Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

Família denuncia PMDF de abordagem truculenta em festa de aniversário.

Policiais foram acionados para uma ocorrência de perturbação do sossego e, mesmo após o som ter sido desligado, agrediram a família

22/07/2026 21:42, atualizado 22/07/2026 21:44
Material Cedido ao Metrópoles
Família denuncia PMDF de abordagem truculenta em festa de aniversário

Uma festa de aniversário em Planaltina (DF) terminou com seis pessoas da mesma família presas pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). O caso aconteceu nesta segunda-feira (20/7), por volta da 0h20, após a corporação ser acionada para atender uma ocorrência envolvendo perturbação do sossego no local. Os moradores da residência, porém, acusam os militares de agressão e truculência durante a abordagem.

Veja vídeo:

Segundo o relato do aniversariante, Caio Alecrim, 31 anos, ele é dono de um lava jato e de uma distribuidora de bebidas. Ambas funcionam lado a lado. No domingo (19/7), ele decidiu fazer uma festa e, por morar em um apartamento, optou por comemorar no lugar onde funciona seu estabelecimento

De acordo com o comerciante, os convidados eram todos membros da família — incluindo algumas crianças. A distribuidora que funciona ao lado estava aberta no momento da festa, mas não tinha qualquer relação com a comemoração, contou Caio ao Metrópoles.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF

Pouco depois da 0h, quatro viaturas da PMDF apareceram no local após terem sido acionadas para atender uma ocorrência de som alto em uma distribuidora. Segundo Caio, assim que os policiais chegaram o som foi desligado e ele explicou à equipe que a situação não tinha relação com a distribuidora, apesar de ser o dono do local. Ainda assim, os militares pediram que os parentes de Caio fossem embora do lugar.

Em um dos vídeos gravados, é possível ver o momento em que os policiais solicitaram que os familiares deixassem o local e a família questionou por quê precisariam sair. “É tudo família, não tem porque sair”, falou a irmã do Caio enquanto gravava os vídeos.

A partir desse momento, um policial foi até o carro, pegou um spray de pimenta e acionou contra o rosto de Caio — que estava parado na frente da corporação. Perto do comerciante estava a sobrinha dele, uma criança de 6 anos.

Ação truculenta

O comerciante entrou para o estabelecimento e trancou o portão. Um outro vídeo mostra um policial puxando a esposa de Caio, de 27 anos, pelo braço, enquanto outros tentam arrombar o portão. Assim que os militares conseguiram entrar dentro do comércio, eles passam a agredir o comerciante. Toda ação foi registrada em um vídeo gravado pela irmã de Caio.

Ao Metrópoles, ele contou que durante a agressão os policiais chegaram a quebrar a lanterna do carro de um cliente que estava estacionado no comércio.

A esposa do dono da distribuidora também foi agredida. Três policiais imobilizaram a mulher no chão e a colocaram dentro da viatura seminua. Segundo eles, não tinha nenhuma policial mulher atuando na ocorrência. Toda a situação ainda ocorreu na frente dos filhos do casal, o mais novo, de 3 anos, se escondeu embaixo de uma mesa.

Policiais denunciaram desacato

Ao todo, seis pessoas foram presas e encaminhadas à 16ª Delegacia de Polícia. No local, os policiais registraram um boletim de ocorrência de ameaça, resistência e desacato.

Segundo o boletim, os policiais teriam solicitado que o som fosse desligado e avisaram que, caso não fosse, a equipe poderia dar voz de prisão. Após isso, os presentes teriam começado a agir com hostilidade, xingado e ameaçado os policiais.

Ainda de acordo com a versão dada pela corporação no Boletim de Ocorrência, a família teria fechado o portão temendo ser presos, momento em que foi necessário usar spray de pimenta para desobstruir a passagem.

Segundo a equipe policial, quando eles entraram na casa os presentes passaram a arremessar diversos objetos contra os militares. Por esse motivo teria sido necessário o emprego de bastão policial.

Todos os seis envolvidos foram submetidos ao exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML).

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Ao Metrópoles, a família contou que está com bastante dor no corpo, parte deles ficaram com alguns hematomas devido à ação dos policiais. Caio contou que a esposam, desde segunda, ainda não conseguiu sair de casa, com medo de tudo que ocorreu.

“Minha esposa não sai de casa, não sai para trabalhar, está com vergonha”, contou.

O que diz a PMDF

Em nota, a Polícia Militar informou que “parte dos presentes passou a desacatar e ameaçar os policiais militares, utilizando expressões ofensivas, além de impedir a atuação das equipes ao fechar e trancar o portão do estabelecimento, recusando-se a cumprir as determinações policiais”.

“Diante da resistência apresentada e da necessidade de cumprir uma ordem legal, foi empregado instrumento de menor potencial ofensivo e técnicas de controle. O emprego desses recursos tem justamente como finalidade reduzir e cessar a resistência, evitando a escalada da intervenção e uma possível agressão física, de modo a permitir que os policiais militares executem sua função dentro da legalidade, com a preservação da integridade física dos envolvidos, dos próprios policiais e de terceiros”, informou a corporação em nota.

A nota da PM ainda afirma que dois policiais sofreram lesões e que um equipamento foi danificado. A Corregedoria da Corporação ainda deve verificar se houve excesso pela parte dos policiais.

“A Polícia Militar do Distrito Federal informa, ainda, que a Corregedoria da Corporação realizará a apuração das condutas individuais e a análise dos procedimentos adotados pelas equipes, a fim de verificar se houve eventual descumprimento da legislação, dos protocolos institucionais e dos procedimentos previamente estabelecidos pela Corporação”.