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Família de 1º morto em hospital de campanha do Mané. “Sem informações”

Segundo parentes, a Secretaria de Saúde transferiu Francisco Joaquim sem consentimento e não informou detalhes do seu estado clínico

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Material cedido ao Metrópoles
Francisco Joaquim do Nascimento
1 de 1 Francisco Joaquim do Nascimento - Foto: Material cedido ao Metrópoles

Familiares do primeiro paciente morto com sintomas de Covid-19 no Hospital de Campanha do Mané Garrincha cobram explicações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Segundo parentes de Francisco Joaquim do Nascimento, 70 anos, ele foi transferido do Hospital Regional do Paranoá para a estrutura de emergência do estádio sem o consentimento da família.

“Foi uma morte cheia de informações desencontradas. Ele deu entrada no Hospital do Paranoá em 23 de junho. Na sexta-feira (26/6), foi transferido sem a autorização da família. No sábado (27/6) de manhã, descobrimos porque ele ligou. Disse onde estava e que tinha se sentido mal à noite”, contou uma parente. A mulher pediu para não ser identificada.

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Segundo a família, Francisco amava plantas
Do ponto de vista dos familiares, Francisco era uma pessoa alto astral
Francisco deixa esposa, 4 filhos e 9 netos
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Francisco deixa esposa, 4 filhos e 9 netos

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Segundo a família, Francisco amava plantas
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Segundo a família, Francisco amava plantas

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Do ponto de vista dos familiares, Francisco era uma pessoa alto astral
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Do ponto de vista dos familiares, Francisco era uma pessoa alto astral

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A família tentou novos contatos, mas sem sucesso. Aflitos, dois parentes foram para o Mané Garrincha, mas também não obtiveram informações. “Disseram que uma assistente social ligaria para gente, mas isso nunca aconteceu”, relatou a parente.

Sem informações, por volta das 20h, a família buscou desesperadamente informações no Hospital do Paranoá. A tentativa não gerou resultados, apenas a confirmação do paradeiro de Francisco: ele continuava internado no Hospital de Campanha. Familiares também acionaram órgãos da segurança pública e, somente após essa investida, receberam o telefonema de um médico.

Francisco teria sofrido um infarto e foi intubado. Com a voz enfraquecida, o paciente ainda falou com a esposa e outros parentes. Foram suas últimas palavras. Por volta da 0h30, no domingo (28/6), Francisco faleceu.

“Achamos muito estranho. Se ele teve o infarto pela manhã, por que só ligaram para a família tarde da noite? E o Hospital de Campanha tem estrutura para intubar pacientes? Por que ele não foi transferido para a UTI de um hospital mais estruturado?”, questionou a familiar.

Desumano

Após o óbito, segundo a família, o Hospital de Campanha começou a fazer pressão para retirada do corpo. “Foi desumano. A gente não sabia como proceder, como a funerária poderia retirá-lo e acabamos fazendo o enterro sem o prontuário. Até hoje não recebemos o prontuário dele”, desabafou a mulher.

Francisco Joaquim do Nascimento era casado e deixou quatro filhos e 9 netos. Morador do Park Way, ele amava plantar. Segundo familiares, durante toda a vida foi uma pessoa otimista. Até esta segunda-feira (13/7), o DF registrava 850 mortes de pacientes com sintomas do novo coronavírus.

Atestado de óbito
Segundo a família, a Secretaria de Saúde não liberou o prontuário de Francisco até segunda-feira (13/7)
Outro lado

O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Saúde sobre. A pasta respondeu por meio de nota. Leia o texto na integra:

“A Secretaria de Saúde informa que F.J.N. deu entrada no Hospital de Campanha Mané Garrincha em 26 de junho, removido do Hospital da Região Leste (antigo Paranoá). Em 28 de junho, evoluiu para um quadro cardíaco, provável infarto agudo miocárdio, segundo exames de enzimas cardíacas e ECG. A família foi contatada pela equipe médica e o próprio paciente chegou a conversar com familiares.

Infelizmente o quadro de saúde de F.J.N. se agravou e o paciente teve uma parada cardiorrespiratória. Manobras de reanimação foram realizadas, mas sem sucesso.

A pasta ressalta que o exame de RT-PCR do paciente deu positivo para Covid-19 em 24 de junho. Contudo, é importante destacar que o óbito só entra no boletim após finalização da investigação epidemiológica.

A reportagem perguntou por que Francisco foi transferido sem o consentimento da família e a razão pela qual os parentes não obtiveram informações, mas essas questões não foram respondidas pela pasta. O espaço permanece aberto.

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