Familiares dão adeus a Drielle, morta com 59 facadas: “Revoltante”

Corpo de Drielle Ribeiro foi velado e sepultado nesta quarta-feira, no cemitério Campo da Esperança de Taguatinga

atualizado 08/12/2021 17:48

Enterro de Drielle Ribeiro, vítima de feminicídio no DFArthur Menescal/Especial Metrópoles

Em um misto de luto e revolta, familiares e amigos de Drielli Ribeiro da Silva se reúnem no cemitério de Taguatinga, onde o corpo da dona de casa é velado e será sepultado, na tarde desta quarta-feira (8/12). Ela foi brutalmente assassinada, com 59 facadas, e teve o corpo abandonado próximo a uma estação de metrô, em Samambaia.

Drielle era vítima de perseguições do ex-companheiro Juvenilton.

“É revoltante. Uma mulher tão nova, com filho pequeno, ser assassinada desse jeito por um monstro”, lamenta a prima de Drielle, Karine Victoria Oliveira da Silva, 21 anos. A vítima tinha 34 anos e deixa um filho, de 7. O menino acompanhou de perto o velório da mãe e permaneceu a cerimônia inteira próximo ao caixão, inconsolável. “Foi desesperador. A gente pensou que era mentira, mas infelizmente, desta vez, é nossa família que está passando por essa situação”, disse Karine, prima da vítima. “Espero que a justiça seja feita”, completa.

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O homem acusado de matar Drielle é Juvenilton Aquino Costa, 36. Ele foi preso na manhã desta quarta, após quatro horas de negociação com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A corporação aguarda o resultado da autópsia para saber se a vítima estava grávida de um segundo filho.

Com a voz embargada, sendo amparada por familiares, a mãe de Drielle, Anita Ribeiro da Silva, 57, ficou o tempo inteiro perto do corpo da filha. “É um momento muito doloroso para mim e para minha família. Quero agradecer todo mundo que está aqui”, disse, no momento do sepultamento.

Ana Paula Da Silva Portela, 31, outra prima de Drielle, ainda está em choque com a notícia. “Foi um baque para a gente. A ficha ainda não caiu”, relembra.

Uma colega de Drielli, que pediu para não ser identificada, também acompanhava a cerimônia fúnebre e conta que para a vítima não tinha “tempo ruim”. “Ela era parceira, alegre, tinha um coração gigante. Sempre que alguém precisava, ela pedia ajuda para os colegas”, relembra.

O crime

O Metrópoles apurou que o acusado fugiu do local onde desovou o corpo da vítima, próximo ao metrô de Samambaia, na garupa da moto do irmão.

Segundo apurado pela reportagem, na primeira ocorrência, de pelo menos 10 registradas contra o agressor, Drielle denunciou que a moto dela havia sido queimada por Juvenilton. O caso ocorreu em 30 de dezembro de 2018, por volta das 13h40, na Feira de Samambaia. Ele estava bastante alcoolizado e, assim que viu a mulher, começou a xingá-la.

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Como defesa, Drielle jogou cerveja no rosto de Juvenilton, que correu atrás da ex-companheira com duas garrafas na mão e arremessou uma delas na direção da mulher, mas não a acertou.

Amparada por populares, Drielle foi levada para uma banca de roupas. Mesmo assim, o agressor continuou com os insultos: “Vou te matar, desgraçada”. Em seguida, pegou duas facas e tentou golpeá-la, mas não conseguiu, pois acabou contido.

Ao falhar na tentativa de feminicídio, Juvenilton arrastou a moto de Drielle pelo estacionamento da feira e ateou fogo. Após o fato, a vítima requereu novas medidas protetivas contra o agressor.

Tentativa de atropelamento

Em outra ocorrência, de abril do ano passado, Juvenilton tentou agredir Drielle, que caminhava na direção do portão da casa onde morava o irmão dela. Ao ser impedido pelo pai da vítima, que interveio, o criminoso aguardou alguns minutos, entrou no carro dele e, ao partir, tentou atropelar Drielle, jogando o veículo na direção dela. Ele não conseguiu atingi-la.

Policiais civis foram informados sobre o crime por volta das 8h da última segunda-feira (6/12). O corpo estava ao lado da linha do metrô e apresentava diversos ferimentos causados por arma branca.
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