de desespero está melhorando. A ficha caiu e não há o que fazer. É uma história, praticamente uma vida inteira de dedicação. Do nada, perdemos tudo.”
Ao relembrar os dias que sucederam a tragédia, Geovana também descreve a dor da perda. “Sobraram algumas coisas, mas tirar a parte queimada foi como viver um luto. Fazer a triagem do que sobrou não foi fácil.”
Mesmo diante das dificuldades, ela pede ao público que não deixe de frequentar o local.
“Pedimos que as pessoas continuem prestigiando a feira. Quem trabalha aqui está pronto para receber todo mundo com muito amor”, convidou a feirante.
Vaquinha solidária
Leonardo reforça que a prioridade agora é a união por meio de uma vaquinha solidária unificadacriada para amparar as 27 famílias afetadas e seus respectivos funcionários.
Segundo o empresário, a iniciativa partiu dele e ganhou o apoio da Luart Calçados e da Cooperfim (Cooperativa dos Empresários da Feira dos Importados de Brasília).
“Graças a Deus que ninguém morreu . Não tivemos nenhuma vítima e isso nos acalenta. A vida não tem preço, já os bens materiais, a gente recupera”, refletiu o comerciante.













