Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

Farmacêutico de UBS morre e milhares de pacientes ficam sem remédios

Ausência de profissionais levou ao fechamento temporário de farmácias em UBSs de Brazlândia e do Paranoá

31/07/2026 04:00, atualizado 31/07/2026 21:25
Luisa Rany/Metrópoles
Farmacêutico de UBS morre e milhares de pacientes ficam sem remédios

Quem precisa retirar medicamentos nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Brazlândia e do Paranoá tem enfrentado dificuldades por causa da falta de farmacêuticos nas unidades. Em um dos casos, a farmácia está fechada desde a morte de um servidor. Já no outro, os pacientes foram orientados a procurar outras unidades após o afastamento da profissional responsável, por licença médica.

Farmacêutico de UBS morre e milhares de pacientes ficam sem remédios - destaque galeria
2 imagens
Pacientes do Paranoá são orientados a procurar outras unidades para atendimento
UBS 1 de Brazlândia está temporariamente fechada
1 de 2

UBS 1 de Brazlândia está temporariamente fechada

Luisa Rany/Metrópoles
Pacientes do Paranoá são orientados a procurar outras unidades para atendimento
2 de 2

Pacientes do Paranoá são orientados a procurar outras unidades para atendimento

Reprodução/@paranoareels

Na UBS 1 de Brazlândia, a farmácia está fechada temporariamente desde o falecimento de um dos farmacêuticos, em 18 de julho. Segundo relatos de pacientes, a unidade permanece sem reposição do profissional e quem precisa retirar medicamentos, inclusive de uso controlado, tem encontrado as portas da farmácia fechadas.

Em nota, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que, das nove Unidades Básicas de Saúde de Brazlândia, apenas a UBS 1 está com o serviço de dispensação de medicamentos temporariamente suspenso após a vacância dos dois farmacêuticos que atuavam na unidade.

“Nas demais UBSs da região, o atendimento segue inalterado. A SES-DF está adotando medidas para restabelecer o serviço na UBS 1 por meio de remanejamento interno de profissionais”, informou a pasta.

Nas redes sociais, pacientes relataram dificuldades para retirar medicamentos na unidade em questão. Uma usuária contou que foi buscar um remédio controlado na semana passada e recebeu a informação de que o farmacêutico havia falecido.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF

“Estão aguardando a secretaria [de Saúde] mandar outro farmacêutico. O que é um absurdo. Lembrando que eram dois funcionários que atendiam nessa farmácia”, escreveu.

Uma terceira usuária relatou que a irmã tentou pegar o medicamento controlado do filho diversas vezes, mas não conseguiu. “Nunca tem ninguém, tem que adivinhar o dia que vai funcionar. Essa semana ela foi na terça-feira e na quarta-feira falaram que só amanhã. Vamos ter mais empatia pelo próximo. Cadê o responsável pela população?”, escreveu.

A secretaria afirmou, ainda, que a rede pública de saúde conta com mais de 700 farmacêuticos, totalizando quase 26 mil horas semanais de atuação.

Segundo a pasta, nos casos de afastamento por férias, licença médica, exoneração ou falecimento, são adotadas medidas como o remanejamento de profissionais de outras unidades e a adequação dos fluxos de trabalho para atender às demandas internas.

“Quando essas medidas não são suficientes, os usuários são direcionados para outras unidades da rede. No momento, não há disponibilidade de pessoal para substituição imediata de servidores farmacêuticos afastados“, acrescentou a SES-DF.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Situação semelhante no Paranoá

Na última semana, pacientes da UBS 1 do Paranoá também enfrentaram dificuldades para retirar medicamentos. Com a farmacêutica da unidade afastada por licença médica, os usuários passaram a ser orientados a procurar outras farmácias da rede, como as do Paranoá Parque, Itapoã e São Sebastião.

Segundo a SES-DF, a farmácia da UBS 1 está temporariamente fechada em razão do afastamento do farmacêutico responsável e o retorno do profissional está previsto para agosto.

“Para garantir a continuidade da assistência, houve adequação dos processos de trabalho das Equipes de Saúde da Família para manter a distribuição dos medicamentos destinados aos pacientes atendidos na própria unidade. As demais demandas estão sendo direcionadas para outras farmácias da região”, informou a pasta.

A secretaria acrescentou que os insumos destinados ao acompanhamento dos pacientes, como glicosímetros, fitas reagentes e materiais para curativos, continuam sendo entregues diretamente pelas equipes de referência da unidade para evitar desassistência.

Déficit de servidores

O Sindicato dos Farmacêuticos do Distrito Federal (Sindifar-DF) destacou que o episódio evidencia a fragilidade da estrutura da Assistência Farmacêutica da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), que é marcada pelo déficit de mais de 1,2 mil profissionais, sobrecarga e ausência de planejamento.

“É inadmissível que a ausência de um único farmacêutico seja suficiente para interromper um serviço essencial à saúde pública. […] O déficit aumenta mais ainda nas regiões mais carentes do DF, quais sejam Brazlândia, Paranoá, Sobradinho e Planaltina”, afirmou em nota.

A categoria também destacou que não há concurso público para a especialidade desde 2018 e que os profissionais enfrentam dificuldades para ampliar a carga horária. “A SES-DF não libera a ampliação de carga horária de 20h para 40h para mais de 100 farmacêuticos que pediram via processo. Isso impactaria positivamente a assistência farmacêutica no DF”, reforçou.

Na nota, a categoria também pede que a “SES-DF adote, com urgência, medidas efetivas para recompor o quadro de farmacêuticos, concurso público e implementação de um plano permanente de contingência que assegure a continuidade da assistência farmacêutica em todas as unidades de saúde do Distrito Federal”.

Já o Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnfermeiro-DF) afirmou que a dificuldade enfrentada pela população para retirar medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde é mais um reflexo da crise de recursos humanos vivida pela Secretaria de Saúde.

“Embora a falta de farmacêuticos seja um problema importante, ela não pode ser analisada de forma isolada. O déficit atinge praticamente todas as categorias da saúde e compromete o funcionamento de toda a rede pública”, afirmou a entidade.

Segundo o sindicato, a Secretaria de Saúde enfrenta um déficit de aproximadamente 25 mil servidores, incluindo mais de 2 mil enfermeiras e enfermeiros.

Para a entidade, essa carência sobrecarrega as equipes, aumenta o tempo de espera por atendimento e dificulta o acesso da população a serviços essenciais, como a dispensação de medicamentos.

“Quando faltam profissionais, todo o fluxo da unidade é prejudicado. O cidadão enfrenta filas maiores e demora para ser atendido. Não se trata apenas da falta de um profissional específico, mas de um problema estrutural que exige recomposição urgente da força de trabalho”, acrescentou.